A retomada da União

Bárbara Morais · Capítulo 27 de 39

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A retomada da União

Capítulo 27

 

Estou treinando com Cléo no dia seguinte, um circuito de corrida com obstáculos que é praticam ente im possível de vencer, quando Idris aparece. Eu paro o que estou fazendo para observá-las, e Cléo estala os dedos, m e m andando voltar ao trabalho. Elas conversam por m uito tem po, sentadas em um dos cantos, e a voz grave de Idris ressoa no côm odo, m as não consigo discernir nenhum a palavra do que diz. Quando se levanta para sair, para no m eio da sala e m e observa com um sorriso.

– Tenho boas notícias para você – diz e eu m e atrapalho, tropeçando em um dos estrados de m adeira que tenho de pular.

– Teve notícias de Leon e Maritza? – pergunto, esperançosa, e Idris abaixa a cabeça, m e dando a resposta que não quero.

– Não é isso. Nós vam os agir – explica e olha para Cléo e para m im , ponderando algo. – Você vai com Cléo, hoj e à noite. Você, Victor e Hannah, e um a unidade à escolha dela.

– O que vam os fazer? – Fico nervosa e m e aproxim o, saltando m ais alguns estrados de m adeira no cam inho. – Vam os atrás deles?

– Vocês vão im pedir que Fenrir atrapalhe nossos planos – Idris explica. – Petra convocou um a Cúpula Máxim a no Senado para j untar todos os senadores e os presidentes das províncias para decidir assuntos de extrem a urgência e relevância nacional. A situação em Prom eteu anda precária, com os avanços de Fenrir e a escassez de com ida. Eles vão resolver isso da form a que querem os. Mas precisam os dar um a m ãozinha para eles: Charles está fazendo um a cam panha para j untar o m aior núm ero de hum anos na frente do Senado durante o evento, para engrossar nosso coro. Pretendem os levantar a m aior m anifestação que a União j á viu para garantir que o cônsul sej a derrubado.

– E nós quatro vam os im pedir que Fenrir se aproveite da situação e vire as coisas a seu favor? – pergunto, descrente.

– Vocês serão uns vinte, Sy bil – Idris fala. – Mais bem treinados do que qualquer pessoa da Aurora. E só precisam garantir que ele não vai deixar Pandora. Cléo tem um plano que soa prom issor.

– Mas e se Maritza estiver certa? – questiono. – O que vão fazer depois?

– Você realm ente acha que Felícia está por trás disso? – Cléo parece descrente. – Nós im pedim os Fenrir, Petra negocia com ele, e aí, m undo novo!

– Parece fácil dem ais. – Olho para Idris, apreensiva.

– Não, não é fácil – ela responde, com um suspiro pesado. – Mas é o m elhor que podem os fazer atualm ente. Se form os para cim a do cônsul sem im pedir Fenrir ou vice-versa, um deles pode nos deter. É essencial garantir que um não atrapalhe nosso sucesso com o outro.

– Tudo bem – dou de om bros.

– Você não parece ter m uita convicção.

– Eu não preciso ter convicção, Idris, eu só preciso que você tenha – explico. – Seu hum or afeta todo m undo e se você não tem certeza de que esse é o m elhor plano, as pessoas tam bém não terão.

– Você acha que não sei disso? – rebate. – Você acha que cheguei até aqui sem saber que m eu com portam ento afeta toda a estrutura dessa organização? Estou te perguntando porque eu e Cléo prezam os sua opinião, Sy bil.

– Por quê? – eu pergunto, curiosa. – Por que algum a de vocês se im porta com o que eu, um a garota de 17 anos, que não sabe nem o que vai com er am anhã, pensa?

As duas parecem constrangidas e olham para todos os lados, m enos para m im . E então, percebo com o fui estúpida, porque a resposta está bem na m inha frente.

– Vocês acham que eu posso substituir m eu pai? – pergunto surpresa, decepcionada, irritada.

– Você está cham ando o Alm irante de pai agora? – Idris pergunta, de form a leve.

– Eu podia cham ar ele do que quisesse e não iria m udar o fato de que, som ados, eu passei quinze m inutos com ele na m inha vida. Quinze! Minutos! – exclam o. – Se vocês duas acham que tenho algum tipo de sabedoria sobrenatural só por com partilhar um a parte do DNA dele estão enganadas.

– Me recuso a ficar aqui e ouvir isso de você! – Cléo se torna verm elha com o um pim então e esconde o rosto, e sei que acertei um dos seus pontos fracos. – Estej a pronta para sair na hora com binada.

A exaustão no rosto de Idris é visível enquanto observa Cléo bater a porta com força. A líder m e olha séria, m e analisando, e sinto um frio estranho no corpo.

– Não pretendia causar esse m al-estar entre você e Cléo. Com o andam os treinos? Ela tem te tratado bem ? Você notou algo diferente?

– Hum , nada fora do norm al – respondo sem saber direito o que seria algo diferente no j eito com que Cléo e eu convivem os. – Por m ais que eu m e esforce, não tenho m uita afinidade com Cléo. Ela quer que eu sej a alguém que não sou, e não m e vej o com o parte da fam ília dela. Tirando nossas anom alias, não som os nada parecidas. Não m e sinto... hum m ... m uito segura com ela.

Idris faz um som ininteligível e leva a m ão ao queixo, seus pensam entos bem longe de onde estam os.

– Ela com entou sobre o ataque que sofreu quando estava voltando para cá?

– Só disse que Reika se m achucou.

– Tudo bem . – Idris pondera por alguns instantes antes de apoiar a m ão em m eu om bro. – Quando sairm os daqui, podem os arrum ar outra pessoa para te treinar. O que acha disso?

– Pode ser – digo, e ela aperta m eu om bro um a vez, com um sorriso gentil.

– Eu... – com eça. – Não posso falar por Cléo, m as eu nunca vi seu pai em você. Estava acostum ada a ter Lupita ao m eu lado o tem po inteiro, m e aj udando, m e m ostrando cam inhos que não consigo ver direito, cham ando m inha atenção quando erro. E... Eu pensei, se eu pude dar m inha filha para aj udar o Alexander, que m al tinha usar você para m e aj udar? Para preencher o espaço que ela deixou quando se foi? Eu sinto m uito.

– Pessoas não são substituíveis. – Minha voz sai estrangulada, m as sinto pesar por sua dor.

– Eu sei. Não deveria ter feito isso.

– Mas obrigada. – Encosto em seu braço num a tentativa de consolá-la. – Por confiar em m im . Por nunca ter m e cobrado m ais do que eu conseguiria fazer. Gostaria que as coisas tivessem sido diferentes e que Lupita pudesse estar com você agora.

– Conto com vocês para que a m orte dela não tenha sido em vão – diz, apertando m eu om bro. – Tom e cuidado.

Eu agradeço e a deixo, procurando Hannah para que ela m e explique o que preciso fazer antes de sairm os. O dia passa com o um borrão enquanto organizo a m ochila, m isturando os poucos pertences pessoais que tenho com algum as arm as que encontro e acho úteis: um a faca, um a caixa de ferram entas, um a bolsa com com postos explosivos que só se ativam quando m isturados, um a arm a de choque. Em seguida, m e m isturo com as outras pessoas que irão conosco. Hannah m anda que eu coloque um a faca extra dentro da bota, e eu obedeço, m as sou claram ente a m ais inútil do grupo. Penso que só estou aqui porque Cléo m e quer por perto, pois não sou tão treinada quanto os outros.

Me despeço de Sofia com um beij o na bochecha e um a prom essa de que nos verem os em breve e vou até o laboratório de vovó Clarisse, m as encontro Andrei no m eio do cam inho, na biblioteca. Seu cabelo está desgrenhado e parece que não dorm iu m ais de m eia hora de ontem para hoj e. É a prim eira vez que o vej o desde que Lisandra m orreu e ele parece aliviado quando m e vê, m e envolvendo em seus braços.

– Por um m inuto achei que você j á tinha saído – ele m urm ura no m eu cabelo. – Só nos avisaram agora.

– Eu não iria sem falar com você antes – digo, m e afastando. – Vocês ainda não saíram do laboratório?

– Clarisse quer tentar descobrir o que aconteceu o m ais rápido possível, aproveitando a últim a am ostra de sangue de Lisandra. Ela acha... – Ele hesita, olhando para os lados e m e puxando para entre duas estantes. – Ela acha que não tem com o reverter, que todos os que foram curados vão m orrer da m esm a form a que Lisandra. Está tentando ir por esse lado para pelo m enos passar um a proibição das pesquisas no Senado.

– Quer dizer que todos eles vão m orrer? – Sinto um frio no estôm ago. – Todos?

– Não tem com o ter certeza de nada ainda – ele sussurra e beij a m inha testa. – Não vam os sair daqui enquanto não conseguirm os algo concreto, isso eu te garanto.

– Você está ficando cada vez m elhor nesse negócio de ver o lado positivo das coisas, hein? – brinco e ele sorri. – Queria que estivéssem os todos j untos, eu, você e Leon. Sinto que som os m elhores assim . Você podia vir com igo, posso falar com Cléo...

– Sy bil... – Consigo ouvir a negativa em sua voz e suspiro, resignada.

– Acho que o problem a é que tem tantos pedaços do m eu coração espalhados por aí... e eu não queria enfrentar isso sem o m aior deles. – Seguro sua m ão e beij o a palm a, abaixando-a até o m eu peito.

– Se você quiser, pode levar um pedaço do m eu para te aj udar. Depois a gente troca – ele diz com hum or, se abaixando e encostando os lábios nos m eus no beij o m ais gentil, m ais doce, m ais frágil que j á recebi na vida. Eu o puxo m ais para perto e ele m e abraça pela cintura, toda a ternura que ele sente óbvia em cada um dos seus m ovim entos. Ele m e solta e encosta o queixo na m inha cabeça e eu levo m inhas m ãos ao seu peito, sentindo seu coração acelerado sob m eus dedos.

– Eu preciso ir. Nos vem os depois? – digo, por fim . – Fala para vovó Clarisse que am o ela e espero vê-la em breve.

– Tudo bem – ele concorda, m as não m e solta. – Espera só um pouquinho.

– O que foi?

– Shh, só um pouquinho – pede e eu o abraço por dentro do j aleco, sentindo o calor da sua pele. Ele m e aperta m ais contra si e, depois de quase um m inuto, diz: – Pronto.

– O que foi isso?

– Eu estava vendo se conseguia pegar um pouco da sua coragem . Funcionou. Espero que não faça falta pra você. – Ele m e dá um selinho e precisa m e em purrar para eu sair da biblioteca. Olho para ele m ais um a vez, com as m ãos enfiadas no j aleco, e ele dá um sorriso. – Quando você vir Fenrir, dê um a porrada na cara dele por m im . Com um a cadeira. Várias vezes.

Não consigo evitar sorrir enquanto cam inho em direção à garagem , m esm o que m eu coração estej a disparado de ansiedade. Sou a últim a a chegar e fico parada ao lado de Hannah e Victor enquanto ouvim os a explicação de Cléo sobre o que vam os fazer. A ideia é nos separarm os, um grupo indo pelo cam inho usual nos túneis e o outro, pela rota m ais longa. Além disso, só sabem os que devem os nos m isturar com os habitantes de Pandora e nos encontrarm os no prédio da prefeitura ao anoitecer do segundo dia, que será quando Idris sairá daqui. Até lá, precisam os tentar j untar a m aior quantidade de inform ações sobre a defesa e o funcionam ento da cidade.

Parece um bom plano e fico otim ista quando entram os na escuridão do túnel. Estam os em um carro aberto com o o que m e trouxe para cá, e em um a das pontas, com Victor inquieto ao m eu lado, sua aflição contagiosa. Meu coração m artela no peito e não sei o que esperar dessa viagem . Faz m enos de um m ês que deixei Pandora, m as acho que ela não estará igual. Nós não pegam os o m esm o cam inho que usam os para chegar até a fortaleza; deixam os que o outro grupo, num carro m ais robusto, siga por ele. Hannah parece im paciente depois de um tem po, e sussurra para Victor:

– Você j á sabe o que vai fazer quando encontrar Felícia?

– Não. – Ele parece nervoso. – Mas não deixem que ela encoste em ninguém .

– Certo, am arrar Felícia assim que a vir. – Hannah tom a nota m ental. – Mais algum a dica?

Ele com eça a falar, m as desiste rapidam ente, negando. Eu com eço a m exer na bandagem do m eu pulso, arrum ando-a para que não haj a nenhum perigo de se soltar, enquanto Hannah faz m ais algum as perguntas para o garoto, que responde de form a m onossilábica. Não estou prestando atenção em nada específico quando vej o um a luz no teto do túnel m ais à frente, com o se estivesse refletida num espelho, e pisco algum as vezes para garantir que não estou ficando louca antes de gritar:

– Cuidado!

Cléo pisa no freio de um a vez, lançando todos nós para frente. Me seguro no banco com força e Victor estica seus braços para segurar a m im e a Hannah, em um reflexo. Minha testa bate nas costas do assento da frente e fico atordoada com as luzes intensas que nos ilum inam , m as o clique da arm a m e deixa quase im ediatam ente alerta. Percebo que estam os encurralados antes dos outros e, quando levanto o braço para proteger m inha vista, consigo identificar um a das pessoas vestidas de am arelo e preciso m e conter para não gritar.

– Olha só quem está aqui. – Professor Z se aproxim a de m im , com as m ãos nos bolsos e um a postura casual. – Que coincidência engraçada! Eu tinha certeza de que você estava m orta.

Toda resistência é inútil, porque se som os dez pessoas no carro, eles são o triplo. Quando m eus olhos se acostum am , vej o j ovens vestidos de am arelo nos cercando por todos os lados, com as arm as m ais estranhas que j á vi, e sinto um arrepio quando lem bro que são exatam ente com o as do arsenal de Fenrir, em seu castelo. Professor Z m e puxa para fora e eu m e debato, m as ele é m aior e m ais forte, e a prim eira coisa que faz é colocar um a arm a na m inha cabeça. Cléo levanta as m ãos de onde está, na cabine de m otorista, e um dos garotos berra para que larguem os todas as arm as. As pessoas hesitam , m as professor Z dá um tiro para o alto, arrancando gritos e um a rendição fácil.

Sinto vontade de chorar enquanto professor Z praticam ente m e arrasta até seu veículo: um quadriciclo estranho que parece capaz de passar por cim a de qualquer coisa. Ele m e j oga de qualquer j eito no assento e bato as costas no retrovisor, m e encolhendo com a dor. Professor Z se vira para os dem ais, sua coordenação m otora boa o suficiente para que a m ão que segura a arm a em m inha direção nem sequer trem a. Analiso a situação: se eu conseguir fugir dele, para onde vou? Com o vou fugir de tantas pessoas?

– Salvem a m otorista, o garoto esquisito e a garota cham ada Hannah. Podem m atar todos os outros – ele ordena.

– Não! – eu berro e ele olha para m im com um sorriso divertido.

– Não o quê? – pergunta. – Eu devo m atar todos? Você quer ver?

– Você pode levá-los com você. Ninguém precisa m orrer – barganho, m e sentindo gelada, e ele dá um a gargalhada.

– Todos eles j á estão m ortos, Sy bil. Estam os só resolvendo a questão logística da coisa – ele fala e m e encolho quando ouço o prim eiro tiro e os sons de luta que se seguem . – O quê? Você disse algum a coisa?

Sinto o sangue rugir nos m eus ouvidos enquanto olho ao redor, percebendo que existem outros três quadriciclos com o o que estou e, atrás de nós, não há ninguém , nenhum tipo de vigia. Um plano se form a em m inha m ente e percebo algo. A postura de com ando de professor Z e a form a com o todos parecem obedecê-lo cegam ente, sem sequer questionar, deixam óbvio que ele é o líder da Aurora. É por isso que tantas pessoas da m inha escola estavam fazendo parte, é por isso que tantos adolescentes se j untaram sem m uita dificuldade.

– É você, não é? – pergunto e ele parece ligeiram ente surpreso. – Você m anda em todos eles, você com eçou a Aurora. Deve ser patético dem ais ser um adulto e só ter m oral com um m onte de adolescentes em quem você fez lavagem cerebral.

– Cale a boca! – Ele parece irritado com m inha provocação e pressiona a arm a contra m inhas têm poras. – Se falar m ais um a palavra, eu atiro.

– Mas você não pode m e m atar – blefo, escondendo o quanto estou trem endo. – Fenrir m e quer viva, para poder m e punir. Não é?

– Você quer testar?

– Vá em frente – provoco, considerando a inteligência da m inha m ania de enfrentar arm as dessa form a. O dedo do professor Z vai para o gatilho, m as não se m ove. Ficam os assim por alguns segundos antes dele abaixá-la. – Agora, pare de m atá-los.

Eu prevej o o m ovim ento que faz antes que aconteça, e consigo m e desviar, escapando por um triz da coronhada que deveria m e acertar. Ele parece surpreso e aproveito para correr abaixada, agradecendo m entalm ente pelos últim os dias de treino com Cléo que m e fizeram ficar um pouco m ais ágil. Quando ouço os tiros em m inha direção, m e j ogo atrás das rodas do veículo. A m ochila nas m inhas costas am ortece a queda.

– Não atirem ! – professor Z berra e agradeço m entalm ente pelo orgulho im enso de Fenrir e o m edo que ele exerce nos outros. Pelo m enos por enquanto é isso que m e m antém viva. – Mas não a deixem escapar! É um a garota de um m etro e m eio, seus incom petentes!

– Fenrir te avisou para am arrá-la! – Ouço um dos garotos retrucar.

– E vocês não fizeram isso por quê? – professor Z berra de volta.

Aproveito o tem po que perdem e rolo em baixo do veículo, depois m e agacho do lado oposto ao que estão. O painel de controle é algo louco e m e sinto burra por não ter considerado que poderia ser acionado com chaves que não estão aqui. Espero que, pelo m enos, a distração sej a suficiente para que os outros fuj am enquanto penso em um a alternativa. Puxo a faca da m inha m ochila, ciente de que ela não terá efeito nenhum se decidirem atirar em m im , e procuro o tanque de com bustível. Se não posso usar para fugir, pelo m enos posso m andar tudo pelos ares.

Ouço passos se aproxim ando e levanto a faca. Abaixo a guarda quando vej o que é Cléo. Estou aliviada por ela estar aqui tam bém e m e aproxim o, esperando que tenha algum plano.

– Onde estão os outros? Estão todos bem ? – pergunto num sussurro, e Cléo dá um sorriso, desviando os olhos de m im .

– Eu sinto m uito por isso – ela fala e, antes que possa fazer algo, m eu pulso enfaixado está entre seus dedos, sendo esm agado.

Minha vista escurece e fico zonza, e ela torce m eu braço de form a não-natural, aum entando a dor, até m e deixar im obilizada contra o chão. Ela am arra m eus pulsos nas costas com um a corda apertada, j oga m inha faca para longe e não consigo entender o que está acontecendo até que as botas de professor Z param na m inha frente e ele encara m inha tia com um sorriso satisfeito.

– Eu sabia que você seria útil para algum a coisa – ele diz e Cléo cospe na direção dele, com escárnio.

Fico em silêncio enquanto vej o Cléo se deixar ser am arrada por professor Z, sentindo o ódio queim ar dentro de m im . Vários nom es m e vêm à m ente, m as m ordo os lábios, sem querer dar essa satisfação a eles. Meu pulso está latej ando sob a corda, m as pelo m enos ainda tenho m inha m ochila. Se eu conseguir chegar até Pandora, posso m e soltar. É isso que repito m entalm ente enquanto professor Z m e levanta e m e arrasta até o quadriciclo, chutando m eus pés quando m e recuso a m over.

E, quando eu m e soltar, eles vão se arrepender de não terem m e m atado quando puderam .