Administrando Pessoas: crônicas sobre o cotidiano de um executivo de recursos humanos

5. A nova face de Recursos Humanos

A NOVA FACE DE

 

RECURSOS

 

HUMANOS

 

A forma de atuação da área de Recursos Humanos tem se transformado, passando de uma abordagem mais voltada para o uso de técnicas sempre mais sofisticadas, para um plano de ação mais ampla e próxima das áreas-cliente e dos negócios das empresas.

De repente começou-se a trabalhar mais “com” do que “para”. Isto traz grande mudança na forma de se obter resultados, a partir de um trabalho de convivência intensa com o dia-a-dia das demais áreas, o início do que hoje denominamos parceria.

Esta transformação não foi fácil, exigindo, além da mudança de postura, uma nova utilização de todo ferramental técnico disponível.

Foi preciso sair dos confortáveis gabinetes e ir a campo: conhecer o chão de fábrica, os processos fabris e, ao mesmo tempo, estar também junto da força de vendas, entendendo melhor suas dificuldades e aprendendo mais sobre o cliente e suas reais necessidades.

Se difícil foi constatar esta nova realidade, mais complexo foi aplicar tantas técnicas existentes, na ocasião certa e com resultados mensuráveis. Afinal, sempre tivemos muita dificuldade em definir resultados quantitativos, optando, quase sempre, pelo resultado como conseqüência e não como meta.

Em paralelo, por mais estranho que pudesse parecer, os melhores homens de linha mostravam-se, cada vez mais, dispostos a conhecer as funções e as técnicas de Recursos Humanos. Depois de grande hesitação, finalmente se descobriu a importância de se transferir tecnologia básica, de administração de recursos humanos para os detentores de cargo de supervisão, eles próprios gerentes de seus recursos humanos, para que pudesse acontecer um salto qualitativo, na forma de atuação da área e em sua contribuição à Organização.

Essa transformação do especialista de recursos humanos que, de uma visão introspectiva, voltada excessivamente para dentro de sua própria área, começasse a ver e entender o todo, foi um parto muito doloroso e difícil: depois de agregar tanto conhecimento específico e ter uma forma de atuação marcante, como passar, na nova postura, a navegar em águas estranhas e turvas ? Foi um tremendo desafio.

Sabemos que a mudança é um processo complexo e que tende a gerar, até no mais seguro dos profissionais, sempre um pouco de insegurança, mas, mais do que nunca, é preciso mudar pois, os ventos da globalização da economia e da competitividade estão chegando e chegando para ficar, acreditem ou não os mais conservadores.

Esta nova feição que começou a se desenhar na área de Recursos Humanos, onde novas necessidades de conhecimento e de operacionalização de conceitos começaram a exigir o aparecimento de novos profissionais, mais ecléticos e abertos às transformações. Avançamos muito na ampliação dos conhecimentos técnicos e na sua aplicação. Descobrimos, finalmente, que vivemos de resultados e que não é tão difícil mensurá-los.

Nesse meio tempo, novas áreas de atuação começaram a aparecer; primeiro a qualidade que, oriunda do setor industrial, transpõe os limites de sua aplicação direta sobre o produto, para permear todas as atividades desenvolvidas pela empresa e, como conseqüência, fazer chegar ao cliente um produto dentro de suas reais necessidades, com uma prestação de serviços efetivamente diferenciada; depois a produtividade, agora não mais restrita à maquinaria, mas, também e sobretudo, aplicada ao fator humano, campo até então muito pouco explorado.

Trabalhos de redução de níveis hierárquicos e reengenharia organizacional são hoje desenvolvidos, na busca de estruturas mais leves, flexíveis e ágeis, com embasamento técnico e, cada vez mais, independentes dos aspectos puramente pessoais.

Lembram-se dos famosos “acomodogramas” ? Estão em processo de extinção, apesar da enorme resistência que ainda se apresenta. Afinal, corporativismo não é privilegio de estatais, mesmo considerando que, na realidade presente, é quase impossível não deixar os incompetentes expostos.

Sem dúvida, hoje produzimos mais e melhor, com menos pessoas e esta realidade não vai mais retroceder pois o empresariado sentiu na carne o peso da recessão, a ameaça da concorrência (interna e externa) e a globalização da economia.

Por outro lado, a tecnologia da informação passa hoje por uma verdadeira revolução. O outsourcing é uma realidade. Surgem as redes e os bancos de dados relacionais. Ganha-se velocidade e qualidade nos processos decisórios. E o novo profissional de recursos humanos mostra-se apto a assumir este novo desafio, com o olhar voltado para o futuro, mas consciente de que o amanhã depende, essencialmente, do que realizarmos hoje.

Finalmente, formando o novo escopo de recursos humanos, temos a área de relações empresariais que privilegia nossa comunicação com a comunidade de trabalho e abre proveitosos canais de comunicação com as comunidades onde estamos instalados, além de alimentar nosso sistema de planejamento com informações importantes.

É de se destacar que, ao absorver estas novas áreas que dão um novo contorno organizacional ao perfil de atuação de Recursos Humanos, o profissional desta área passou a contribuir, no direcionamento estratégico da empresa, pensando e agindo como um verdadeiro homem de negócio, com sensíveis impactos nos resultados finais da organização.

É esta a nova face de Recursos Humanos que agora se apresenta, exigindo comportamentos e padrões de desempenho diferenciados. Sabemos que muitos empresários ainda não definiram bem esse novo espaço de atuação; contudo, a partir das contribuições desse “novo” profissional, com certeza saberão lhe oferecer condições mais adequadas de trabalho. É apenas uma questão de tempo.