Administrando Pessoas: crônicas sobre o cotidiano de um executivo de recursos humanos

23. Entrevistas com executivos: entre a busca sincera de competência e a prepotência dos inseguros

ENTREVISTAS COM

EXECUTIVOS: ENTRE A

BUSCA SINCERA DA

COMPETÊNCIA E A

PREPOTÊNCIA DOS

INSEGUROS

 

Tenho tido experiências interessantes como entrevistador e às vezes, como entrevistado. Não raras oportunidades surgem em que você precisa usar toda sua experiência profissional e diria também pessoal, de vida mesmo, para concluir com resultados uma determinada entrevista, apesar de dificuldades que podem se apresentar, mas que precisam ser equacionadas.

Certa vez, convidado para uma entrevista com acionistas de um grande grupo empresarial, defrontei-me, para minha surpresa, com a arrogância de um dos entrevistadores que treinado no DÓI-CODI, de amargas lembranças, suposição minha, tentavam me encurralar com alfinetadas que deixavam transparecer sua insegurança de lidar com profissionais briosos, ao invés dos costumeiros vassalos.

Estranhos empresários da modernidade que discutem fácil sobre novos paradigmas, mas, atropelam a dignidade humana, sem o menor constrangimento. Como pretender implantar novos modelos de gestão, inspirados na participação e excelência, não fizeram ao menos seu dever de casa. Falam e propõem empowerment , como se este termo expressasse a mais simples ação gerencial, esquecendo-se de que este processo deve começar a ser operacionalizado pelo board ou então, simplesmente não funciona.

Mas, por outro lado, como educadores de adulto que somos nós, administradores de pessoas, devemos olhar para esses episódios como desafios que a vida nos oferece, como oportunidade de crescimento pessoal pois, entendendo as limitações daqueles que pretendem ser superiores, aprendemos a lidar com a fragilidade dos “fortes” e, portanto, temos a oportunidade de ajudá-los a compreender a complexidade do Ser Humano e com humildade e respeito, fazê-los sensíveis ao gerenciamento de pessoas.

O arcaico moderno é talvez o executivo mais difícil de lidar, pois considera-se um expoente da administração e confunde ter dinheiro com ser competente. Terrível e enganador dilema. Usualmente este tipo de personagem, possue forte instinto de especulação mas é, não raras vezes, inimigo da perenidade e do crescimento ordenado de seus negócios.

Bem, com ou sem essas figuras, o Brasil vai continuar crescendo e lutando para entrar no fechado clube do primeiro mundo, onde a competitividade exige competência e flexibilidade. Aqueles que não acordarem para esta nova realidade, com certeza pagarão em dobro o preço de sua incompetência, traduzida na “performance” de suas empresas.

Afinal, prepotência e arrogância de alguns dirigentes, nunca alavancaram resultados de qualquer organização. Ao contrário, aqueles que assumiram este tipo de postura, não raras vezes, amargaram o sabor da derrota. A história é testemunha.