A retomada da União
Capítulo 9
As pessoas com eçam a se dispersar e Maritza desce do altar para conversar com Hassam , e o rapaz tenta convencê-la de algo, m as encontra-a irredutível. Ele parece contrariado, m as segue o fluxo da m ultidão com Hannah e Gunnar, olhando na nossa direção antes de partir.
Vovó Clarisse tam bém se j unta a nós e aproveito para apresentá-la rapidam ente aos m eus am igos. Não conseguim os conversar m uito pois várias pessoas nos cum prim entam , desej ando os pêsam es para Andrei, para Charles e para m im . Não sei com o reagir. Não é com o se eu não m e im portasse com a m orte do Alm irante, pelo contrário, m as as pessoas prestam condolências com o se eu tivesse sofrido um a enorm e perda, a perda de m eu pai. Minha dor é de longe parecida com a que Andrei sente, e isso m e deixa desnorteada. Vovó Clarisse agradece às pessoas por m im , puxando conversa para si enquanto m e escondo atrás dela.
Quando o lugar está praticam ente vazio, vej o um grupo de m eninas que conheço m uito bem se aproxim ar de nós e m eu peito se aperta. São apenas três, um a delas carrega um bebê, e é estranho com o nos tornam os tão poucas num espaço de tem po tão curto. A m ais velha, Carine, dá um sorriso im enso quando m e vê, em balando seu filho no colo enquanto se aproxim a com pressa, e as pequenininhas a seguem . Sarai, a m enor de todas, tropeça algum as vezes nas calças com pridas e precisa da aj uda de Mina para não cair. A visão delas é suficiente para m e j ogar em um a espiral de saudades e lem branças das quais fugi durante o últim o ano e, no final, o que resta é a culpa por não ter pensado nelas nem por um m inuto durante o período em que estive aqui.
– Sy b! – Carine exclam a quando está perto, m as algo a faz parar de um a vez, abraçando o bebê que dorm e em seus braços. Ela parece um a m enina brincando de boneca, m ais baixa que eu, com o rosto redondo e infantil, e bochechas coradas. Talvez ela estej a lem brando de com o, quando nos separam os, m al estávam os nos falando, de com o eu exibia tão abertam ente m inha desaprovação pelo relacionam ento que ela tinha com um soldado bem m ais velho.
Me desvencilho do m eu grupo de am igos e dim inuo a distância entre nós. As m eninas m ais novas não tem o m esm o pudor de Carine: elas se j ogam contra m im e m e abraçam , e fico im pressionada ao ver que Mina está quase m e alcançando em altura. Aperto Sarai contra m im , sentindo seus braços ossudos m e envolverem . Ela deve estar com o quê, 4 anos de idade? Parece m uito m aior do que m e lem brava.
– Você está tão grande – Sarai fala, com sua vozinha fina. – Você está com bebê?
Sinto m inhas bochechas queim arem , constrangida, e olho com o canto dos olhos para onde m eus am igos estão. Leon e Andrei estão perto um do outro e sei que ouviram a m enina pela expressão de riso contido em seus rostos. Mina e Carina tam bém parecem desconfortáveis, e a m enina m ais nova m e olha com curiosidade. A questão não é nem ela achar que estou m ais gorda, m as é um a m enina desse tam anho supor que alguém só pode engordar se estiver grávida. Vovó Clarisse intervém , para m eu alívio.
– Isso é o que acontece quando você com e toda a com ida do seu prato, Sarai. – Ela pega a m enina no colo, e Sarai ri, escondendo o rosto. – Ah, sua safadinha, você achou que eu não tinha percebido?
– Você quer vê-lo? – Carine m e cham a, desviando m inha atenção para ela e seu filho, então se aproxim a de m im com cuidado, com o se eu fosse um anim al selvagem . – Ele está com oito m eses.
Eu faço que sim com a cabeça, sem saber o que dizer para ela. O pacotinho é bem m aior do que eu esperava e, quando ela puxa um pouco a coberta, vej o o rosto sereno do bebê dorm indo. Ele se parece dem ais com Carine, com as bochechas cheias e os lábios em form ato de coração. Quero sair correndo, m as a felicidade que vej o no rosto da m enina m e faz aguentar por algum tem po.
– Deve ter sido difícil fazer a viagem com um bebê tão pequeno. – Fico surpresa quando vej o que Andrei se j untou a nós, parando ao m eu lado, olhando para o bebê por cim a de nós. Ele pergunta para Carine:
– Ele parece com você, é seu irm ão?
– Filho – ela responde, constrangida, e Andrei olha para o bebê e para a m enina discretam ente algum as vezes, e quando trocam os olhares, ele encosta a m ão na m inha cintura, de form a protetora.
– Ele é m uito bonito, Carine – digo, por fim , m e afastando. – Com o você está?
– Bem . – E no silêncio que se segue, ela aninha o bebê no colo com um a naturalidade de quem j á fez isso centenas de vezes. – Nós tem os que ir, foi bom te ver. Mina, Sarai, vam os?
Clarisse dá um beij o em cada um a delas e se volta para nós. Andrei observa enquanto as m eninas deixam o refeitório em silêncio, com um a ruga de concentração na testa e não faço ideia do que está pensando. Encosto a cabeça em seu om bro e ele m e envolve em seus braços, m e reconfortando quando sente com o estou trêm ula.
– São suas irm ãs do orfanato? – ele pergunta baixinho e eu assinto. – Quantos anos tem aquela m enina?
– Quinze. Ela fez aniversário na prim avera – respondo baixinho e a expressão no rosto de Andrei fica rígida quando ele faz as contas. Espero um a torrente de perguntas sobre Kali, m as ele só m e abraça antes de voltarm os para onde Leon está.
Na porta, Idris term ina de conversar com as últim as pessoas que ainda estavam ali e cam inha em nossa direção. Aproveito a proxim idade para tentar definir se devo cham á-lo de senhor ou senhora, m as é praticam ente im possível. Seu volum oso sobretudo está aberto e, em baixo, usa um a roupa preta grossa com várias costuras que não revelam detalhes do seu corpo. Desvio o olhar para seu tórax para encontrar algum sinal de seios, m as a roupa deixa o peitoral quadrado e m usculoso. O rosto e a voz são andróginos o suficiente para tornar a definição um a tarefa im possível. Acho que todos o cham am apenas de Idris por não quererem ser desrespeitosos.
– Agradeço m uito por terem esperado – Idris fala com um sorriso quando finalm ente nos alcança. – É um prazer tê-los todos aqui, gostaria que se sentissem em casa enquanto estão em nosso hum ilde refúgio.
– Acho que estam os a sós – Cléo interrom pe, se aproxim ando do nosso grupo. Ela esteve sentada nas cadeiras do altar o tem po inteiro, só nos observando.
Idris levanta um a sobrancelha ao vê-la. Não m e escapa o olhar divertido que troca com Maritza, com o se Cléo ainda estar aqui fosse engraçado. Eu não consigo entender a dinâm ica de poder entre eles, m as é óbvio que as duas m ulheres estão em um posto alto da hierarquia, talvez só abaixo de Idris em influência. O braço esquerdo e o braço direito, com o havia dito.
– Venha cá, Cléo. Você ainda não conheceu oficialm ente Sy bil, conheceu? – Idris a cham a com um gesto. Eu m e em pertigo, desconfortável com a ideia de estar no centro das atenções. – Sy bil, você j á deve ter percebido pela apresentação que Cléo fez de você, m as ela é irm ã de Alexander. É provável que parte de seu tem po aqui sej a gasto com ela, pois acreditam os que você precisa de treinam ento para desenvolver m elhor suas habilidades.
– É um prazer finalm ente conhecê-la. – Minha tia sorri calorosam ente, e sinto que m e abraçaria se eu não estivesse tentando m e esconder atrás de Andrei com tanto afinco. – A sem elhança com sua avó é im pressionante, você irá conhecê-la assim que tudo isso acabar.
– Tudo bem . – Minha voz sai incerta, e olho para suas botas escuras e pesadas. – Eu não sabia que...
– Que eu sou sua tia? Que você tem tias? – ela com pleta, com um sorriso am argo. – Sua m ãe fez um trabalho m uito bom em afastar você de nós. Vam os reverter esse quadro em breve. Dido e Harun vão adorar conhecê-la, as m eninas vão am ar ter um a prim a m ais velha. Todo m undo a receberá m uito bem , nós estávam os esperando por você todo esse tem po.
Não sei o que m e desagrada m ais: o fato de Cléo assum ir que vou m e integrar à fam ília im ediatam ente, esquecendo com pletam ente m inha fam ília adotiva só porque descobri que possuo parentes biológicos, ou o tom de desprezo que usa ao falar de m inha m ãe. Eu não a conheci, m as o que li nos diários m e fez criar um a adm iração estranha por ela. Não deve ter sido fácil fazer o que fez, m as era o que m inha m ãe achava que seria m elhor para m inha segurança. Nesse m om ento, tenho m ais ressentim ento com o Alm irante, que se m anteve om isso por todo o tem po em que estive em Pandora, do que com Cassandra. Andrei a fuzila com os olhos pela falta de tato, m as se m antém calado. Sinto Leon se aproxim ar, e sua presença sólida atrás de m im m e dá um pouco m ais de confiança.
– Você podia ir com calm a – vovó Clarisse com enta. – Você m al conheceu a garota e j á quer em purrar um a dezena de parentes para ela. Dê um tem po para ela se acostum ar.
A m ulher para por alguns segundos, com o se estivesse considerando suas palavras, e depois cruza os braços, contrariada. É óbvio que percebeu que vovó está certa e que foi indelicada, m as não parece disposta a dar o braço a torcer. Mas quando continua, seu tom é um pouco m enos sufocante.
– Maritza m e disse que sua anom alia é com o a m inha e a de Alexander. Posso ensinar você a controlá-la enquanto não com eçam os a operação, m as com o tem os pouco tem po, preciso de toda a sua força de vontade – explica, arrum ando os óculos na ponta do nariz.
– Tudo bem – repito, aparentem ente as únicas duas palavras que consigo dizer para aquela desconhecida à m inha frente. Não posso negar que estou curiosa para saber com o controlar m inha capacidade de transform ar coisas em uvas-passas.
– Pronto? – Idris se aproxim a, apoiando as m ãos nos om bros de Cléo.
– Pronto o quê? Nós vam os com eçar a conversa? – ela questiona.
– Não, Cleópatra. – Seu tom é duro e Cléo se encolhe, com o um a criança que está sendo recrim inada. – Você não foi convocada para esta conversa; só estou esperando que term ine com Sy bil e saia para com eçarm os.
Ela m e lem bra m uito um a criança de castigo quando abaixa a cabeça e concorda silenciosam ente, olhando para Maritza com um a expressão indecifrável antes de sair. Idris a observa em silêncio e, quando Cléo finalm ente fecha a porta atrás de si, com enta com hum or na voz:
– Cléo pode ser um pouco difícil às vezes. Tem que saber lidar com ela. Mas chega de enrolação. – Ela nos m ede com os olhos antes de continuar. – Eu estava esperando conhecê-los, todos vocês. Zory a falou tanto do seu m arido e dos seus filhos! E Sy bil... nós esperávam os que tudo tivesse sido diferente. E Leon! Se um terço do que Hassam disse sobre você é verdade, você será um a ótim a adição à nossa causa – Idris elogia, com um sorriso. – Nós esperávam os que quando o plano desse certo, iríam os nos conhecer. Eu sinto m uito que as circunstâncias tenham sido diferentes.
– Não tem os m uito tem po, Idris – Maritza a lem bra. – Tente não dar m uitas voltas.
– Bem , prim eiro, gostaria de oferecer a vocês um lugar em nossa organização. Vocês estão aqui com o convidados e são bem -vindos para ficar o tem po que quiserem , m as não gosto que fiquem no escuro quanto ao que som os. Acredito que tenham perguntas, então é a hora de fazê-las.
– O que são vocês? – Obviam ente Andrei é o prim eiro a se pronunciar, cruzando os braços. – O que vocês querem ? Se entendi direito, vocês querem derrubar o governo, m as não tom ar o poder? Isso não faz sentido.
Idris parece se divertir com a pergunta e coça o queixo anguloso, ponderando a resposta.
– Vam os com eçar pelo nom e: não tem os um oficial, m as a nossa presença infiltrada em fábricas e nas cam adas m ais baixas de trabalhadores fez com que nos cham assem de Sindicato, para ninguém desconfiar – explica –, o que faz um pouco de sentido dentro dos nossos ideais, pois lutam os por direitos e m elhorias de vida. Tam bém servim os com o um refúgio, um esconderij o para todos que não se adequam . Som os um grupo de pessoas que foram expulsas ou exiladas de nossos lares e de nossas vidas, e por m otivos inj ustos: guerra, perseguição política, term os sido forçados a ser cobaias em testes m édicos. Aceitam os hum anos e anôm alos igualm ente porque acreditam os que a convivência é possível e necessária. Nós querem os um a sociedade m ais j usta.
– Perseguição política? – eu pergunto, curiosa.
– Eu sei que o governo vende um a ideia de tolerância extrem a para opiniões, m as ouse com entar que os dissidentes podem não ser tão ruins assim para ver o que acontece com você. Tente achar que anôm alos são hum anos tam bém . Tente dizer que não concorda com o que o governo está fazendo. – Idris aponta para vovó Clarisse. – Clarisse sabe m uito bem o que é isso.
– Então vocês oferecem um a rede de proteção para que as pessoas desapareçam e fiquem a salvo – Leon raciocina. – E tam bém tentam desestabilizar o governo?
– Um efeito colateral do que fazem os.
– Vocês têm recursos para fazer tudo o que planej am ? – o pai de Andrei pergunta, com a testa franzida. – Parece algo grande. Com o planej am fazer um dossiê contra o cônsul? Vocês têm os contatos necessários? Com o planej am articular hum anos contra o governo? Tem pessoas infiltradas? Com o vão... parar Fenrir?
A últim a pergunta fica no ar e não sei exatam ente o que precisam os para im pedir Fenrir. Sei que ele possui um a grande coleção de artigos tecnológicos em seu porão, eu m esm a puder ver quando Áquila m e levou naquele tour bizarro em sua m ansão. Porém , se o Sindicato conseguir realizar as duas prim eiras coisas, tam bém conseguirá a últim a. Pelo m enos é o que eu espero.
– Eu posso te garantir que tem os tudo o que você acha necessário. Tem os os contatos, as pessoas. Mas se você estiver oferecendo aj uda, não recusarei – Idris fala calm am ente. – Sei que você tem um a influência diferente da de Zory a, e seria bem m ais fácil se pudesse nos auxiliar.
– Vocês foram responsáveis pelas bom bas na Prova Nacional? – Leon m al deixa que term ine, e a pergunta sai um pouco m ais atrapalhada que o norm al.
– Não. – É Maritza quem responde, com os braços cruzados. – Nós nem tem os certeza se existiram bom bas naquele dia.
As im plicações disso fazem com que todos fiquem em silêncio. Se não havia bom bas, então o governo inventou o fato para com eçar o bloqueio dos anôm alos? Tudo o que veio a seguir foi feito de propósito, com um a desculpa faj uta para j ustificar os atos absurdos? Me abraço, envolvendo m inha tipoia com o braço bom , m e sentindo desprotegida. Sei que nada j ustifica o que fizeram , m as a tentativa de atentado à Prova Nacional era pelo m enos um a m otivação, algo que m e fazia pensar: Ah, eles estão se sentindo ameaçados, por isso estão agindo dessa forma. Saber que tudo isso é um a m entira transform a tudo em ódio puro e sim ples, direcionado a m ilhares de inocentes.
– Antes de prosseguirm os, gostaria que m e respondessem : vocês querem nos aj udar? – Idris questiona, nos observando. Charles leva a m ão ao queixo, pensativo.
– Você disse que m inha influência facilitaria seu trabalho. – A form a com o fala dá a entender que ele tem um a ideia se form ando. – Que adoraria m inha aj uda.
– Sim . Mas você precisaria voltar para Pandora – Idris retruca, olhando para Andrei e para Sofia, que está próxim a ao seu pai adotivo. – Eu entendo se não quiser ir e deixá-los para trás.
– Vou pensar no assunto – é sua resposta. Não o conheço tão bem assim , m as m e parece que j á tom ou um a decisão, principalm ente pela expressão determ inada em seu rosto.
– Sy bil? – Idris se volta para m im . – Você está aqui com o nossa protegida, até que Fenrir não sej a m ais um a am eaça. Não sabem os o que ele pode fazer se descobrir que você está viva. Com certeza você é um a am eaça para a im agem de salvador que ele está construindo para a população. Não há nenhum a obrigação de nos aj udar, m as, se tiver interesse, tem os um lugar para você.
– Eu... – Olho para os dois garotos ao m eu lado e respiro fundo; e m eus pensam entos estão a m il. Penso em Rubi, Dim itri e Tom ás, em algum lugar em Pandora, e não sei se eles correm perigo ou não; nas fam ílias que estão hospedadas na nossa casa por falta de abrigo e m antim entos. Penso nos dois hum anos que vi m orrerem queim ados. Penso na bota do soldado hum ano esm agando cada osso da m inha m ão. No corpo do Alm irante Klaus caindo no chão ao levar dois tiros. Na explosão, no cheiro de carne cham uscada, nos gritos de dor de crianças e idosos. Lem bro da procissão de caixões do funeral pós-com ício, a prim eira de m uitas que acontecerão se não agirm os. E então sei m inha resposta. – Eu não conseguiria ficar im passível enquanto tanta coisa horrível acontece. Precisam os fazer algo antes que fique pior.
– Então você está conosco? – Idris não esboça reação algum a à m inha resposta.
– Só se m e prom eterem que não haverá m ais segredos.
Isso faz com que apareça um sorriso em seu rosto, que o torna bonito e estranham ente caloroso.
– Prom eto para você: sem m ais nenhum segredo. Andrei?
– Pela m inha m ãe – ele responde sem hesitar, sem nem sequer olhar para seu pai. – Sim , eu quero aj udar vocês.
– A vingança é um com bustível perigoso, garoto – Idris filosofa, e Andrei levanta o queixo, orgulhoso.
– Não é vingança; é porque é o que ela queria. Se ela achou que a m elhor solução era aj udá-los, eu vou aj udá-los.
Idris o encara por alguns segundos e, por fim , assente, aceitando a resposta. Depois, vira-se para Leon, exam inando-o.
– E você, Leon? Por que está aqui? As m otivações de Sy bil e Andrei são bem claras para m im , m as você... Você poderia estar lá em cim a, com sua fam ília, correndo m enos riscos do que nós. Poderia não tê-los seguido até aqui. Você ainda pode voltar se quiser, Hassam pode levá-lo.
– Você faz a oferta sabendo que vou recusar – Leon responde, com um quase sorriso no rosto. – Não, Idris, você sabe por que estou aqui. Não preciso explicar.
– Quando você ficou tão presunçoso? – Andrei sussurra com o canto da boca, baixo o suficiente para que só eu e Leon ouçam os. Leon abaixa a cabeça, um pouco envergonhado.
– Eu sei? – diverte-se. – Por que você acha que eu sei?
– Você deixaria Maritza, Cléo ou Clarisse se m eterem em algo sozinhas, sem sua aj uda? – elabora. – Você deixaria que algum dos seus m em bros saísse daqui sem que você fizesse tudo para garantir que eles ficassem bem ?
– Continue. – Idris faz um gesto com a m ão que é desperdiçado, pois Leon não o vê.
– Estou aqui porque é o certo a fazer. Por lealdade. Não porque eu ache que Andrei e Sy bil não são capazes, m as porque quero estar aqui para apoiá-los quando eles precisarem . Já com eti o erro de não fazer isso antes, não quero repeti-lo. – Sinto sua m ão apertar ainda m ais m eu om bro e abaixo a cabeça, pensando em com o nossos m otivos são tão diferentes.
– Você trabalhará com Maritza – Idris declara assim que ele term ina de falar. – Ela te orientará quanto ao que fazer e tirará qualquer dúvida que tiver.
– Andrei é da m inha equipe – Clarisse diz, e percebo que isso foi algum tipo de teste para saber onde iríam os ficar. Andrei olha para m im e para Clarisse, parecendo ansioso. – Eu conversei com Charles quando chegaram e ele m e disse que o garoto é esperto e criativo, além de ser bom em biologia. É um ótim o candidato para m e aj udar.
– E quanto a m im ? – Sofia se pronuncia. Ela estava tão quieta que eu quase havia esquecido que estava ali. – Posso aj udar tam bém , eu vim do Im pério. Eu era um a cobaia.
– Eu... – Vovó franze a testa, com o se não estivesse esperando um a voluntária. – Você gostaria de nos aj udar? Seria ótim o se pudesse, m as não se sinta obrigada.
– Não sei m uita coisa, m as eu aprendo fácil – ela responde, e isso arranca um sorriso de vovó.
– Então você será bem -vinda.
– Tudo bem . O que nos deixa com Sy bil. – Idris m e analisa. – Se eu a tirar de Cléo, nunca vou parar de ouvir as reclam ações. Mas ela seria interessante para o m eu plano... hum .
– Qual é seu plano? – pergunto, abruptam ente, e Idris arqueia as sobrancelhas.
– Por enquanto, quero que você treine com Cléo e faça o que ela pedir, m as observe todos os detalhes – aconselha, um pouco m ais baixo. – Vai ser im portante para sua educação.
Exatam ente nesse m om ento, as portas do refeitório se abrem com um estrondo, e Abena entra com o um furacão, e seu cabelo balança conform e ela se aproxim a de nós. Em seu punho, consigo ver um papel am assado, e sua irritação tam bém é aparente. Ela nem sequer se deu ao trabalho de tirar os fones de ouvido pesados que usa para m onitorar os rádios, e ele pende de seu pescoço com o um colar.
– Idris! – exclam a. – Nós acabam os de receber essa m ensagem de Pandora. Você precisa ver isso.
Antes que ela term ine a frase, Idris atravessa o côm odo e pega o papel de suas m ãos; suas feições passam de relaxadas para tensas em um segundo. Ouço um xingam ento baixinho e ela vai até Maritza ansiosa. A tem peratura do am biente com eça a baixar e fico confusa, até perceber que o frio vem de Idris.
– O que aconteceu? – Charles pergunta, tenso, com o se j á soubesse a resposta.
– Fenrir acabou de declarar os anôm alos independentes da União – Idris fala, am assando o papel com força.