A retomada da União

Bárbara Morais · Capítulo 36 de 39

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A retomada da União

Capítulo 36

 

Não estou nem perto de m e acalm ar quando entro na procissão de m acas e prisioneiros, seguida pelos agentes de preto que nos leva para o lado de fora do Senado. Meus dedos estão entrelaçados aos de vovó Clarisse enquanto os acom panho, m eus olhos em baçados pelas lágrim as, m eus passos suj ando de verm elho o m árm ore branco do corredor e os degraus das escadas.

Mesm o com a vista em baçada, consigo distinguir algum as im agens das pinturas e esculturas espalhadas pelo salão e as pichações em am arelo que as recobrem . Os senadores estão reunidos aqui, bem com o vários prisioneiros da Aurora, sob a supervisão atenta dos m em bros do Sindicato. Vej o um a loira se deslocar de um grupo de senadores e ir até a m aca de Idris; acho que é Maritza, em bora não consiga distingui-la bem .

Pisco várias vezes e engulo o m edo de que tenha acontecido algo com m eus olhos. Cada parte do m eu corpo latej a de dor, m eu pulso nem parece fazer parte de m im . Porém , sou consum ida por outra preocupação: não sei o que acontecerá a partir de agora. Só conseguim os im pedir Fenrir, não sabem os nem se vão extinguir o bloqueio às Cidades Especiais. Eu deveria estar aliviada porque pelo m enos ninguém m ais será m orto para dar m ais glória a Fenrir, m as só m e sinto anestesiada.

Um rapaz vem diretam ente até Leon quando o vê em um a das m acas e, pelo tam anho e cor do cabelo, sei que é Hassam . Ninguém responde suas perguntas. Vem cam inhar ao m eu lado, e, apesar da preocupação no rosto, não m e faz explicar o que aconteceu.

– Alguém precisa buscar o corpo de Naoki – lem bro, com um gosto am argo na boca. – E... e o de Cléo. Elas estão nos túneis.

Hassam dem ora um pouco para processar a inform ação, m as logo faz um gesto para que alguém se aproxim e e fico um pouco surpresa pois só percebo que é Hannah quando ela está quase em cim a de nós. A garota parece aliviada por m e ver inteira e m e abraça forte. Vovó Clarisse solta m inha m ão para que eu possa retribuir o abraço.

– Você é um a das pessoas m ais loucas que eu j á conheci na vida – ela diz, arrum ando m eu cabelo com um a das m ãos. – Obrigada por nos salvar de Fenrir. Estou feliz que estej a viva.

– De nada. – Minha voz sai trêm ula e sem convicção, e a garota m e aperta contra si.

– Hannah, Cléo e Naoki estão nos túneis. Eu vou segui-los até o hospital, você pode organizar um grupo para ir buscá-las?

– Elas estão feridas? – Hannah pergunta e a preocupação em sua voz m e faz soltá-la e m order a lateral da m ão para não gritar. Ela observa m inha reação atentam ente, vê a expressão no rosto de Hassam e seus om bros se curvam . – Oh.

– Avise Maritza onde estarei, tudo bem ? – Hassam pede e parece hesitar antes de abraçar a irm ã e dar um beij o em sua testa. – Tudo está bem agora, Hannah. Estam os todos a salvo. Ninguém m ais vai se m achucar.

– Eu estou bem – ela responde em um tom agudo, em purrando-o para longe. – Vão em bora logo, o que esse pessoal está esperando para sair?

– Hannah... – cham o, m as ela só dá as costas para nós, selecionando cinco pessoas de um grupo m ais próxim o para segui-la. Hassam a observa im passível, com os braços cruzados.

– Deixem ela – vovó Clarisse fala e percebo que continua aqui, a preocupação visível em seu rosto. Estam os parados no centro do salão, esperando que abram as portas para poderm os sair e ela passa os braços pelo m eu om bro e pelas costas de Hassam , nos puxando contra ela. – Nós estam os esperando as am bulâncias conseguirem se aproxim ar.

Um vulto com o braço preso em um a tipoia passa por nós em direção à Petra, puxando-a para um canto com a m ão funcional em seu cotovelo e sussurrando algo. Mesm o com a visão turva, percebo que a senadora está confusa, olhando para as escadas, a dor visível em sua postura enquanto cam inha até lá. Dois agentes tentam im pedi-la de entrar no plenário e ela levanta as m ãos, em um a postura de que não quer nenhum m al, antes de sua voz ressoar pelo salão:

– O corpo do m eu filho está aí, eu exij o vê-lo.

Ninguém tem coragem de bloqueá-la e a deixam seguir. O olhar de Felícia cruza o m eu, e ela levanta o queixo, com o se tivesse orgulho desse gesto para Victor. Desvio o olhar exatam ente no m om ento em que abrem as pesadas portas de m adeira do Senado, deixando os sons do lado de fora preencherem o salão. O sol está prestes a se pôr e os agentes conseguiram abrir espaço com grades de contenção para que as cinco am bulâncias se aproxim em da porta do Senado. Todo o resto está tom ado por pessoas, e m e surpreendo ao perceber que pouquíssim as estão vestidas de am arelo. Muitos trazem cartazes de “Libertem os Anôm alos” e “Nós tem os FOME”. Não consigo discernir o que gritam , m as vej o exatam ente o m om ento em que Felícia se desvencilha de quem a acom panha e se j oga contra um a das grades, berrando para quem possa ouvir:

– Fenrir im pediu que o cônsul fugisse e foi recom pensado com assassinato! Essa é a form a com que vocês agradecem os anôm alos?!

São necessários três agentes para arrancá-la da grade, m as o estrago está feito. Ao nosso redor, os gritos se acalm am e se transform am em sussurros, conversas baixas que passam a inform ação de Felícia adiante. Sinto m eu coração apertar e m e contenho para não gritar a verdade para eles, dizer que Fenrir pode até ter feito isso, m as quantas pessoas m atou no cam inho? Felícia dá um sorriso triunfante enquanto a escoltam para longe.

Fico tão exausta no m om ento em que m e sentam na am bulância, entre as m acas de Andrei e de Leon, que m e encosto em Vovó Clarisse e durm o, acordando só no hospital local, onde Rubi se j unta a nós. Com o sou a que está em m elhores condições, m e deixam por últim o, e se concentram nos ferim entos m ais urgentes. Nem sequer m e indicam um lugar para tom ar banho, e uso o om bro de Hassam com o travesseiro enquanto não m e cham am .

– Sy bil! – Acordo no que parecem ser segundos depois e sinto os braços m e apertarem antes de identificá-los com o os da m ãe de Leon. – Minha nossa, o que aconteceu com você? Onde está o Lê? E Andrei?

– O-oi, Dona Laura – digo, hesitante, e a abraço de volta. – E-eu não sei.

– Leon entrou em cirurgia trinta m inutos atrás. Rubi está com ele. – Hassam explica, olhando para as próprias m ãos. – Andrei precisou de sedativos e está no quarto, recebendo cuidados.

A m ãe de Leon olha para Hassam , tentando entender quem ele é e qual seu papel nessa história, e m e pergunto o quanto ela sabe. Para ela, Leon estava com o pai de Andrei, seguro, enquanto ela e seu m arido atendiam pacientes ilegalm ente em sua casa.

– Você deve ser o nam orado de Leon – diz, por fim , estendendo a m ão com um sorriso. Hassam parece constrangido, m as não nega quando a cum prim enta. – Eu sou a m ãe dele, Laura. Breno, m eu m arido, deve estar em algum lugar causando confusão para descobrir qual a situação m édica dele.

– Hassam – ele se apresenta, e Laura o puxa para um abraço. Ele fica tenso no início, m as depois relaxa.

– Esperem aqui um m inuto. Se Rubi está com Leon, o m ínim o que posso fazer é dar um j eito para que pelo m enos levem Sy bil para tom ar um banho.

Ela cam inha até a enferm aria, que fica do outro lado de um a parede de vidro, e consigo vê-la gesticulando com vigor até que um a dupla de enferm eiros a segue e m e leva até um a ala com quatro cam as, onde m e dão um conj unto de roupas hospitalares e indicam o banheiro. Gasto quase um a hora para tirar todo e qualquer resquício do sangue do cônsul ou de Fenrir, esfregando o sabonete na m inha pele até ficar ardida. Mas não há sabonete que consiga m e livrar da raiva e do sentim ento de im potência que m e consom e, e encosto a cabeça no azulej o do banheiro, torcendo para que m eu choro sej a abafado pela ducha.

Quando saio, um a das enferm eiras diz que posso usar a cam a para descansar enquanto não vem m e exam inar, e agradeço, m e enfiando em baixo das cobertas. Peço a Laura e Hassam para m e trazerem notícias dos outros e, quando olho para o teto, testo m inha vista. Fecho um olho e o outro, abro os dois ao m esm o tem po, m as a luz ainda parece difusa, com o se eu estivesse vendo tudo sob um a névoa. Fecho os olhos, nervosa.

Não consigo entender o que aconteceu e não consigo m e livrar da culpa, da sensação de que, de algum a form a, estraguei tudo. Fenrir era horrível, sim , m as a acusação que fez logo antes de ser assassinado ressoa em m inha m ente. Eu estraguei tudo. Nós não vam os conseguir nada em cooperação com os hum anos, porque eles não nos respeitam . Com o Idris fará algo diferente? Com o conseguirá contornar os preconceitos dos senadores e das pessoas sem ser de frente?

Mas não tenho m uito tem po para pensar porque Rubi se j unta a m im , ainda com o uniform e preto e, para m inha surpresa, Jorge a acom panha, sua roupa ainda m anchada com o sangue de Dalibor. A últim a pessoa a entrar é Idris, andando com a aj uda de um a m uleta e com a perna direita enfaixada. Rubi passa a m ão pela m inha testa enquanto o hom em pega um a cadeira e se senta perto da m inha cam a. Idris se apoia ao m eu lado, procurando m inha m ão.

– Os m eninos estão bem – m inha m ãe adotiva diz, dando um beij o na m inha testa. Mesm o na distância em que está, vej o seu rosto em baçado e coço um dos olhos, apreensiva. – Já fizeram os curativos em Andrei, e Leon deve sair da cirurgia em breve. O outro garoto... Gunnar? – Ela levanta a cabeça para Idris, que confirm a. – Ele só teve um a leve concussão e está em um a enferm aria sob observação.

– E... Áquila? – pergunto, hesitante, num a tentativa de m udar o rum o dos m eus pensam entos, e ela parece confusa.

– O filho de Fenrir? – É Jorge que pergunta, inclinando-se na direção da cam a. – Ele precisa de pinos em vários ossos e talvez um a chapa no fêm ur. Por que a pergunta?

– É só que... eu acho que ninguém m ais se preocupa – digo, em bora eu m esm a não saiba direito por que escolhi perguntar por ele, m as os adultos abaixam a cabeça, com o se estivessem envergonhados.

– Nós queríam os saber o que aconteceu – Idris m uda de assunto, com um a expressão séria. – Rubi m e contou com o você conseguiu libertar Hannah e ela. Se não fosse por isso, nós seríam os encurralados por Fenrir e provavelm ente ele m ataria todos nós e ainda daria um j eito de sair por cim a. – Seu tom é am argo. – Rubi foi até Jorge, que acionou a Polícia Nacional quase im ediatam ente, e, j untos, podem os m odificar o plano. Nós queríam os vir até aqui e pressionar o Senado a aprovar as m edidas m ais flexíveis que form ulam os com Petra, m as Fenrir nunca deixaria que isso acontecesse. Então, nós decidim os encurralá-lo. Mas... com o você o enganou? Com o Fenrir conseguiu soltá-los, com o você o convenceu a deixar a m aior parte dos seus soldados em Pandora?

Suspiro pesadam ente e com eço a falar. Conto sobre com o fom os pegos de surpresa, da traição de Cléo, de com o Áquila m e aj udou a entender que a única form a de enganar Fenrir era m entir e arriscar a vida de todo m undo. Idris precisa se sentar na m etade da história, e Rubi aj uda, trazendo um a cadeira. Vej o um a ruga de preocupação em sua testa, m as Jorge parece intrigado. Ele pede para que eu repita várias vezes o m eu plano, com o nós nos livram os dos nossos guardas e a form a com o consegui vencer a anom alia de Felícia. Quando term ino, ele está cam inhando de um lado para o outro do côm odo, inquieto.

– Precisam os fazer algo para im pedir Felícia, se o que pode fazer é tão forte – Rubi afirm a, olhando para ele.

– Ela está passando por um a cirurgia agora, m as depois do tratam ento m édico vai para interrogatório. Porém , não sabem os com o proceder ainda, principalm ente com a m orte de Dalibor, que era o chefe da operação Xeque-Mate. Precisam os falar com a com andante antes de qualquer ação – Jorge explica e Rubi assente. Eu pisco algum as vezes, um pouco lenta.

– Vocês dois são da Polícia Nacional? – pergunto, incrédula. Rubi olha para m im e oferece um sorriso de desculpas.

– Eu estive trabalhando no departam ento de m issões de Z pelos últim os três anos, tentando arrum ar algum a pista, algum indício de que são ilegais, m as sem sucesso algum – ela explica, com um suspiro. – E, m esm o agora, tudo está dentro da lei. Se não convencerem o Senado e o novo governo a tornarem -nas ilegais, provavelm ente tudo vai continuar.

– Oh – digo e olho para Idris, esperando algum a form a de conforto.

– Clarisse tem com o reverter isso – explica. – Ela tem um caso bastante sólido para m ostrar que a cura não passa de um engodo e que acaba m atando todas as cobaias. Eles não se arriscariam a continuar com o barril de pólvora em que o país está.

– Bem , então pelo m enos isso será resolvido – Rubi afirm a e se vira para Jorge, que parece ignorar a conversa. – Você está bem ?

– Estou pensando – ele responde e se vira para m im . – Sy bil, quando tudo isso acabar, tenho certeza de que vam os aum entar os agentes anôm alos em serviço. Você e seus m eninos, vocês são inteligentes o suficiente para se j untarem a nós. – Eu abro e fecho a boca algum as vezes, sem saber o que dizer. – Claro que não precisa responder agora, porque ainda preciso apresentar m inha proposta, e você ainda tem m ais um ano de escola pela frente, não tem ? Mas se quiser trabalhar conosco depois, você sabe onde m e encontrar. Isso tam bém serve para os garotos que você protegeu por todo esse tem po, Idris. Estam os abertos para quem tiver interesse em se j untar a nós.

– Jorge, talvez não sej a a hora para isso – Rubi o repreende.

– Rubi, quantos agentes anôm alos nós som os ao todo? Cem ? Em toda a União? Im agine com o podem os ser m ais eficientes com equipes que conseguem aproveitar as anom alias uns dos outros m uito bem , para se com plem entar? – ele diz e aponta para Idris. – É o que eles vêm fazendo todos esses anos.

– É um a boa estratégia – Idris concorda. – Mas deveríam os deixar a conversa para depois. Sy bil precisa descansar, m as, antes, queria conversar com ela a sós.

Rubi m e dá um beij o na testa antes de sair acom panhada por Jorge e, quando a porta se fecha atrás deles, Idris afunda o rosto nas m ãos, num a postura desolada. Eu m e levanto e vou até onde está, colocando a m ão em seu om bro.

– Eu sinto m uito por Cléo – sussurro e ela balança a cabeça.

– Não foi um a surpresa – sua voz sai abafada. – Eu j á suspeitava, m as no final... quando a atacaram nos túneis no retorno da sua m issão, achei que era im pressão m inha, que estava entendendo seu luto com o traição e m e senti culpada. Foi por isso que, quando ela veio com o plano para segurar Fenrir, deixei que ela o guiasse. Eu te m andei com ela porque... eu achei que você poderia im pedi-la se fosse o caso. E foi o que você fez. – Ela apoia a m ão no m eu braço. – Estou orgulhosa de você. E de Hannah, que conseguiu agir rapidam ente.

– Obrigada – sussurro o agradecim ento, e ela levanta o rosto, com um sorriso um pouco triste.

– Devem te cham ar para a assem bleia dos senadores – ela fala e percebe m inha confusão. – Eles estão fascinados com o fato de que você tapeou a m orte; vão querer saber sua visão dos acontecim entos.

– Não era m elhor cham ar você ou Maritza, ou até Rubi?

– Aparentem ente, não som os boas porque tem os um a agenda política – ela explica, com desdém . – Mas não será nada de m ais, Sy bil. Ainda tem alguns dias para descansar, conversarem os m ais em breve.

Depois que Idris sai, não dem ora m uito para que m e busquem e m e exam inem . O m édico que m e atende fica bastante irritado quando vê m eus olhos, reclam ando abertam ente que eu precisava ter sido atendida horas antes e m e dá um a série de m edicam entos quase im ediatam ente antes de prosseguir com os exam es da m inha m ão quebrada. Meus dedos da m ão estão perfeitam ente em endados, m as os ossos do m eu pulso se espalham com o um a constelação e m e avisam que preciso de cirurgia para arrum á-los. Entro no centro cirúrgico logo depois de Áquila. O procedim ento nem precisa de anestesia geral, e, quando term ina, im obilizam o pulso novam ente antes de m e m andarem para o quarto.

Dim itri está m e esperando e nós tem os gessos iguais. Estou quase m e acostum ando a ver tudo em baçado, com o se estivesse no m eio de um a névoa, e ele levanta m eu queixo para ver m eu olho, apreensivo. Não com enta nada enquanto m e coloca na cam a com a aj uda de Charles e noto com o o hem atom a do seu rosto ainda está horrível. Leon está no leito logo à m inha frente, e sua m ãe nos observa com um m eio-sorriso enquanto Dim itri pergunta se quero um m ilhão de coisas. Ao nosso lado, Andrei está dorm indo com o um a pedra. Tenho um pouco de pena de Áquila, sozinho na terceira cam a, m as ignoro o sentim ento.

– O que você está fazendo aqui? – pergunto, falando baixinho para não acordar os m eninos. – Não deveria estar com o paciente?

– Você acha que eu ia te deixar aqui sozinha? – Dim itri pergunta e segura m inha m ão esquerda. – Rubi tem vários assuntos para resolver am anhã e voltou para casa para dorm ir com Tom ás. Sua avó foi convocada pelos senadores para dar um parecer sobre algo ainda hoj e, e não pode recusar. Então convenci o pai de Leon a m e dar alta.

– Obrigada – digo.

– O que o m édico disse sobre seu olho? – pergunta, levantando m inha sobrancelha direita para exam inar esse olho m elhor. – Ele está... estranho.

– Que eu tenho que tom ar o rem édio e colocar um a com pressa. E vir aqui todos os dias para ele acom panhar – repito o que o m édico disse e a expressão no rosto de Dim itri é tão parecida com a m inha quando escuto algo que não gosto, que não consigo m e conter. – Você... eu... Rubi conseguiu salvar m inha m ochila?

– Sim , Rubi conseguiu salvar os diários da m inha irm ã – responde, parecendo um pouco surpreso, com um sorriso se form ando em seu rosto. – Seu pai e a sua m ãe não saberiam o que é praticidade nem se lessem a definição no dicionário.

– Então você sabe... que é m eu tio – digo e ele tenta abrir o sorriso, m as sua bochecha se repuxa e ele desiste.

– Bem , se eu precisar de algum tipo de transplante, é um alívio saber que tenho pelo m enos um parente de sangue vivo – ele fala com leveza e leva m inha m ão aos seus lábios, beij ando-a. – Sy bil, você sendo m inha sobrinha de sangue ou não, eu te trataria da m esm a m aneira. Você está sob a nossa responsabilidade, m inha e de Rubi, e eu sei que soa estranho, m as é com o se você fosse parte de nossas vidas há m uito m ais tem po do apenas um ano. Nós te consideram os com o fam ília e você sem pre será am ada e bem -vinda.

Eu m e inclino, encostando a cabeça em seu peito, e ele m e abraça, m e dando um beij o no topo da cabeça.

É a prim eira vez em m eses que m e sinto tranquila.