Administrando Pessoas: crônicas sobre o cotidiano de um executivo de recursos humanos
25. Faze o bem, não olhes a quem
FAZE O BEM, NÃO
OLHES A QUEM
Durante muitos e muitos anos, não consegui entender a atitude de minha velha e querida mãe, quando ela procurava ajudar pessoas em necessidades e, não raro, não recebia o tratamento que eu julgava adequado para quem ia, muitas vezes, ao esforço máximo, ajudando o próximo.
Quando lhe perguntava sobre esse tipo de postura dos outros, ela me dizia sempre que não se deve fazer favor, objetivando retornos. E concluía: faze o bem, não olhes a quem.
Confesso que inúmeras vezes, por não entender o altruísmo de minha mãe, movia-me um sentimento de indignação em relação às atitudes assumidas por aquelas pessoas. Afinal, recebiam favores, muitas vezes fruto de imenso sacrifício pessoal e respondiam, não raras vezes, com desprezo e pouco caso.
Acho que a partir dos trintas anos, consegui finalmente compreender todo o significado daquela postura que tanto me cobria de dúvidas e de questionamentos. Ela fazia a sua parte.
A grande verdade é que não faz sentido, esperar das pessoas qualquer gesto de retribuição por ajuda que prestamos, de livre e espontânea vontade.
Parece natural que, a quem prestamos qualquer favor, olhemos com uma atitude de quem possui um crédito a ser executado impiedosamente a qualquer momento. A vida, entretanto, vai nos moldando e ensinando a nos sentirmos gratificados em fazer o bem, sem qualquer tipo de contabilização.
A satisfação pela possibilidade de poder ajudar nosso semelhante supera qualquer desejo de reconhecimento e é muito maior que a vontade repentina de ter uma retribuição qualquer.
Passageiros da vida, aprendemos que compartilhar é uma responsabilidade e servir uma obrigação. O transcorrer dos anos nos faz sentir a importância da humildade e, sobretudo, da tolerância. Tudo a seu tempo e sempre motivado por uma razão maior.
O favor que se pode fazer, vale muito mais pelo efeito e satisfação que pode produzir, do que pelo pretenso retorno que poderia gerar. No mais, quanto mais incógnitos possamos passar no processo, mais satisfação interior teremos.