Administrando Pessoas: crônicas sobre o cotidiano de um executivo de recursos humanos
7. A dimensão política dos cargos gerenciais
A DIMENSÃO
POLÍTICA DOS
CARGOS
GERENCIAIS
Em nosso país, a expressão “fazer política” tem tido uma conotação pejorativa. Mormente porque a classe política confunde fazer política com politicagem termo usado com propriedade para definir o que a maioria dos políticos faz no Brasil ou seja, adota uma postura voltada para atender seus próprios interesses ou de grupo minoritários que representa, sem qualquer preocupação com a “coisa pública”.
Aliás, este conceito vem sendo questionado firmemente nos últimos anos, após os sucessivos escândalos que ocorreram no país.
Entretanto, fazemos política constantemente em nossas atividades profissionais, sem que essas ações possam parecer pequenas ou mesmo inadequadas.
Em verdade, a genuína prática desta atividade demonstra o quanto um executivo pode, ou não, estar preparado um executivo para o exercício de cargos de maiores responsabilidades, pois, transitar, pela dimensão política de seus cargos, significa possuir um grau de amadurecimento profissional elevado que o coloca em um nível de “senioridade” compatível com cargos de topo das organizações. Acontece que na realidade empresarial, trabalhar com a dimensão política significa possuir habilidades gerenciais que habilitam o gerente a navegar por situações muitas vezes críticas, com desenvoltura e sem perder de vista os objetivos maiores da Organização.
Requer-se, dos executivos seniores, habilidades políticas capazes de fazê-los lidar com as mais diversas formas de pressão e com o poderoso jogo do poder, tão presente nas empresas, muito embora seja quase um tabu falar-se dele.
Trabalhar com processos de mudança, por exemplo, exige manejar, com habilidade política estratégica, o jogo de poder praticado nas organizações, para não colidir com ele e dele conseguir o apoio para as transformações esperadas.
Penso que o papel de facilitador de grupos de trabalho é o daquele que usa o poder em prol das metas organizacionais e melhor se encaixa no perfil do empreendedor moderno que não se deixa embriagar pelo fascínio do poder, mas dele se utiliza para transformar, construir.
Não se procede a qualquer tipo de mudança se não se tem poder. Ele é fundamental para que se realize o que se espera. Seu exercício, entretanto, precisa ser entendido com a temporalidade que permeia nossa existência. Se efêmero, portanto, que seja eficaz enquanto dure.
Quantas vezes um recuo estratégico vale mais que um avanço desordenado? Inúmeras vezes, diria eu, com minha experiência de mais de dezoito anos lidando com mudanças.
A vida vai nos ensinando a olhar o futuro a cada instante, especialmente em um mundo em constante transformação onde a capacidade de entender e facilitar tais mudanças exige muita habilidade política e pode ser, sem dúvida, um diferencial competitivo.