Administrando Pessoas: crônicas sobre o cotidiano de um executivo de recursos humanos

21. A casa exige um bom alicerce

A CASA EXIGE UM

 

BOM ALICERCE

 

Ainda quando trainee, trabalhando em uma das maiores empresas do país, vivenciei um fato que muito me marcou. Ovídio dos Santos, nosso superintendente de fábrica, em fase de pré-aposentadoria, por todos nós conhecido como “o Velho”, não raras vezes sacava de sua grande experiência para enriquecer nossa aprendizagem.

Certa vez, um dos gerentes da fábrica foi promovido para um cargo importante na matriz e nós não conseguíamos entender o porquê daquela decisão, visto que nosso colega não demonstrava qualquer aptidão para o novo cargo. Aflitos, nós, trainees, ainda não completamente inteirados da cultura organizacional, procuramos “o Velho” para buscar mais informação sobre aquela tão discutida promoção.

Calmo, como sempre, Ovídio nos fitou a todos e calmamente disse: “Não se preocupem, as casas exigem um bom alicerce, senão, no primeiro vento forte, não resistem”. Entreolhamo-nos sem compreender muito o significado da frase do “Velho” que em seguida complementou: “Pessoas que não possuem a formação adequada, inclusive atitude, dificilmente conseguem se manter em um cargo que tem a responsabilidade maior pelo desenvolvimento dos trainees; é uma questão de tempo. Ele não vai agüentar muito, fiquem tranqüilos”.

Embora a todos parecesse um pouco profético, “o velho” sabia o que dizia e mais, nas entrelinhas, procurava nos dar uma importante mensagem que consistia em nos aprofundarmos nos assuntos de nossa responsabilidade, para trabalharmos sem sobressaltos.

De fato, Ovídio tinha razão, o tempo demonstrava que é necessário dominarmos os assuntos pelos quais somos responsáveis, não apenas pela segurança no suporte que podemos oferecer àqueles que conosco trabalham, mas também pela contribuição que podemos dar ao processo de inovação que, com certeza, virá a ser exigida em nossa área.

Quanto ao nosso amigo promovido indevidamente, aconteceu o previsto: sua gestão não durou o suficiente para marcar sua presença. Mais uma vez, “o Velho” nos dava uma lição de sabedoria e perspicácia. Afinal, a casa exige um bom alicerce.