A retomada da União

Bárbara Morais · Capítulo 35 de 39

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A retomada da União

Capítulo 35

 

Consigo ver o m om ento em que Fenrir entende o que aconteceu quando se vira para m im , seus lábios contorcidos de ódio por ter sido enganado por uma garotinha, dentre todos os seus inim igos. Sinto um a satisfação perversa que não dura m uito, porque ele cam inha em m inha direção com o se fosse m e m atar. Felícia percebe e tenta se levantar, m as eu não deixo, lim itando seus m ovim entos.

– Sua idiota, m e solte! Se eu não o im pedir, ele vai m atar nós duas. – A urgência com a qual fala é o suficiente para que eu a obedeça, apesar de toda a raiva que sinto, e ela fica de cócoras, pressionando o nariz. – Victor! Victor! Pare o que está fazendo, precisam os de você aqui.

Olho na direção onde os garotos estão, m inha vista ainda esquisita, em baçada, e m e arrependo quase im ediatam ente, porque Leon está no chão, encolhido. Victor o chuta enquanto Áquila faz um trabalho m uito ruim ao tentar im pedi-lo, e Andrei se arrasta para se aproxim ar. Algo grave aconteceu com ele, m as eu não sei o quê. Victor obedece im ediatam ente ao com ando de Felícia e fecha os punhos, com o se estivesse tentando resistir. Fenrir está em cim a de nós, e Felícia é o único em pecilho para que não desconte sua raiva em m im .

– O que você fez? – ele exige, apontando na m inha direção. – Felícia, saia da frente. Eu vou dar a lição que essa pirralha m erece se ela acha que pode m e enganar assim .

– Você está deixando o plano ir por água abaixo, Fenrir – Felícia devolve, m as seus olhos procuram nervosam ente por Victor. – Se concentre!

– Por causa dela! – Ele cospe as palavras na nossa direção. Seus olhos vagueiam até onde os garotos estão ao lado de Leon e vej o seu rosto se contorcer m ais um a vez quando vê Áquila com eles. Fenrir m uda o foco da sua ira rapidam ente, percorrendo o espaço entre nós com passos largos. Victor está parado num canto, com o se lutasse contra as ordens de Felícia, e tenho vontade de gritar que não é hora para isso. – Ninguém , não se pode confiar em ninguém . Ninguém ! Áquila, eu esperava m ais de você.

– Fenrir! – A voz de Idris ecoa acim a dos barulhos de batalha, acim a do som do m eu coração acelerado. O hom em não parece ouvir, e Áquila está paralisado enquanto seu pai se aproxim a. Fenrir atinge o rosto j á m achucado do filho com um m ovim ento repentino, j ogando-o para longe dos outros. – Fenrir! Pare com isso agora.

Por que Idris não está aqui em baixo, im pedindo-o? Quando levanto os olhos, vej o que os garotos que cercavam os senadores estão se aglom erando nos degraus entre nós, oferecendo um a resistência form idável. Idris parece assustadora, derrubando-os, im obilizando-os, congelando parte de seus corpos com um a precisão espantosa, m as nenhum dos soldados de Fenrir parece tem ê-la, e form am um a parede que im pede que se aproxim e. Os outros agentes estão ocupados tentando apagar o resto das cham as, que m al foram afetadas pelo sistem a anti-incêndio, ou buscando im pedir que m ais m em bros da Aurora se j untem à resistência. Outro foco de incêndio surge perto dos senadores que, covardes com o são, estão saindo de m ansinho pelo fundo. Reconheço Hassam com o um dos que os guia para fora, sua expressão preocupada e nervosa, com o se odiasse o papel que o forçaram a interpretar.

Palavras não vão adiantar com Fenrir no estado em que está. Mas acho que, aqui em baixo, estam os todos paralisados, sem saber com o reagir. Ele é tão m ais forte, tão m aior do que o filho, que Áquila não tem chance algum a, e olho para Andrei, que observa a cena com os lábios pressionados, obviam ente form ulando um plano. Até Idris ou os outros term inarem sua luta, som os eu, Gunnar e Andrei contra Fenrir. Quais as chances de o im pedirm os sozinhos? Mas pelos olhos arregalados e assustados de Felícia, sei que ela tam bém o quer sob controle.

– Mande que ele pare! – ordeno para Felícia e a garota olha para m im , confusa, e balança a cabeça.

– Não é assim que funciona! – ela explica e olha para o hom em novam ente. – Fenrir! O plano! Largue Áquila e se concentre no plano!

Olho para Andrei e Gunnar do outro lado do círculo, na esperança de form ular algum a ideia, m as Andrei se levanta e sugo o ar, finalm ente entendo o porquê de o garoto estar praticam ente se arrastando. Seu braço esquerdo está quase em carne viva assim com o um a parte de seu tórax onde as cham as o atingiram , a cam isa queim ada em frangalhos e seus dentes trincados para aguentar a dor. Mas, ainda assim , ele é o prim eiro a agir e se j oga contra Fenrir, em purrando-o na direção oposta à de Áquila. Fenrir m al se abala e, com um m ovim ento, o j oga no chão, ao lado do filho.

Gunnar alcança m eu olhar e faço um m ovim ento com a cabeça, sem precisar dizer m ais nada antes de nós dois nos levantarm os e irm os em direção a Fenrir. Gunnar cam inha rápido e dá um grito que distrai o senador, m as o hom em está preparado para segurar o soco de Gunnar, que foi lento dem ais. O chão está grudento entre m eus pés e pego im pulso antes de escorregar na direção de Fenrir, colidindo contra suas pernas. Ele olha para m im com um a expressão de desgosto e tenta m e chutar, m as seguro seus j oelhos enquanto Gunnar o em purra e conseguim os derrubá-lo, m anchando o resto do seu terno com o sangue quase seco do chão.

– Me larguem ! – Fenrir ordena. Gunnar segura as m ãos dele e coloca um j oelho em seu peito, im obilizando-o.

Eu m e aj oelho ao seu lado, com um a estranha satisfação de vê-lo por baixo. Ele é o responsável pelos últim os m eses de m edo que eu tive, e quando penso em todas as m ortes que aconteceram por sua causa, só para alim entar sua sede por poder, quando lem bro de com o m e enganou e m e fez acreditar que suas intenções eram boas, sinto o calor subir pelo m eu corpo, e antes que eu possa m e im pedir, uso toda m inha força no tapa que dou em seu rosto, deixando a m arca dos m eus dedos perfeitam ente em sua bochecha branca.

– Você. – Ele vira o rosto para cuspir sangue. – Nós poderíam os ter conseguido, e você foi a responsável por tudo ter dado errado. Não se esqueça disso quando seus filhos forem usados com o cobaias por eles.

– Não ache que só você pode fazer m udanças, Fenrir – respondo, irritada. Suas palavras m e atingem e sinto um m edo que nem sequer sabia que existia até o m om ento.

– Você é nova dem ais para perceber que se aliar a eles nunca trará a m udança de que precisam os – ele responde, seus olhos fixos em m im , e Gunnar pressiona m ais o j oelho em seu peito, tornando sua respiração ofegante, m as não im pedindo que m e dê m ais um de seus sorrisos predatórios.

Levanto-m e, desnorteada, e paro, observando m eus arredores. O fogo está sob controle e, aos poucos, as pessoas de preto conseguem prender os garotos da Aurora. Alguns se rendem , se aj oelhando e entregando as arm as aos prantos, a decepção visível em seus gestos e em sua derrota. Um grupo dos agentes consegue se aproxim ar e descer até o centro e vej o os triângulos azuis em suas roupas, bem confusa. Observo todos que estão de preto e percebo que m uitos não possuem nenhum tipo de sím bolo em seus uniform es e fazem parte do Sindicato. Andrei conseguiu arrastar Áquila por um a curta distância até onde Leon está desacordado e vou até os três garotos, m as o m edo que Fenrir im plantou em m inha m ente m e dom ina. Gunnar olha para m im apreensivo, e coloca m ais peso em cim a de Fenrir, num a reação quase instintiva, tentando com bater seus sentim entos.

O que hum anos estão fazendo aqui? Eu m e abaixo ao lado dos garotos, colocando m eu corpo entre eles e a m eia dúzia de agentes que agora ocupa o centro do Senado, com todo o tipo de m au pressentim ento. Não é isso que eu quis dizer quando falei para Rubi pedir aj uda. Sinto a m ão de Andrei encostar na m inha e m e viro, m e deparando com o alívio por estarm os vivos, apesar de toda a dor que ele está sentindo. Entrelaço m eus dedos nos dele, m e sento ao seu lado e tento não pensar em seus ferim entos ou no que pode acontecer agora.

Mal percebo que Felícia tam bém está próxim a a nós, com o se buscasse a segurança nos núm eros, e que Victor a acom panha, extrem am ente confuso. Nós trocam os olhares e entendo que, apesar da briga que tivem os, apesar das ideias diferentes, dos m étodos conflitantes, agora estam os do m esm o lado. Som os todos anôm alos.

Um a dupla de agentes se aproxim a de Gunnar e eles conversam baixo. Gunnar balança a cabeça algum as vezes e o vej o procurar Idris com os olhos, em busca de orientação, m as a líder está ocupada em desarm ar os poucos j ovens que faltam . A cena que se segue é com o um déjà vu: um terceiro policial se aproxim a e acerta Gunnar exatam ente na cabeça com a coronha da arm a, tirando-o de cim a de Fenrir. Ouço m inha voz gritar algo, m as não faço ideia do que é quando um dos policiais da dupla aponta a arm a para a cabeça de Fenrir, apesar da sua resistência, e o pressiona contra o chão. Fenrir olha para m im com olhos suplicantes, com o se não tivesse tentado m e m atar m inutos antes. Vê-lo tão vulnerável m e deixa nervosa e m ordo os lábios com força, sentindo o gosto do m eu próprio sangue quando o estam pido dos tiros engole todos os outros sons do Senado.

A essa distância, um tiro seria m ais do que suficiente para resolver o problem a, m as a form a com o o policial m ove seu dedo no gatilho é um a m ensagem bem clara para todos nós. Sinto algo quente respingar em m eu rosto e não tenho coragem de lim par. Felícia solta um grito agudo, assustado, e, ao m eu lado, Andrei vom ita quando vê a gosm a que se tornou a cabeça de Fenrir. Minha vista escurece e preciso controlar m inha respiração, m eu peito prestes a explodir.

Não era para ser assim . Eu nunca quis que tudo acabasse dessa m aneira.

O caos se espalha ao nosso redor, os garotos da Aurora se dispersando em pânico ao verem o que aconteceu. Alguns correm na nossa direção e são abatidos com tiros lim pos, que os atingem na cabeça ou no peito. Um dos policiais se aproxim a de Victor e Felícia se j oga contra ele para im pedi-lo, m as o hom em não hesita em atirar à queim a roupa em seu braço, fazendo a garota cair no chão, gritando e sangrando. Eu não consigo pensar, não consigo agir, não consigo respirar.

Idris chega com o um a tem pestade. A tem peratura am biente abaixa vários graus e congela as pernas dos dois policiais m ais próxim os dela. Parece um a deusa da vingança quando os atinge, derrubando-os no chão sem quase nenhum esforço. Os quatro hum anos que restam se j untam no m eio, cientes de que ninguém atirará neles com m edo de nos atingir por estarm os no m eio do cam inho para o centro do plenário. Os olhos de Idris correm do corpo do cônsul para o corpo de Fenrir e pousam no hom em que apertou o gatilho com um a pergunta silenciosa. Toda a coragem que usou para atacar Fenrir parece ter evaporado e um a veia no pescoço do agente está latej ando.

– Quem – o silêncio no plenário é tam anho que a voz de Idris ressoa lím pida, sem nenhum a interferência – deu a vocês a ordem de m atá-lo?

– N-n-n-n – É o único som que sai da boca do assassino enquanto tenta se articular. O guarda que deu a coronhada em Gunnar dá um passo à frente, com o peito estufado.

– Nosso dever é proteger a nação de coisas com o vocês – ele diz e Idris curva a cabeça para um lado, convidando-o a falar m ais, m as o frio se intensifica e m e encolho, esfregando os braços em busca de algum calor. Andrei se aproxim a, seu rosto esverdeado e os lábios ligeiram ente azulados e eu seguro sua m ão. – Nós o cum prim os.

Dois hom ens e Rubi alcançam Idris, e a ruiva vem direto até nós, a preocupação visível em seus olhos. Ela se abaixa para aj udar Felícia, m as a garota se encolhe, com um a expressão horrorizada no rosto e vej o que o braço em que levou o tiro parou de sangrar e parece um peso m orto. Rubi percebe que precisa fazer escolhas e se aproxim a de nós, se aj oelhando à nossa frente e posicionando a pistola em um a postura protetora. Os outros dois hom ens param em cada um dos lados de Idris e fico surpresa quando identifico a faixa am arela discreta no braço de um deles. Aperto os dedos de Andrei contra os m eus assim que reconheço o anôm alo com o o hom em do m etrô, Jorge Cruz, o m esm o que m e aj udou no dia que os policiais m e atacaram e, o outro, com o Dalibor, o agente da polícia secreta do cam po de refugiados. Os dois m antêm as arm as apontadas para os hum anos no centro e não entendo o que está acontecendo.

– Identifiquem -se – Dalibor exige. – Tenho a im pressão de que não foram convocados para essa m issão.

Não há nada pior do que um soldado nervoso com o dedo no gatilho. A resposta fica óbvia quando o prim eiro atira, atingindo Dalibor perto do om bro e lançando-o para trás. Rubi o atinge com um tiro certeiro no j oelho, com o se j á tivesse feito isso m il vezes antes, um a ruga de concentração se form ando em sua testa. Eu tento proteger Andrei com m eu corpo quando vej o que outro tiro acerta Idris na coxa. A líder nem sequer se abala, esticando a m ão e congelando a arm a, que para de funcionar. Ela faz isso com a outra arm a, m as tanto ela quanto Rubi não são rápidas o suficiente para im pedir o últim o. Ele se vira na nossa direção, disposto a fazer estrago, apertando o gatilho continuam ente.

Rubi solta um grito e Andrei m e puxa para um abraço, contendo um gem ido de dor quando encosto acidentalm ente em suas queim aduras. Ouço um berro próxim o e tento levantar a cabeça para entender o que está acontecendo, m as Andrei m antém a m ão firm e e m e im pede de m e m over. Afundo a cabeça em seu om bro bom , m inha respiração acelerada. Quem ele acertou? A arm a de Rubi dispara m ais três vezes ao m eu lado e sei que pelo m enos ela ainda está bem .

Andrei m e solta quando os tiros cessam , a dor em seu rosto visível e, por um m inuto, acho que foi atingido. Atrás dele, Áquila está pálido com o um fantasm a, m as parece inteiro, bem com o Leon. Levanto o rosto para procurar Gunnar, piscando algum as vezes para colocar m inha vista em foco, e vej o Felícia aj oelhada, segurando seu braço m achucado com o se fosse um bebê. Quando m e sento, percebo que Victor está caído de form a estranha no chão e sinto m eu coração se apertar. Rubi se j unta à m enina, e sua determ inação se dissolve em tristeza. Idris está aj oelhada m ais à frente, pressionando a lateral do corpo com um a das m ãos. Ao seu lado, Jorge tem a m ão no pescoço de Dalibor, pressionando a ferida, e olha para cim a, com o se esperasse reforço.

Felícia solta um gem ido e se inclina na direção do corpo de Victor e quero gritar para que Rubi não encoste nela, m as é tarde dem ais. Minha m ãe adotiva tira a m ão do om bro de Felícia com o se a garota fosse elétrica, com um a m istura de horror e pena no olhar. Percebo o porquê do braço de Felícia parecer tão estranho: ele está azulado, praticam ente congelado, e entendo que ela estava no m eio quando Idris usou sua anom alia. Gunnar se levanta do outro lado, atordoado, e com os lábios arroxeados. Os gem idos de Felícia se transform am em um choro feio, quase com o um uivo, e ela deita em cim a de Victor, apertando a m ão em algum lugar do seu peito com o se pudesse salvá-lo.

– Sy bil, você não pode fazer m ais nada por eles. – Andrei m e im pede quando tento m e levantar para ir até ela e assinto. Ele encosta a cabeça no m eu om bro, com um suspiro pesado, e levo a m ão ao seu cabelo, tentando m e acalm ar. Me inclino um pouco e sinto m eu estôm ago em brulhar quando vej o o núm ero de tiros que Victor levou e sei que não há chance nenhum a de que ele ainda estej a vivo.

– Alguém deveria tirá-la de lá – sussurro, porque acho que seria o que Victor gostaria que fizesse. Mas Felícia se agarra ao corpo dele com o se dependesse disso para continuar viva e não tenho coragem . Ela percebe que a observo e tenta se recom por, enxugando o rosto com a m ão boa, e não m e escapa o quanto ela parece um a criança atuando num a peça.

– Ele... m e salvou. Sem que eu precisasse m andar. Ele entrou no m eio do cam inho e m e protegeu – explica, surpresa, e fico confusa. Andrei levanta o rosto e trocam os olhares, o desconforto que sinto espelhado em seu rosto. Não consigo entender esse últim o gesto de Victor, que havia fugido de Felícia com tanto afinco.

Desisto de tentar entender e olho para trás, vendo que Leon ainda está desacordado, m as seu peito sobe e desce num ritm o constante, apesar do sangue em seu rosto. Um grupo de m em bros do Sindicato desce até onde estam os e tom am um cuidado redobrado ao prender os hom ens responsáveis pelo assassinato de Fenrir. Quatro prestam os prim eiros socorros a eles, e agentes, alguns com a m esm a faixa am arela do uniform e de Jorge, descem até o centro do plenário. Fico aliviada quando vej o vovó Clarisse entre eles e ela vem direto até nós, envolvendo a m im e a Andrei em seus braços, apesar dos ferim entos do garoto. Encosta o queixo na m inha cabeça, sem se im portar em suj ar sua roupa com o sangue seco que nos recobre.

– Vocês estão bem – ela sussurra para m im enquanto lim pa m eu rosto com a m anga da sua blusa, e eu sinto com o se m eu peito tivesse arrebentado; todas as em oções que contive até agora m e dom inam de um a vez.

Meu rosto fica quente, o coração de vovó Clarisse e o de Andrei batendo contra as m inhas m ãos, o rosto de Naoki aparecendo quando fecho os olhos, as palavras de Fenrir ressoando em m eus ouvidos, seu últim o olhar suplicante. Solto um som patético e todas as em oções vazam pelos m eus olhos, em soluços que fazem m eu corpo trem er todo. Sinto a m ão pesada nas m inhas costas, m e consolando, e vej o Rubi por entre m inhas lágrim as.

– Venha, nós j á podem os ir para casa.