A retomada da União
Capítulo 12
O segundo dia com o assistente de Idris é m uito m ais m ovim entado: andam os por toda a fortaleza, supervisionando cada um dos grupos, conversando e ouvindo tudo. Visitam os Victor, que m al consegue falar, está m uito pior que antes. Não com ento, m as vej o que Idris com partilha o m edo de que ele estej a prestes a m orrer sem que possam os fazer nada.
Quando o dia chega ao fim , estou tão exausta que não a acom panho até o refeitório, e volto para m eu quarto. Tento ler um pouco m ais dos diários de m inha m ãe, m as acabo adorm ecendo e só acordo algum as horas depois, quando Andrei e Leon m e trazem com ida. O j antar é sopa e pão, m as está tão gostoso que quase m e arrependo de não ter descido para com er enquanto estava quente. Os dois, em polgados, m e relatam seu dia, e m al parece que pouco tem po atrás estavam em um funeral. Leon está em um a equipe que investiga os senadores hum anos e, nesses dois dias de trabalho, descobriu tanta história m aluca e engraçada sobre eles que m e faz duvidar da sanidade da União em geral.
O que Andrei conta é m ais novidade para Leon do que para m im , m as a form a com o ele fala de vovó Clarisse, com o se ela fosse a criatura m ais inteligente do planeta, é divertida. Fico aliviada por saber que eles se deram bem , de algum a form a isso parece ser im portante para m im . Leon faz algum as perguntas sobre genes e m étodos de identificação de DNA, e Andrei responde de m aneira fácil, m as não com preendo m uito bem , porque estou m uito atrasada em Biologia. Em algum m om ento, os dois estão em pé, e Andrei explica para Leon algo sobre STRs, sej a lá o que isso for, e sobre transcrição de DNA, desenhando com os dedos na parede com o se fosse um quadro negro.
Quando é m inha vez de contar sobre m eu dia, falo de Victor e seu estado de saúde. Leon com enta que Hassam lhe contou tudo. É um a pena que ele sej a cego, porque as expressões que eu e Andrei fazem os quando ele fala isso são im pagáveis. Quando foi que Leon teve tem po de se encontrar sozinho com Hassam por tem po suficiente para que ele contasse algo aparentem ente sigiloso? Eu m al tive tem po de ver Andrei, seguindo Idris para cim a e para baixo, anotando ordens e coisa e tal, e pelo m esm o m otivo não vi Hassam , que está responsável pela parte logística quase inteira.
– Leon... – com eça Andrei, com o sorriso contido na voz. – Você e Hassam ...
– O que tem ? – pergunta Leon, sentado na m inha cam a e de pernas cruzadas.
– Com o é que eu pergunto isso?
Dou de om bros.
– Pergunta o quê?
– Esqueci que você é lerdinha para essas coisas – diz ele num tom carinhoso, m as eu m e ofendo.
– Lerdinha com o quê? – cruzo os braços, em burrada.
– Andrei, você não está querendo perguntar... – diz Leon, e eu olho para os dois, exasperada.
– Talvez estej a.
– Minha nossa, que conversa louca essa que vocês estão tendo!
– Nós som os só am igos – Leon afirm a, e Andrei dá um a risada.
– Sabe quem você está parecendo? Eu.
– Não é desse j eito entre nós.
– Com o não é, Leon? Você se anim a todo só de ouvir os passos dele se aproxim ando no corredor, parece hipnotizado quando ouve a voz dele, qualquer coisa agora é Hassam disse isso, Hassam fez aquilo.
Olho para os dois, confusa, e depois diretam ente para Leon, repassando todos os m om entos em que o vi com Hassam . É verdade. Estão sem pre j untos, Leon prefere conversar com ele, estar com ele a estar conosco. Eu achava que fosse só porque, sei lá, os dois tinham se tornado m uito am igos, m as a form a com o Leon reage – com vergonha – quando Andrei toca no assunto, é o indício de que preciso para entender.
– Oh, você gosta dele! – exclam o, com um sorriso.
– Nossa, até a Sy bil percebeu! – Andrei ri, e Leon esconde o rosto nas m ãos, parecendo m ortificado.
– Posso até gostar dele, m as ele não gosta de m im . Não desse j eito – declara Leon, pragm ático, m as sua voz parece abafada. – E nós tem os outras prioridades agora.
– Com o você sabe? Já perguntou? – Andrei insiste, e eu apoio a m ão em seu braço, num sinal para ele parar. – É só que... ugh, Leon, você m e aj udou algum tem po atrás, lem bra? Nós tivem os um a conversa bem parecida com essa e o que m e disse? Você lem bra?
– Que se você não tom asse um a atitude logo, ia acabar destruindo a am izade com a Sy bil de um a form a pior do que se ela te desse um pé na bunda – Leon fala, levantando-se da cam a. Sinto m eu coração apertar e olho para Andrei, que parece determ inado. – Eu sei disso, m as não é o m esm o caso.
– Por quê?
– Não vou discutir isso com você, Andrei.
– Bem , se você der sorte, Hassam vai tom ar o prim eiro passo que nem a Sy b – ele diz, m e abraçando, e sinto um frio no estôm ago. – Só não sej a idiota com o eu quando isso acontecer.
– Por que você acha que isso vai acontecer? É im possível, ele nem gosta... – Leon balança a cabeça, cam inhando até a saída. – Essa conversa acabou.
Observam os enquanto ele bate a porta, irritado, e Andrei suspira, frustrado.
Eu o abraço, e ele m e aninha em seu colo, encostando o queixo na m inha cabeça.
– Eu vou conversar com a Hannah discretam ente – ele sugere, por fim . – E perguntar sobre Leon.
– Tudo bem – digo, sem entender o plano. – Mas com o isso vai aj udar?
Ele olha para m im por alguns segundos, com o se não acreditasse na m inha pergunta e sorri.
– Nunca perguntei isso pra você porque não m e im porto, m as o beij o da biblioteca... foi seu prim eiro?
– Não – confesso, um tanto confusa. – Teve um m enino que era um ano m ais velho, qual era m esm o o nom e dele? E um soldado. E um garoto no m ercado. E um a vez eu beij ei um a m enina, m as foi estranho.
– Com o isso aconteceu? – ele pergunta, descrente.
– A m enina? Bem , Am ita disse que era bom e eu devia experim entar e aí...
– Não só a m enina, todos os outros. Você não consegue perceber...
– Eu sei quando quero beij ar alguém , Andrei – digo, dando um beij o de leve em seu queixo. – Só não sei quando as pessoas têm interesse em m im ou em outras pessoas. E, para isso, eu tinha am igas que m e davam dicas...
– Com o? – Ele parece estar querendo chegar a algum ponto.
– Elas m e diziam , “Olha, aquele m enino gosta de você”, e era isso. – Dou de om bros.
– Porque antes, provavelm ente, elas perguntavam às pessoas se os garotos tinham interesse em você – ele explica, apertando m eu quadril carinhosam ente. – E é isso que vam os fazer para Leon agora.
– Ah! – eu exclam o. – Oh, você é tão inteligente.
E faz tanto tem po que não o ouço rir desse j eito que não consigo deixar de acom panhá-lo.