Administrando Pessoas: crônicas sobre o cotidiano de um executivo de recursos humanos
19. A solidão do executivo e o computador
SOLIDÃO DO
EXECUTIVO E O
COMPUTADOR
Muitas vezes, sem que nós nos apercebamos, o computador exerce um papel importante em nossas vidas, longe do que propõem seus imensos recursos técnicos: a companhia solidária em momentos de recanto.
Pode parecer pitoresco ou até mesmo excêntrico, mas o micro cumpre o papel de fiel cúmplice, nos momentos em que, impotente por não ter com quem compartilhar assuntos que considera importantes, o executivo senta-se em frente ao seu monitor e começa um diálogo intenso, uma interação homem/máquina digna de registro.
Seja através de textos ou mesmo jogos, o micro exerce a capacidade de aliviar tensões e, até mesmo desviar a atenção do seu interlocutor para assuntos mais interessantes, em muitas oportunidades, mais produtivos.
Sem se dar conta do que realmente acontece, intuitivamente, o executivo “micreiro” navega pelo paradoxal mundo virtual, encontrando um parceiro que aceita suas idéias, reflexões sobre o que está produzindo, sem criar dificuldades, a não ser de forma muito sutil, reflexões sobre o que está produzindo, esta interação fantástica, fruto da lógica e da emoção, é capaz de gerar resultados que assustariam estudiosos comportamento mais céticos.
Como em um passe de mágica, alguns minutos de contato direto com o micro são capazes de reanimar a esperança adormecida bruscamente ou, mesmo, despertar uma vontade incrível de realização, talvez porque com sua lógica, o computador nos mostra um horizonte que apenas a imaginação de cada um de nós é capaz de vislumbrar.
Admirável mundo novo, o cibernético! Audaz, não impõe limites e isto é encorajador e desafiador para o Ser Humano. Estaria aí o poder de sedução destas máquinas? Ou as imensas possibilidades de realizar tarefas, das mais simples às mais complexas, exerce este fascínio? Não. Acho que não. Acredito que o papel de companheiro fiel e ouvinte atento, talvez responda a estas indagações de maneira mais efetiva, pois, na maioria das vezes, o que precisamos quando vivenciamos a solidão, é de um parceiro que saiba ouvir com discrição, nossos lamentos e decepções.
Assim, sorrateiramente, mesmo sem fazer parte oficialmente de seu script, o computador exerce um papel importante de minorar a solidão dos executivos, trazendo-lhes a oportunidade de serem ouvidos sem preconceitos e de trocarem idéias sem pré-julgamentos.
É um importante momento de conjunção da lógica com a emoção impulsionando o homem a superar a barreira da solidão.