A retomada da União
Capítulo 31
– E aí? – Áquila questiona quando volto para a cela.
– Se eu tivesse seu poder não teria dado tão certo – respondo, m e acom odando ao seu lado. – Obrigada pela aj uda.
– Ele tam bém vai m e levar? – pergunta, parecendo ansioso, e dou de om bros, incerta. O garoto fica em silêncio por um longo tem po e sinto o cansaço m e abater. Fecho os olhos. Não percebo o desgaste que havia sido inventar essa história até parar, e preciso estar bem para am anhã. Mas Áquila volta a falar, com um tom quase inaudível: – Você m e leva com você? Quando fugir?
– Você não quer ficar com seu pai? – Observo-o com o canto dos olhos, curiosa.
A resposta dem ora para vir e, quando vem , é um gesto tão sutil que m al percebo. Ele leva a m ão ao próprio rosto e se abraça com um a das m ãos, com o se precisasse de conforto antes de lim par a garganta e explicar:
– Eu acho que não consigo confiar nele. Não m ais – diz, olhando para onde o cônsul está. – Meu pai... Fenrir consegue ver qual é o m aior m edo de alguém . Às vezes são coisas que você nem percebe que tem e, até que ele... ele te confronte com elas. E depois que ele sabe, não consegue não usar. É com o se fosse parte da natureza dele.
Olho para m eus pés, relem brando todos os m om entos que tive com Fenrir. Com o ele havia tentado barganhar com igo depois da m issão, até o m om ento em que havia encostado em m eus pulsos e am eaçado m inha fam ília. A m aneira com o Áquila sugeriu que eu os colocasse no m eio com o garantia de que m inha m entira passaria, com o Fenrir assum iu im ediatam ente que eu nunca os colocaria em risco... Não tem nem com o Áquila estar m entindo, porque, quanto m ais penso, m ais m e parece óbvio que esse é m eu m aior m edo: perder as pessoas que am o.
– Ele nunca havia tentado descobrir o m eu até... até... – A voz de Áquila falha. – E tenho m edo que ele não pare, agora que sabe. Eu sei que sou babaca e você não tem obrigação nenhum a de m e aj udar, m as...
Considero o que diz por alguns m om entos antes de tirar a faca da m inha bota e j ogar em sua direção. Andrei provavelm ente diria que não poderíam os confiar nele, m as m inha intuição diz que Áquila não está m entindo. Poucas pessoas conseguem fingir tão bem , e a surpresa com que recebe a arm a m e dá m ais certeza de que isso é o certo a fazer. Ele a pega, encarando-a por alguns segundos de form a incerta antes de a esconder em baixo da cam isa, parecendo nervoso, com o se não esperasse essa m inha reação.
– Eu te aj udo, m as se você m e trair... – falo, num tom de am eaça, e o garoto concorda, cabisbaixo, num a postura contem plativa. O “obrigado” que sussurra é tão baixo que m al escuto.
***
Nos buscam pela m anhã, e Áquila e eu som os escoltados por três pessoas da Aurora, dois m eninos e um a m enina. Ao que tudo indica, Fenrir e Felícia j á partiram , pois a prefeitura está bem m ais vazia e silenciosa. Com certeza Fenrir fez questão de levar o m aior núm ero de guarda-costas que pôde sem deixar Pandora desprotegida, com m edo da investida de Idris contra seu dom ínio – em bora essa parte sej a um a m entira m inha e eu não tenha a m ínim a ideia do que acontecerá quando chegarm os ao Senado. Em m inha m ente, as ordens de Felícia ainda tentam dom inar, m as não conseguem derrubar a barreira de tensão e ansiedade. E a dor de cabeça com eça quando piso nas escadas e vai se tornando cada vez pior conform e atravessam os a praça e descem os na estação do m etrô. O sol m al despontou no horizonte e praticam ente toda Pandora dorm e, alheia à nossa m ovim entação.
Preciso aj udar Áquila a descer na plataform a, porque ninguém m ais se im porta. O garoto está ofegante e precisa se apoiar por alguns m inutos, apertando a m ão no tórax, sua respiração saindo com um chiado feio. Não há m uita insistência para nos m overm os, e só depois que ele fica m elhor é que levanto os olhos e fico paralisada, sem entender o que está acontecendo.
Leon e Gunnar estão à m inha frente, com as m ãos am arradas nas costas, sendo escoltados por Naoki, Brian e um a outra garota que não conheço. Gunnar olha para m im com o canto dos olhos, um sinal para que eu fique calada e não indique que o conheço. Brian se aproxim a devagar, com um sorriso no rosto.
– Leon! Olhe só quem está aqui, Sy bil! Só falta Andrei para ser um a reunião feliz do nosso grupo de am igos.
– Brian. – O tom de Leon é quebrado, com o se estivesse sentindo algum tipo de dor física.
– Você não acha que é surpreendente nós term os o encontrado tam bém , Sy bil? Aparentem ente ele veio visitar a fam ília – Brian continua, dando dois tapinhas no om bro de Leon. – Foi bem fácil capturá-lo colocando um par de vigias no prédio em que ele m ora.
– O que ele está fazendo aqui? – falo entredentes, pressionando a m ão nas têm poras para tentar dom ar a dor de cabeça galopante que se form a. – Achei que tinha feito um acordo com Fenrir.
– Ele m andou um recado para você – Brian sorri. – Leon é um lem brete para que você coopere. Se sua parte do com binado for cum prida em cem por cento, ele poupará a vida do cegueta.
– Brian, esse não é você – Leon suplica, se virando na direção do m enino. – Nos aj ude, por favor. Nós precisam os parar Fenrir.
– Por que eu iria querer pará-lo, Leon? Para que tudo volte a ser com o antes? Para nós voltarm os a ser hum ilhados? – ele pondera, se aproxim ando do am igo. – As coisas podem ser diferentes se você decidir nos aj udar.
Leon apenas abaixa a cabeça e Brian suspira, com o se não houvesse j eito. Naoki nos observa, sem intervir. Não consigo nem sequer sentir raiva porque m eu corpo está m ais concentrado na dor em m inha nuca do que no dram a que se desenrola. Todos os m eus pensam entos ficam em baralhados e não consigo focar em um a ideia só, em um plano para nos livrarm os deles e fugirm os.
Ando poucos m etros antes do m eu estôm ago se revirar, reagindo à dor, e eu tropeçar e cair de j oelhos, sorvendo o ar com dificuldade. É com o se várias facas estivessem atravessando m eu cérebro de um a vez, com o se um a tonelada de concreto estivesse tentando m e esm agar. Um a das garotas tenta m e colocar em pé, m as m inhas pernas parecem feitas de gelatina, e Naoki precisa apoiar m eu peso em seus braços, m e aj udando a cam inhar devagar. Preciso m anter m inha cabeça baixa para que o m undo não rode e não faço ideia de com o Victor aguentou tanto tem po se sua dor foi tão grande com o essa.
Áquila tam bém não consegue m anter o pique e precisam os parar depois de pouco tem po, nós dois encolhidos de dor. Que plano genial esse que fizem os, envolvendo duas pessoas incapazes de correr ou reagir. Nossa respiração é um a sinfonia descom passada de chiados e assovios e, em um m om ento de clareza, tenho um a ideia e m e arrasto até ele.
– Áquila – sussurro com dificuldade e o garoto abre os olhos. – Use seu poder em m im .
– O quê? – ele parece chocado com o pedido.
– Ordene que eu não obedeça Felícia – m inha voz sai entrecortada e afundo as unhas em seu braço. – Por favor.
– Você quer que eu controle sua vontade para você não ouvir aquela fedelha? – É im pressionante com o ele ainda tem capacidade de desdenhar, m esm o na condição em que está.
Fecho os olhos e solto um gem ido, sentindo um a pontada na cabeça, e levo a palm a das m ãos aos olhos, pressionando-os para ver se dim inui. As m ãos de Áquila se fecham no m eu braço, sinto-o m uito próxim o e tenho que m e controlar para não m e afastar. Escuto-o sussurrando o que pedi e alguns segundos depois, outra dor aparece em m inha cabeça, na testa. Um som anim alesco sai da m inha boca e percebo que talvez essa não tenha sido um a decisão inteligente enquanto sorvo o ar com velocidade. Minhas m ãos estão trem endo, sinto com o se duas partes do m eu corpo estivessem lutando: um a tentando dom inar a outra e dor, dor e dor.
Áquila tam bém se encolhe ao m eu lado, m ais confuso ainda. Será que ele tem , de algum a form a, conhecim ento do que está acontecendo? Quando segura m eu braço novam ente, sinto um a energia subir pelo m eu pescoço, e m inha força de vontade se infla. A determ inação de não ser controlada por Felícia m e invade e com eça a dom ar, aos poucos, a dor aguda da nuca.
– O que vocês estão fazendo? – Ouço Brian se aproxim ar e encolho os j oelhos, abaixando a cabeça entre eles. – Nós não podem os nos atrasar.
– Eles não estão bem . – É Gunnar que responde e percebo que ele está entre nós, num a postura protetora. – Podem os esperar um pouco até que se recuperem .
– Não tem os m ais nenhum m inuto a perder. – Ele soa irritado. – Se levantem agora.
– Brian, nós podem os esperar um pouco. – Naoki soa incerta, ouço-a se aproxim ar e sinto quando se abaixa à m inha frente. – Sy bil não parece bem .
Mas estou m elhorando, quero responder. A dor na m inha nuca não passa de um a dor fantasm a agora. A inj eção de força de vontade consegue dom iná-la, m oldá-la sob a vontade de Áquila. Eu não faço ideia do que está acontecendo, m as está funcionando, e m inha respiração com eça a voltar ao norm al. Em com pensação, quando lanço um olhar para o garoto ao m eu lado, ele parece pior do que antes, extrem am ente pálido. Passo a m ão na testa para tirar o excesso de suor e levanto a cabeça, analisando a cena à m inha frente.
Eu e Áquila estam os encostados na parede, e Gunnar está entre nós, Brian e Naoki. Leon, m ais à frente, tam bém deu um j eito de se encostar contra a parede, deixando todos os nossos guardas em um corredor a nossa frente, de form a que não tem com o nos cercarem . O am adorism o com que eles se portam chega a ser engraçado, e eu m e inclino na direção de Áquila, sussurrando algo. O garoto solta o m eu braço e procura a faca em sua calça j eans, deixando a arm a a postos.
– Estou m elhor – digo e m e levanto, sentindo as pernas trêm ulas. Não consigo m e firm ar e tropeço, caindo na direção de Brian, que m e segura por reflexo. Áquila aproveita o m om ento para se levantar tam bém , com um pouco de dificuldade, e consigo ver, com canto dos olhos, o m om ento em que passa a faca para as m ãos am arradas de Gunnar. – Obrigada, Brian. Não achei que ainda soubesse o que é gentileza.
– Naoki, aj ude-a a andar. Não podem os perder tem po. – Ele m e ignora e Naoki m e segura, pedindo desculpas com o olhar. – Elena, aj ude Áquila. Se ele não estiver lá conosco, Fenrir ficará irado.
O garoto que carrega a luz m ais forte tom a a dianteira e, logo atrás, estam os eu e Naoki, Elena e Áquila. Depois, Brian, Leon, o outro garoto e, por últim o, Gunnar e a últim a das nossas guardas. Confio em Gunnar o suficiente para saber que, quando ele achar adequado, vai se soltar e nos aj udar a fugir, então não m e preocupo com isso. Até porque Prom eteu fica a quase duas horas de cam inhada de Pandora, então ainda tem os tem po antes de atacar. Mesm o quando m e sinto forte o suficiente para cam inhar sozinha, deixo que Naoki m e aj ude e penso em m il form as de com eçar um a conversa, m as deixo todas m orrerem , com m edo da reação dos outros. Naoki não parece estar confortável com a situação e sei que com pouco eu a convenceria a ficar do nosso lado.
Cam inham os em silêncio pelo o que parece um a eternidade até que ouço um barulho antes de perceber a m ovim entação e, quando olho para trás, percebo que Áquila e Leon são os únicos que im itaram m eu m ovim ento. Gunnar não está m ais em seu lugar, m as a garota continua cam inhando norm alm ente, com o se nada tivesse acontecido. Contenho um sorriso porque com certeza ele os colocou em um a ilusão de que tudo está bem .
– Eu estou m elhor – digo para Naoki, m e desvencilhando de seu apoio. – Obrigada.
– Tem certeza? – ela pergunta, preocupada. – Eu... eu posso te levar até lá se precisar.
– Está tudo bem – reasseguro e ouço outro barulho, obviam ente um grito interrom pido. Quando olho para trás novam ente, não vej o a garota.
Dessa vez, consigo ver o m ovim ento furtivo de Gunnar quando ele bate com as costas da m ão na nuca do últim o garoto, fazendo-o desabar com o em um passe de m ágica. Leon parece nervoso, e observo discretam ente enquanto Gunnar apressa o passo, passando por nós e indo até a parte da frente, para sua próxim a vítim a, o garoto com a lanterna. Chega a ser estranho com o Naoki, Elena e Brian não percebem nada de errado e Gunnar tom a o lugar na nossa frente, ilum inando os trilhos do m etrô.
Nós prosseguim os, passando por várias bifurcações e entroncam entos, sem que nenhum dos três perceba nada de errado. Nossos passos ecoam pelos túneis, a respiração de Áquila fica tranquila e Gunnar não parece ter pressa para se livrar dos outros. Naoki está com as bochechas verm elhas e a respiração curta quando decide quebrar o silêncio:
– Com o está Andrei?
– Ele está à salvo. – Minha resposta é curta e não perco a oportunidade de olhar para Brian com o canto dos olhos.
– Pelo m enos um de vocês tinha que ser inteligente. – Apesar de Brian m urm urar, a acústica dos túneis faz com que eu consiga ouvi-lo perfeitam ente.
– O que você disse? – paro onde estou e m e viro, cruzando os braços. Vej o que Áquila se encolhe, num a tentativa frustrada de fugir do m eu cam po de visão. Brian balbucia algum as vezes antes de responder.
– Eu não disse nada. – Ele volta atrás, passando a m ão no cabelo ruivo de m aneira nervosa.
– Ah, porque eu tive a im pressão de ter ouvido você dizer que eu e Leon som os burros por ter confiado em você. Achei engraçado, porque pareceu ser um bom aviso para Naoki – retruco e, m esm o com a fraca ilum inação, vej o-o ficar verm elho.
– Cale a boca e continue andando! – ele ordena com um tom irritadiço, e eu cruzo os braços e obedeço, um m eio-sorriso nos lábios. À m inha frente, Gunnar esconde o rosto e percebo que está segurando um a gargalhada.
Naoki fica cabisbaixa, pensativa, e não puxa m ais assunto por todo o cam inho. Com eço a ficar im paciente, sem saber o que Gunnar está esperando para agir e só entendo quando ele ilum ina a placa velha e enferruj ada com República escrito em um estilo antigo de letras redondas e elegantes. Não andam os m uito antes de Gunnar parar à nossa frente, sem se m over.
– Rafael, o que aconteceu? – Brian pergunta, esticando o pescoço, seus olhos se m ovendo pela fileira para ver se estam os todos aqui. Não deve achar nada de errado porque sai de onde está e cam inha até à frente, olhando fixam ente para m im com o se eu fosse culpada por term os parado.
– No três – Gunnar fala baixo e Brian continua cam inhando, perguntando o que fez com que Rafael parasse. Seguro Naoki pelo pulso e ela não parece entender o que está acontecendo. – Um . – Leon ocupa o lugar de Brian na fila e Áquila insiste com a garota que o carrega de que está bem . – Dois.
– Está tudo seguro, não há por que ter m edo. Podem os prosseguir. – Brian volta, lim pando as m ãos na calça.
– Três! – Gunnar dá um bote em Brian, segurando-o pela blusa e apertando-o contra a parede do túnel.
Nós nos m ovem os rapidam ente: eu com eço a correr e puxo Naoki pelo pulso, obrigando-a a m e seguir. Ouço os passos de Áquila no m eu encalço e os sons de luta entre Gunnar e Brian. Quando olho para trás, vej o que Brian atravessou os braços de Gunnar e ele e Elena tentam im obilizar o garoto, que se esquiva com facilidade. Gunnar está ganhando tem po para conseguirm os fugir, e aperto o braço de Naoki, apressando o passo. Leon logo nos alcança, m as não andam os m uitos m etros antes que Naoki pare, fincando os tornozelos no chão e nos im pedindo de continuar.
– Naoki! – eu a cham o, puxando-a pelo braço, m as ela está im óvel, com os olhos vidrados e a boca m eio aberta. – Naoki!
A garota está paralisada, seu peito subindo e descendo rapidam ente, e solta um choram ingo de dor, se encolhendo com as m ãos na cabeça. Eu não acredito no que estou vendo. Naoki pressiona os olhos com outro gem ido e percebo que trem e exatam ente com o eu trem ia alguns instantes antes. Dou um passo para trás, tropeçando no trilho desativado do trem , boquiaberta. O m undo parece em câm era lenta quando Leon se aproxim a, tentando convencê-la a se m over, ela levanta o rosto com os olhos vidrados e abre a boca, seu grito supersônico ressoando no túnel com o um a explosão. Eu m e encolho, sentindo o chão sob m eus pés trem erem e Leon se abaixa quase im ediatam ente, pressionando os ouvidos com força, seu rosto transfigurado pela dor.
Eu não parei para pensar em com o a anom alia de Naoki é poderosa até esse m om ento. Meu peito reverbera com cada grito que dá e m e encolho, protegendo m eus ouvidos com o posso da dor fina que cada um deles provoca. Leon se arrasta para longe dela, assustado e eu sei que alguém precisa pará-la antes que todos nós estej am os surdos, m as não consigo m e m over quando ela sustenta m ais um grito por um tem po hum anam ente im possível. Procuro os outros com os olhos e vej o suas som bras encolhidas na parede, ilum inadas pela lanterna que caiu no chão.
– Naoki, pare! – Brian ordena, sua voz distante, abafada, e a garota se balança de um lado para o outro, com as m ãos na cabeça.
Naoki se cala e ouço um zum bido em m eu ouvido direito e o pressiono com m ais força, na esperança de que passe. Dem oro um pouco para entender o porquê de ela estar calada e, quando levanto os olhos em sua direção, vej o que está em pé novam ente, com os olhos nebulosos, com o os de Victor na últim a vez em que o vi. Maldita Felícia e seu poder! Não tenho dúvidas de que deu algum a ordem para Naoki obedecer aos planos de Fenrir. Mesm o m e sentindo atordoada, m e arrasto até onde Leon está e tento m ovê-lo, sem m uito sucesso.
– Leon, você consegue m e ouvir? – pergunto baixinho e o garoto pisca algum as vezes, seus olhos claros encarando o vazio. Tento tirar um a das m ãos dos seus ouvidos, e m eus dedos ficam m elados. Reparo, com horror, que é sangue. – Leon? Merda, m erda, m erda!
– Sy bil? – ele m e cham a, num tom anorm alm ente alto e sinto um aperto no peito. – Sy bil, onde você está? Sy bil?
– Estou aqui – respondo, na m esm a altura que antes, e ele m e cham a m ais um a vez antes que eu o convença a segurar m inha m ão. Leon a agarra com o se estivesse se afogando.
– Vocês não podem fugir – Naoki se posiciona entre nós e o resto do túnel. – Brian, prenda-os.
– Seu desej o é um a ordem – Brian com enta e se levanta num m ovim ento fluído, atravessando Gunnar quando ele tenta im pedi-lo e cam inhando em nossa direção. Gunnar se vira para segui-lo, m as Elena o ataca, usando um a corda para prendê-lo pelo pescoço.