A retomada da União
Capítulo 28
Hannah é a que m ais se debate enquanto tentam nos tirar dos túneis, e posso ver as lágrim as em seus olhos enquanto dá cabeçadas a torto e a direito. Victor tem um hem atom a im enso em um a das bochechas, m as cam inha com os om bros pesados, com o se fosse um prisioneiro a cam inho da forca. Me recuso a abaixar a cabeça, cam inhando ao lado do professor Z com um a postura orgulhosa enquanto ele m e puxa. Cléo é um a atriz m uito boa, porque quando um dos garotos dá um a coronhada em Hannah, ela se exalta a ponto de precisar levar um m ata-leão que a deixa desacordada.
O sol está nascendo quando o grupo nos leva da estação de m etrô vazia até o prédio da prefeitura. Sinto m eu coração afundar no peito quando vej o com o Pandora está: as tendas dos anôm alos que tinham sido rem ovidos para cá deram lugar a tendas cobertas com panos am arelos e, m ais à frente, há um a trincheira feita com pedaços de m etal retorcidos que tenho certeza de que um dia foram os postes de luz ornam entados do centro da cidade. O fedor de lixo, de suor e de fum aça m e faz engasgar. Lem bro da últim a vez que estive aqui, dos hum anos que foram queim ados vivos e sinto náuseas.
As portas da prefeitura são abertas por dois garotos não m uito m ais velhos que Tom ás, e o hall principal está cheio, com adultos e adolescentes igualm ente, todos m ais ocupados em lim par e alinhar arm as e m unições do que prestar atenção em nós. O plano de Idris parece risível quando vej o essa quantidade de pessoas disposta a aj udar e a quantidade de m unição que têm . Nós podem os ter poder de fogo, m as não é nada com parado ao que vej o aqui.
Professor Z m e guia até o fundo do prédio, onde um conj unto de escadas leva ao andar de cim a. Olho para trás, esperando que o garoto levando Hannah estej a nos seguindo, m as vej o que m udou de direção.
– Para onde vocês estão levando ela? – É a prim eira coisa que falo desde que chegam os, fincando os calcanhares no chão.
– Não te interessa – professor Z fala rispidam ente, m e em purrando para que eu prossiga. Coloco peso contra sua m ão, m e recusando a m e m over. – Você pode colaborar ou eu posso te obrigar, você escolhe.
– Se algum a coisa acontecer com ela... – am eaço, e ele solta um a gargalhada.
– O que você vai fazer? Fugir só para ser encurralada daqui a dez m etros? – ele zom ba e eu chuto sua canela, fazendo-o sacudir m inhas m ãos am arradas. Fecho os olhos quando sinto um a pontada no pulso m achucado. – Se com porte.
Mesm o assim , luto por todo o cam inho até a sala do prefeito, onde Fenrir está. Victor só nos observa, em silêncio, e tenho vontade de sacudi-lo e m andar que faça algo! Quando chegam os na frente da porta, coloco todo o m eu peso contra professor Z e ele tem um trabalho im enso para poder m e em purrar e m e obrigar a entrar.
A prim eira coisa que percebo é a flâm ula im ensa com o rosto de Fenrir no fundo da sala. Logo abaixo dela, ele está sentado atrás de um a m esa escura, olhando para o lado, exatam ente com o a im agem na bandeira, e m inha reação é gargalhar. Só falta um a foto sua na m esa, exatam ente na m esm a pose, para fechar a cena. Felícia está sentada em um sofá no centro da sala e parece intrigada pela m inha reação, m as professor Z está nervoso e m anda, sem sucesso, que eu cale a boca.
Fenrir se levanta, com seu sorriso afiado de tubarão, e eu o encaro, m inhas gargalhadas se transform ando em um sorriso de desafio. Estou m orrendo de m edo por dentro, m as não desvio o olhar nem quando ele para à m inha frente, seus olhos m ostrando que um sorriso é a últim a coisa que quer estam pado no m eu rosto.
– Confesso que te subestim ei – ele fala, seu tom cortante com o gelo. Levanto m ais o queixo, controlando o quanto estou assustada por estar aqui, encarando-o depois de tanto tem po. – Achei que você ia ser só um a pecinha no m eu j ogo, só um a form a de chantagear seu pai. Mais um a m ártir da m inha causa. Você foi um a ótim a coadj uvante, com o episódio dos policiais hum anos destruindo sua m ão, coitadinha. A triste história da m enina que veio de Kali, sobrevivente de um trágico naufrágio, só para m orrer na explosão... Mas eu não esperava que você fosse ser um a pedra no m eu sapato.
– Tam bém é um prazer te rever, Fenrir. – Minha voz sai m ais firm e do que espero, e o sarcasm o está no ponto certo. – Sabe, confesso que achei que você era m ais inteligente. Não sabe a dificuldade que seus capangas tiveram para m e pegar.
Ele se aproxim a e segura m eu queixo e, quando tento m e desvencilhar, ele aperta m inhas bochechas com seus dedos gelados. Sua m ão é im ensa e tenho certeza de que, se quiser, consegue quebrar m eu nariz com um gesto. Tento soltar m inhas m ãos, m as a corda está m uito apertada e não posso fazer nada.
– Você era m ais bem -com portada antes de morrer. A propósito, bom truque. Eu não m e preocupei em te calar porque achei que você estava com seu pai e aquela traidora da m inha cunhada em baixo da terra. Foi um bom espetáculo, não foi? – Seu sorriso é sádico. – Sua fam ília está aqui, eles são adoráveis. É tocante com o Rubi protege Dim itri, m esm o não sendo irm ãos de sangue. É um a devoção inacreditável.
– Você está m entindo – digo, entredentes, e Fenrir gargalha.
– Quando você vai aprender que não m into nunca, Sy bil? Não sobre o que é divertido.
Aproveito a proxim idade para cuspir em sua cara, acertando-o bem no olho e ele m e solta com um a expressão de noj o, pegando um lenço de seda am arelo do bolso do terno para se lim par. Me surpreendo quando ele m e j oga no chão com um tapa na cara, e sinto o gosto de sangue dentro na boca. Ouço Felícia rir e m e encolho, tentando m e afastar de Fenrir. Mas ele m e coloca em pé com o se eu fosse um a boneca de pano, seus olhos irados. Nunca m e senti tão hum ilhada na vida.
– A próxim a vez que fizer isso, será a últim a que fará qualquer coisa na sua vida – ele am eaça.
– Quer que eu a deixe com portada? – Felícia pergunta, e sinto um calafrio quando vej o com o está perto de m im , com os braços cruzados e um a expressão im passível.
– Não! – Victor exclam a de onde está e ela levanta o rosto, um sorriso dem oníaco se form ando nos lábios. – Não, Felícia. Eu voltei. Estou aqui. Não faça nada com ela.
– Sem pre soube que você iria voltar. – Seu tom é am oroso e sinto noj o. – Venha cá, Sy bil. Não vai doer nada.
Me debato e tento m e afastar, m as a m enina segura com força nos m eus braços am arrados, afundando as unhas na m inha pele. Desvio o olhar, torcendo para que o poder dela não tenha efeito sobre m im . Ela se aproxim a e sussurra no m eu ouvido:
– Calm a, Sy bil. Calm inha. Você vai ficar m uito feliz em m e obedecer.
Aos poucos sinto m eu corpo relaxar e fico com um a sensação parecida com o quando vej o Andrei depois de m uito tem po. A dor do m eu pulso parece algo distante, assim com o todas as preocupações. Por que eu não a obedeceria? Fenrir está irritado o suficiente para m e m atar se quiser, e Felícia parece a m elhor saída para que eu fique viva no final. Ela com certeza não faria nada de ruim para m im , que nunca fiz nada contra ela. Parece um a boa lógica, e eu agradeço quando solta m eus pulsos, ficando em pé no centro do salão.
– Sy bil! – Ouço Victor falar e não entendo por que ele está tão alterado. Felícia se aproxim a e ele se encolhe, se contorcendo, e não faz nenhum sentido para m im . Felícia é tão boa, nunca faria nada de ruim para ele.
– Me conte onde fica o esconderij o de Idris – Felícia pede e eu a encaro, confusa. Por que ela quer saber isso? Não está dentro do acordo, não. Ela insiste: – Sy bil, m e conte.
Balanço a cabeça, m e recusando a abrir a boca. Se eu contar, isso, com certeza o destino de todo m undo da fortaleza será a m orte. Idris, Sofia, vovó Clarisse e Andrei. Eu não posso entregá-los assim , de m ão beij ada. Felícia insiste m ais algum as vezes, m as sou irredutível e, de repente, eu entendo. Entendo por que Victor estava tão desesperado.
Sinto um a dor profunda na base da m inha nuca, a pior dor de cabeça que j á tive. Minha visão fica turva e a respiração se acelera, a dor com o um a facada na base do m eu crânio. Pisco várias vezes, m as parece que o m undo foi coberto por um a aura de luz e não consigo m e controlar direito. O que essa psicopata fez com igo?
– Túneis – digo sem querer, m ordendo os lábios para não falar m ais nada. Eu a encaro com ódio do m eio da m inha dor e ela parece intrigada, com o se eu fosse um brinquedo quebrado.
– Não vai funcionar – Fenrir diz, irritado. – Não funcionou com nenhum deles. O que aquela criatura faz com vocês para serem assim ?
– Não fale de Idris desse j eito – retruco, e ele parece exasperado, olhando para Felícia com o se ela devesse fazer algum a coisa.
– Nós vam os levá-la para a cela – Felícia diz, e Fenrir parece frustrado, m as não discute. – Sy bil, não precisa m ais m e contar nada, m as m e siga. Victor, m e espere aqui com o um bom garoto.
Abro a boca m ais um a vez, para testar, e nenhum a palavra indesej ada sai. Olho para Victor, que faz um sinal para que eu siga Felícia, antes de se sentar em um a das cadeiras, resignado. Ele tem um pouco de razão, porque fora da vista dos dois é m ais fácil bolar algum plano. Ainda estou com m inha m ochila e espero que nenhum deles ache que ela apresenta algum tipo de risco. Felícia vai na frente, e professor Z, que bateu o seu recorde pessoal de ficar calado, está atrás de m im , sem dar um pio. Tenho certeza de que m orre de m edo dela.
O cam inho que fazem os é bem direto: para fora, subindo m ais um andar, virando à direita. Param os em frente a últim a porta do corredor e professor Z desam arra m inhas m ãos, certo de que não reagirei. E, m esm o assim , não sinto vontade algum a de fugir. Felícia abre a sala e o fedor de urina e sangue seco m e engalfinham , m e fazem engasgar. O hom em que a acom panha puxa a m ochila das m inhas costas com brutalidade e a abre, virando todo o seu conteúdo no chão, os diários da m inha m ãe biológica desabando com um ruído seco.
– Não faça isso! – exclam o e m e abaixo para pegá-los, m as Z afasta m inha m ão com o seu pé. Meu reflexo é m e encolher, a m em ória do soldado pisando em m im ainda é fresca dem ais.
– Acha que vam os deixar você ficar com tudo isso? – desdenha e se abaixa, pegando um deles. Quando o abre, duas fotos caem no chão, e sou m ais rápida que ele para pegá-las. – O que é isso? Você veio para um a m issão e trouxe seu diário?
– Me devolva! – exij o e m e levanto, segurando as fotos contra o peito. – Você pode pegar todo o resto, m as isso não.
– Devolva para ela – Felícia ordena e Z fica im ediatam ente tenso. – Verifique se não há m ais nenhum a arm a na m ochila, coloque os diários dentro e devolva. O que você acha que ela vai fazer com eles? Um a bom ba?
Professor Z obedece com rancor, praticam ente descosturando os bolsos de fora da m ochila na tentativa de achar m ais algum a arm a. Depois, coloca os diários um a um dentro dela e m e entrega. Eu agarro a bolsa, sentindo um a onda de gratidão im ensa por Felícia. Tento não desviar os olhos para onde Hannah pediu que eu escondesse a faca em m inha bota, esperando que não pensem em m e revistar com m ais afinco. Mas Z parece irritado dem ais por Felícia ter cortado a sua onda e observa, carrancudo, enquanto a garota segura m eu braço com força e sussurra:
– Fique aqui dentro e não saia.
Tento lutar enquanto a sensação de prazer m e encurrala e m e faz acreditar que ficar esperando nessa sala é a m elhor opção, que ouvir Felícia é bom , porque ela está m e aj udando. Sento-m e em um canto do chão, cruzando as pernas enquanto a observo sair e trancar a porta. É com o se tivesse um a batalha dentro de m im : a parte sensata, que sabe que isso é errado e vai m e custar m uito caro, e a parte que só quer aproveitar a sensação de alívio, que faz raciocínios que parecem bons o suficiente para m e convencer a obedecer. Me sinto leve, e quando vej o quem está na sala com igo, as gargalhadas surgem do nada.
O cônsul está sentado, am arrado na cadeira com o um porco assado, e está am ordaçado, fedendo m ais do que qualquer outra coisa do côm odo. Ele m e encara com um a expressão tão intensa quanto a de Fenrir, m as isso só m e faz rir m ais alto. É por isso que ele não reagiu! Ele está aqui o tem po todo, com o prisioneiro. Qual diferença faz todo o plano de Idris se no final Fenrir sem pre está um passo à frente?
De um dos cantos, Áquila, o filho de Fenrir, levanta o rosto e vej o que está num estado pior que o m eu: seu supercílio está aberto e há um roxo im enso em sua bochecha, com as laterais um pouco verdes, m ostrando que o hem atom a não é recente. Minhas risadas ficam ainda m ais altas e m inha barriga dói, porque é engraçado dem ais pensar que há algum a chance de escapar quando Fenrir havia aprisionado o próprio filho.
Ainda rindo, sinto a m ão no m eu om bro e m e viro Rubi m e encara com um a expressão preocupada. Me parece hilário que Fenrir soubesse que estou viva e tivesse tom ado seu tem po para cum prir a prom essa de que iria fazer m al para m inha fam ília se eu não o obedecesse. Sou im becil por ter achado, em algum m om ento, que as intenções dele eram boas e que talvez aj udá-lo fosse o m elhor para os anôm alos.
– Sy bil, Sy bil. Olhe para m im ! – Rubi tenta m e fazer focar em seu rosto e eu respiro fundo algum as vezes para tentar m e livrar das risadas. A m ulher parece preocupada, o cabelo ruivo cortado na altura do seu queixo, com pletam ente diferente de com o a deixei. Ela parece m ais m agra e sua expressão é assustada. – Sy bil?
– Estou aqui. Eu estou bem – digo, respirando fundo e fechando os olhos. – Eu estou aqui.
– Ainda bem . – Ela suspira, aliviada, antes de m e envolver em seus braços e m e apertar com força contra si, um gesto que m e lem bra de vovó Clarisse. – Você está realm ente viva!
Afundo-m e em seus braços e tento voltar para a realidade, piscando algum as vezes. Estam os em um a sala sem j anelas, que tem só um balde com um cheiro horrível, que suponho ser onde devem os fazer nossas necessidades. A única saída é a porta trancada. Apesar de estarm os todos soltos aqui dentro, não há m uito que possam os fazer para escapar e preciso cobrir m inha boca para não ter outra crise de riso.
– Sy bil? – Ela passa a m ão pelas m inhas costas, tentando m e acalm ar.
– Me desculpe – falo, apertando m eus olhos com as m ãos. – Tam bém ... m e desculpe por ter fingido que m orri.
– Quando Andrei nos contou, nós... não acreditam os. Mas eu entendo... eu entendi. – Ela fecha os olhos, m assageando as têm poras. Tirando o cabelo cortado e a expressão de cansaço, ela parece ser a pessoa m ais inteira da sala, com nenhum ferim ento visível. – Um a sem ana atrás, Brian bateu na nossa porta e, quando vi, aqueles m oleques que são o exército anômalo haviam nos cercado, querendo saber onde você estava. Com o a resposta não foi do agrado deles, eles nos trouxeram para cá.
– Onde está Dim itri?
– Eles nos dividiram . Nós causam os m uitos problem as j untos. – Consigo sentir a dor em sua voz. – Tom ás ficou com as outras m ulheres na casa.
– Pelo m enos isso – sussurro e m e viro para Áquila. – E você? O que faz aqui?
– Fenrir não quer ninguém em seu cam inho – ele responde, sua voz am arga. Se levanta com aj uda da parede, o cabelo caindo sobre seus olhos. – “Ninguém ” inclui, aparentem ente, seu próprio filho. Ele está louco.
– Mas ele faria isso de qualquer form a – respondo, levantando o queixo para observá-lo m elhor.
– Não sem m im – ele rebate, travando a m andíbula. – Não desse j eito. O que esse idiota está fazendo aqui?
Áquila aponta com o seu queixo pontudo para o cônsul enquanto aproxim a de nós apoiando a m ão no tórax. Xingo baixinho quando percebo que provavelm ente está com um a costela quebrada, e é por isso que parece sentir tanta dor. Rubi se levanta para aj udá-lo e ele aceita, se abaixando ao m eu lado.
– Sua tia nos disse o que você pode fazer, então pode nos tirar daqui – Áquila exige, com um a expressão am eaçadora parecida com a do pai. Eu m e afasto, com m edo de tocá-lo. Já basta Felícia m e controlar, não preciso de Áquila tam bém .
– Do que ele está falando? – Rubi pergunta, confusa.
Tento ignorar a irritação que sinto quando m e lem bro de Cléo enquanto explico para Rubi um a versão reduzida do que aconteceu desde que os deixei, no dia do com ício. Solto m inha m ochila e entrego um dos diários para Rubi, que o segura e fecha os olhos. Sob suas pálpebras, percebo seus olhos se m ovendo rapidam ente, com o se estivesse vendo várias coisas ao m esm o tem po e m e assusto, m e lem brando só depois da anom alia que ela tem , a de sentir e ver cenas do passado. Quando ela solta o livro, tem lágrim as nos olhos e balança a cabeça, sem palavras.
Áquila se m antém em silêncio, m as com um a expressão im paciente que m e dá vontade de socá-lo. Se j á não estivesse tão m achucado... Quando penso nisso, levo a m ão ao m eu lábio, que está coberto de sangue seco e sinto raiva do que Fenrir fez. Será que ele tam bém bateu em Áquila? Deve ser a pior coisa do m undo apanhar do próprio pai.
– Dim itri é seu tio? – ela pergunta, por fim , surpresa. – O Alm irante, ele... Hom em tolo.
– Eu colocaria isso em sua lápide – Áquila diz. – Aqui j az Alexander Klaus, o hom em m ais tolo do universo.
– Cale a boca! – explodo. – Você não tem direito de falar nada sobre ele sendo filho de quem é.
– Achei que você não o aceitava com o pai. – Fico im pressionada em com o, m esm o no estado em que está, ele ainda consegue ser m aldoso.
– Quem é você para saber o que se passa em m inha m ente? – respondo, m e levantando. – Foi Cléo que te disse isso tam bém ?
– Ela falou isso e m uito m ais. Com o vai Andrei? – ele pergunta casualm ente. – Parou de ser um bicho do m ato? Fala com as pessoas? Acho que ele vai ficar bem feliz de saber o que m eu pai planej a fazer com Charles. Vai ser um a boa reunião fam iliar.
– Você quer saber? Mesm o se eu conseguir sair daqui, vou te deixar para trás. – Praticam ente cuspo as palavras, cam inhando pelo pequeno côm odo. – Ninguém vai sentir sua falta!
O garoto fica em silêncio, a últim a frase tendo um efeito m aior do que eu esperava. Rubi arrum a os diários em m inha m ochila e se j unta a m im . Acho que vai m e repreender, m as ela só m e encara.
– Você tem algum a ideia de com o nos tirar daqui? – pergunta para m im , e eu nego.
– Mas para onde iríam os? Estam os cercados por aliados de Fenrir. Não conseguiríam os chegar m uito longe – falo baixo, e ela concorda, ficando cabisbaixa. – Nós precisam os descobrir um horário em que ninguém vai perceber que fugim os até estarm os bem longe.
– Tem um a opção m elhor – Áquila fala, sem olhar para nós. – Meu pai com certeza vai para o Senado durante a Cúpula Máxim a e levará o cônsul com ele. Se conseguirm os convencê-lo a nos levar tam bém , podem os escapar.
– Você tem algum a sugestão? – pergunto com desdém , e o filho de Fenrir não responde por alguns segundos antes de nos fitar com o canto dos olhos.
– Ele vai querer plateia de qualquer form a, só tem os que ter certeza de que nós serem os os escolhidos para isso – diz, por fim . – Desafie ele e estará lá com certeza.
Pondero por alguns instantes. Áquila estar aqui pode ser m ais algum tipo de arm adilha, m ais um a parte no plano de Fenrir, m as o garoto parece tão frustrado que não deve ser o caso. Além disso, faz sentido: Fenrir quer plateia. Ele vai querer se gabar para alguém sobre com o o plano que fez está dando certo e, sem o próprio filho por perto, alguém precisa tom ar seu lugar. Eu só preciso garantir que ele nos leve, e torcer para term os um a abertura para conseguirm os fugir.