Vitória
Capítulo II
Foi por esse tempo que Heyst entrou em relações com Morrison. A natureza dessas relações era motivo de dúvidas. Alguns diziam que os dois homens tinham formado sociedade, outros que Heyst era uma espécie de hóspede pagante, mas a exata verdade era mais complexa. Um dia Heyst apareceu em Timor. Por que precisamente em Timor, eis o que ninguém sabe. Vagueava ele por Déli, esse lugar altamente pestilencial, quando se encontrou na rua com Morrison, que também era, a seu modo, um homem “encantado”. Quando se lhe falava em voltar para a terra (era natural do condado de Dorset) Morrison estremecia. Respondia que a sua terra era escura e úmida, que seria o mesmo que viver com a cabeça metida num saco molhado. Isto não passava de um dos seus habituais exageros. Morrison era “um dos nossos”. Possuía e comandava o Capricorn, um brigue mercante, e tinha fama de ganhar dinheiro com o seu barco, salvo os prejuízos decorrentes do seu altruísmo excessivo. Era o amigo bem-amado de muitas aldeias esquecidas por Deus em obscuros estuários e baías sombrias, onde ele “comprava produtos”. Navegava muitas vezes por canais terrivelmente perigosos até algum miserável estabelecimento, onde encontrava uma população faminta a clamar por arroz. Todos os “produtos” reunidos dessa gente não dariam para encher a valisa de Morrison. Entre o regozijo geral ele descarregava assim mesmo o arroz, explicava aos indígenas que se tratava de um adiantamento, que ficavam sendo seus devedores. Exortava-os à energia e à atividade, e tomava uma nota minuciosa no diário de algibeira que sempre levava consigo. E este era o fim da transação. Não sei se Morrison assim pensava, mas os indígenas é que não tinham a menor dúvida. Sempre que uma aldeia da costa avistava o brigue, começavam a bater todos os gongos e a hastear todas as flâmulas. Todas as garotas do lugar punham flores no cabelo, a chusma se alinhava à margem do rio, e Morrison contemplava essa lufa-lufa através do seu cintilante monóculo, com um ar de intensa satisfação. Era alto, de maxilares salientes, usava a barba raspada e tinha o aspecto de um advogado que houvesse mandado a peruca às favas.
Costumávamos admoestá-lo:
— Se você continuar assim nunca mais verá os seus adiantamentos, Morrison.
Ele tomava um ar finório.
— Ainda hei de apertar com eles um dia... não tenham medo. E isto me faz lembrar (sacando o inseparável livrete) a aldeia Tal. A sua situação já é bastante boa. Posso começar apertando com eles.
E tomava uma nota feroz na sua agenda:
“Memento: — Espremer a aldeia Tal na primeira visita.”
Enfiava depois o lápis na bainha do livrete e fazia estalar o elástico com inflexível determinação; mas nunca principiava a espremer. Alguns murmuravam contra ele. Estava estragando o negócio, diziam. Talvez estivesse, até certo ponto; não muito, porém. A maioria dos povoados com que negociava eram desconhecidos não só da geografia como também dessa ciência especial dos mercadores, que se transmite oralmente, sem ostentação, e forma um cabedal de misteriosos conhecimentos locais. Pretendia-se, outrossim, que Morrison tinha uma esposa em cada um desses lugarejos, mas quase todos nós repelíamos indignados a insinuação. Ele era sinceramente humanitário, e mais ascético que outra coisa.
Quando Heyst o encontrou em Déli, Morrison caminhava pela rua com o monóculo atirado para as costas, a cabeça baixa e o aspecto desanimador desses vagabundos que vemos pelas nossas estradas, afadigando-se de albergue para albergue. Ao se ouvir saudar do outro lado da rua ergueu a cabeça com uma expressão insólita e preocupada. Via-se a braços com dificuldades. Chegara a Déli na semana anterior e as autoridades portuguesas, pretextando alguma irregularidade nos seus papéis, tinham-lhe aplicado uma multa e detido o brigue.
Nunca lhe sobrava dinheiro para despesas eventuais. Com o seu sistema de comércio, não era para menos. E todas aquelas dívidas na sua agenda não dariam para levantar sequer mil-réis, quanto mais um xelim. Os funcionários portugueses imploraram que não se afligisse. Concederam-lhe uma semana de prorrogação, finda a qual venderiam o brigue em leilão público. Seria a ruína de Morrison. E quando Heyst o chamou do outro lado da rua, com o costumeiro tom de polidez, a semana estava quase vencida.
Heyst atravessou a rua e disse, fazendo uma leve mesura, com os modos de um príncipe que procura outro príncipe para tratar de assunto particular;
— Que prazer inesperado! Faz objeção em tomar algo comigo naquela infame taberna ali? O sol está forte demais para se conversar na rua.
O macilento Morrison seguiu-o docilmente até um barracão sombreado e fresco, onde teria desdenhado entrar em qualquer outra ocasião. Estava distraído. Mal sabia o que fazia. Teria sido tão fácil levá-lo para a beira de um precipício como para aquela taberna. Sentou-se qual um autômato. Estava sem voz, mas viu diante de si um copo cheio de vinho tinto, e esvaziou-o. Enquanto isso, observando-o com ar polido, Heyst sentou-se a sua frente.
— receio que esteja com febre — disse com simpatia.
O pobre Morrison soltou a língua afinal.
— Febre! — exclamou. — Antes fosse febre. Antes fosse a peste! De doença um homem se cura. Mas estou sendo assassinado! Os portugueses estão me assassinando. Esse bando acaba de dar cabo de mim. Vão cortar meu pescoço depois de amanhã.
Diante desse desespero Heyst levantou as sobrancelhas, num leve movimento de surpresa que não estaria deslocado numa sala de recepção. Quebrara-se afinal a reserva angustiada de Morrison. Tinha vagueado com a garganta seca por toda aquela miserável cidade de barracos de barro, silencioso, sem nenhuma alma a que recorrer em sua desgraça, positivamente enlouquecido com seus pensamentos; e de súbito esbarrara com um homem branco, figurada e literalmente branco — pois Morrison se recusava a incluir os funcionários portugueses em sua raça. Desabafou, pelo simples conforto de uma fala violenta, os cotovelos plantados na mesa, os olhos injetados, a voz quase sumida, a aba do chapéu de fibra, redondo, a sombrear um rosto lívido e barbudo. Sua roupa branca, que não tirava havia três dias, estava imunda. Tinha já a aparência de um homem irremediavelmente perdido. Era um espetáculo chocante para Heyst, que todavia nada deixou transparecer na sua atitude, escondendo a impressão sob aquelas suas consumadas maneiras de boa sociedade. Não mostrou mais que uma atenção polida, como compete a um cavalheiro a escutar outro; e, como de costume, esta atitude foi contagiosa. Morrison caiu em si e terminou a narrativa em tom sereno, com o ar de um homem de sociedade.
— É uma conspiração infame. Infelizmente, não se pode fazer nada. Esse patife do Cousinho Andreas, você sabe, há anos que anda cobiçando o brigue. Naturalmente, eu não o venderia a troco de nada. Ele não é apenas meu ganha-pão: é minha vida. De modo que o homem preparou esse golpe com o chefe da alfândega. O leilão, naturalmente, será uma farsa. Aqui não há ninguém para fazer lances. Ele ficará com o brigue por dez réis de mel coado... não, nem isso: por um real de mel coado. Você já está há alguns anos nas ilhas, Heyst. Conhece a nós todos; já viu como vivemos. Terá agora a ocasião de ver como acabam alguns de nós; porque isto é o meu fim. Já não posso iludir a mim mesmo. Você compreende, não é verdade?
Morrison tinha caído em si, mas sentia-se a tensão do esforço no seu domínio próprio reconquistado. Heyst começara a dizer que “bem via as consequências desse infortunado...” quando Morrison o interrompeu em voz sacudida.
— Palavra que não sei por que lhe conto tudo isso. Foi, suponho, o encontro com um verdadeiro homem branco, como você, que me fez desabafar. Palavras nada podem fazer; mas, já que disse tanto posso dizer mais. Escute. Hoje de manhã, a bordo, no meu camarote, ajoelhei e rezei pedindo ajuda. Pus-me de joelhos!
— Você é religioso, Morrison? — perguntou Heyst em evidente tom de respeito.
— O que posso afirmar é que não sou incrédulo.
A resposta de Morrison foi viva e reprovadora. Houve uma pausa, enquanto o capitão interrogava talvez a eu a consciência e Heyst mantinha no semblante um interesse cortês e inalterado.
— Rezei como uma criança, naturalmente. Acho natural que as crianças rezem — bem, as mulheres também, mas quer-me parecer que Deus espera dos homens um pouco mais de confiança em si mesmos. Não tolero os homens que andam eternamente a importunar o Altíssimo com os seus ridículos aborrecimentos. Parece desfaçatez. Seja como for, esta manhã eu... nunca fiz mal, coincidentemente, a uma criatura neste mundo... esta manhã rezei. Um impulso repentino... Arreei-me nos joelhos. De modo que você pode julgar...
Um e outro se fitavam nos olhos, com ar sério. O pobre Morrison acrescentou, como a uma reflexão tardia e desanimadora:
— Acontece que este é um lugar tão abandonado por Deus...
Heyst perguntou com delicada entonação se podia saber a soma pela qual o brigue fora apreendido.
Morrison reprimiu uma praga e mencionou com brusquidão uma quantia tão insignificante que teria feito exclamar um outro qualquer. O próprio Heyst mal pôde afastar a incredulidade da sua voz cortesmente modulada, ao perguntar se era verdade que Morrison não tinha essa quantia.
Morrison não tinha. Tinha apenas algum ouro inglês, umas poucas libras a bordo. Deixara todo o dinheiro disponível com os Tesman em Semarang, para saldar certas contas que venceriam na sua ausência. De qualquer maneira, esse dinheiro não lhe seria mais inútil se estivesse nas profundezas do inferno. Disse tudo isto bruscamente. E ficou a olhar com súbito desagrado para aquela testa nobre, o grande bigode marcial e os olhos cansados do homem que tinha à sua frente. Quem diabo era esse sujeito? Por que estava ele, Morrison, a falar daquela maneira? Não conhecia melhor a vida de Heyst que o resto de nós, mercadores do Arquipélago Malaio. Se o sueco se erguesse repentinamente e lhe desse um murro no nariz, Morrison não ficaria mais atônito do que ficou ao ouvir esse estranho, esse vagabundo sem classe definida, dizer com um pequeno cumprimento:
— Oh, se é este o caso terei enorme prazer em ajudá-lo!
Morrison não compreendeu. Era uma dessas coisas que não acontecem — coisas inauditas. Não fazia a menor ideia do que aquilo significava, até que Heyst disse positivamente:
— Posso emprestar essa quantia.
— Tem esse dinheiro? — murmurou Morrison. — Aqui mesmo, no seu bolso?
— Sim, comigo. É um prazer ser útil.
Morrison, contemplando-o boquiaberto, procurou por cima do ombro a fita do monóculo que lhe pendia às costas. Ao encontrá-lo encaixou-o apressadamente no olho. Era como se esperasse ver o traje branco tropical de Heyst transformar-se numa vestimenta deslumbrante, um par de asas luminosas crescer nos ombros do sueco — e não quisesse perder nem um só pormenor da metamorfose. Mas se Heyst era um anjo do céu, enviado em resposta à prece, não traía por sinais exteriores a sua origem celeste. Assim, ao invés de cair de joelhos como se sentia inclinado a fazer, Morrison estendeu a mão, que Heyst estreitou com alegria formalista e um murmúrio cortês em que mal se podiam distinguir as palavras “ninharia... encantado... prestar serviço”.
“Há mesmo milagres”, pensou Morrison cheio de terror sagrado. Para ele, como para todos nós nas ilhas, esse errante Heyst que não trabalhava nem fiava visivelmente, seria 3 Última pessoa a servir de agente da Providência num aperto de dinheiro. A sua aparição em Timor ou alhures não era mais maravilhosa que o pousar de um pardal em dado momento no peitoril da nossa janela. Mas que trouxesse dinheiro no bolso, eis o que parecia um tanto inconcebível.
Tão inconcebível que, ao trilharem a custo a areia da estrada que conduzia à alfândega (outra choça de barro), Morrison começou a suar frio, deteve-se e exclamou vacilante:
— Escute! Você não está brincando, Heyst?
— Brincando! — ecoou Heyst, encarando fixamente o descomposto Morrison. — Em que sentido, posso saber? — continuou com austera cortesia.
Morrison ficou envergonhado.
— Perdoe-me, Heyst. Você deve ter sido mandado por Deus em resposta à minha oração. Mas estive três dias quase fora de mim com tanto aborrecimento, e veio esta lembrança repentina: “E se fosse o diabo que o mandou?”
— Não tenho relações com as potências sobrenaturais — disse Heyst amavelmente, continuando a andar. — Ninguém me mandou. Surgi no seu caminho por acaso.
— Não creio nisso — redarguiu Morrison. — Posso ser indigno, mas fui ouvido. Eu o sei, sinto-o cá dentro. Que motivo tinha você para o oferecer?...
Heyst inclinou a cabeça, como a indicar respeito por uma convicção que não podia compartilhar. Mas manteve-se na sua, murmurando que diante de um fato abominável como este era natural...
Algumas horas mais tarde, paga a multa e ambos a bordo do brigue, de onde fora retirada a guarda, Morrison (que não só era cavalheiro como também homem honrado) começou a falar em reembolso. Conhecia perfeitamente a sua incapacidade para por dinheiro de parte. Isto tanto se devia as circunstâncias como ao seu temperamento, e seria muito difícil dividir as responsabilidades entre umas e outro. O próprio Morrison não o saberia dizer, embora confessasse o fato. Com um ar aflito, pô-lo à conta da fatalidade.
— Não sei por que razão nunca pude economizar. É uma espécie de maldição. Sempre há uma conta ou duas por saldar.
Pescou no bolso a famosa agenda tão conhecida nas ilhas, o fetiche das suas esperanças, e correu febrilmente as páginas.
— E contudo... Veja — prosseguiu. — Aí está: mais de cinco mil dólares a receber. Isto sempre é alguma coisa.
Calou de súbito. Heyst, que todo esse tempo procurava, aparentar indiferença, emitiu uns ruídos guturais tranquilizadores. Mas Morrison não só era honrado como pundonoroso, e nesse dia de angústia, diante do pasmoso emissário da Providência e na tempestade que lhe revolvia a alma, fez a sua grande renúncia. Abandonou a ilusão permanente da sua existência.
— Não. Não. Isto nada vale. Nunca poderei espremê-los. Nunca. Durante anos afirmei o contrário, mas agora renuncio. Jamais acreditei verdadeiramente que pudesse fazê-lo. Não conte com isso, Heyst. Acabo de roubá-lo.
O pobre Morrison chegou a deitar a cabeça sobre a mesa do camarote, e permaneceu nessa posição aniquilada enquanto Heyst tratava de o consolar, com a máxima polidez. O sueco estava tão angustiado quanto o próprio Morrison, pois compreendia perfeitamente os sentimentos do outro. Jamais escarnecera de um sentimento digno. Mas era incapaz de cordialidade exterior nas maneiras, e sentia vivamente este defeito. A polidez consumada não é o tônico indicado para um colapso emocional. Ambos devem ter passado momentos bem penosos no camarote do brigue. Por fim Morrison, buscando desesperadamente uma ideia no negror da sua prostração, teve a lembrança de convidar Heyst a viajar com ele no brigue, participando das suas aventuras comerciais até perfazer a importância do empréstimo.
Uma circunstância característica da existência desprendida e flutuante de Heyst era a de estar pronto a aceitar esta proposta. Nada nos leva a crer que ele tivesse naquela ocasião o desejo especial de bater a bordo do brigue por todos os cantos e buracos do arquipélago, onde Morrison fazia quase todo o seu negócio. Longe disso; mas teria consentido em qualquer arranjo que pusesse termo àquela cena dilacerante. Deu-se instantaneamente uma grande mutação: Morrison ergueu a cabeça abatida e assestou o monóculo para considerar Heyst com afeto, desarrolhou-se uma garrafa, e assim por diante. Ficou combinado que não se falaria da transação a ninguém. Morrison, compreendem, não se orgulhava do episódio, e temia ser impiedosamente ridicularizado.
— Um macaco velho como eu! Deixar-me apanhar por esses malditos tratantes portugueses! Nunca mais me deixariam em paz. Precisamos guardar segredo.
Por motivos bem diversos, entre os quais sobressaía a sua delicadeza congênita, Heyst fazia ainda mais questão de jurar sigilo. Um cavalheiro se esquivaria naturalmente ao papel de mensageiro celeste que Morrison lhe queria impor. Já estava bastante constrangido com o que houvera, e provavelmente não desejava que viessem a sabê-lo possuidor de alguns recursos, fossem estes quais fossem — suficientes, em todo caso, para permitir-lhe fazer empréstimos de dinheiro. Os dois homens tiveram dentro daquele camarote, como conspiradores de opereta, o seu dueto de “Psiu, psiu! Segredo! Segredo!” Deve ter sido engraçadíssimo, pois eles encaravam a coisa com muita seriedade.
A conspiração foi bem sucedida por algum tempo, tanto quo todos nós concluímos que Heyst estava hospedado com o bondoso (alguns diziam: sugando o imbecil) Morrison a bordo do seu brigue. Mas já sabem o que acontece com todos esses mistérios. Há sempre um rombo em alguma parte. O próprio Morrison, que nada tinha de estanque, rebentava de gratidão, e sob esta pressão deve ter deixado escapar alguma coisa vaga — o bastante para dar um ensejo à tagarelice ilhoa. E todos sabem quão caridoso é o mundo em seus comentários sobre aquilo que não compreende. Propalou-se o rumor de que Heyst, tendo obtido algum ascendente misterioso sobre Morrison, colara-se a ele é estava a sugá-lo. Os que investigaram a origem de tais murmúrios deram-se ao cuidado de não acreditar neles. O originador, ao que parece, fora um certo Schomberg, homem enorme, barbudo e viril, cheio de convicção germânica e dotado de uma língua ingovernável que devia com certeza funcionar sobre um espigão. Ignoro se era de fato tenente da rReserva, conforme declarava. No Oriente exercia a profissão de hoteleiro, a princípio em Bangkok, depois em algum outro lugar, e ultimamente em Surabaya. Arrastava consigo por aquela região dos trópicos uma mulherzinha silenciosa e assustada, que usava cachos compridos e sorria estupidamente para a gente, mostrando um dente azulado. Não sei por que tantos dentre nós frequentávamos os seus vários estabelecimentos. Era um imbecil nocivo que satisfazia à custa dos hóspedes a sua paixão pelos mexericos tolos. Foi ele quem uma tarde, quando Heyst e Morrison passavam pelo hotel (não eram seus fregueses habituais) cochichou misteriosamente ao grupo heterogêneo reunido na varanda:
— A aranha e a mosca acabam de passar, senhores. — E, muito importante e confidencial, pondo a grossa pata ao lado da boca: — Aqui entre nós, cavalheiros, só lhes posso aconselhar que nunca se envolvam com esse sueco. Não se deixem apanhar na sua teia.