Administrando Pessoas: crônicas sobre o cotidiano de um executivo de recursos humanos

10. De gerentes educadores de adultos a pais

DE GERENTES

 

EDUCADORES DE

 

ADULTOS A PAIS

 

Se traçarmos um paralelo entre nossa atuação como gerentes, cujo principal papel é de educador de adultos e o papel que exercemos como pais, logo, também educadores, vamos encontrar uma grande diferença de atuação em benefício do gerente, enquanto educador.

É relativamente fácil identificar o porquê desta distinção. Nas organizações que acreditam de fato nesse tipo de abordagem, apesar de poucas, somos preparados para exercer o papel de educador, enquanto que em nossas vidas, aplicamos técnicas e conceitos, a partir da nossa própria vivência, sem qualquer metodologia.

É no dia a dia, no convívio direto com nossos filhos, que aprendemos a aprender a difícil tarefa de educá-los.

Sabemos o quanto aprendemos com nossos filhos e com nossa própria experiência, neste rico processo de troca, especialmente quando nos dispomos a olhar para dentro de nós mesmos e, então descobrimos, muitas vezes, o jeito e a hora certa de uma abordagem mais séria.

O receio quase natural de encararmos a afetividade como parte do processo, nos faz, não raro, adotar um caminho pautado mais na lógica, como forma de resolver conflitos familiares que sempre passam por soluções com componentes emocionais mais fortes.

É preciso escutar o coração quando lidamos com nossos filhos. Nosso interior é rico e tem muito a contribuir nesse processo, onde o amor é um ingrediente a mais e o grande diferencial.

É verdade que não fomos preparados para educar nossos filhos de maneira não estruturada, especialmente em um mundo que se transforma a cada instante, exigindo de nós o que não fomos preparados para oferecer.

Repetir o passado não cabe, a não ser na transmissão de valores básicos, como honestidade, dignidade e honradez, pois, o mundo mudou de tal maneira, que as soluções que nos foram impostas já não fazem mais sentido.

E qual a saída? Qual o caminho mágico que nos faria superar tantas barreiras e construir um novo tipo de relacionamento? Em meu entendimento, somente o diálogo franco e transparente, permeado com muito amor e o exercício efetivo de nossa capacidade de ouvir poderão nos apontar uma saída.

Assim como nas organizações, em nossas vidas vale dizer que para problemas humanos, soluções humanas.

Olhar para dentro de nós é também um exercício extremamente válido e pouco utilizado. O coração tem muito a nos dizer e não precisamos ter vergonha disto. Afinal, no amor encontramos muitas respostas que a simples lógica não concebe.

A despeito do que ocorre nas organizações, onde somos desenvolvidos para agir como educadores de adultos, na vida familiar temos um quase bloqueio em usar todo o ferramental que aprendemos a manusear nas empresas. Seria certo afirmar que, quando lidamos com a afetividade, temos mais dificuldade para solucionar adequadamente problemas? Com certeza sim. O fato de tratarmos com a emoção e por não estarmos acostumados a ela, nos faz sentir mais insegurança que na realidade de trabalho, onde mesmo que a emoção exista, e existe, fomos, muitas vezes, “treinados” a mascará-la, especialmente, pela antiga escola de gestão.

Evidentemente que, com a evolução das relações capital/trabalho, novos padrões de comportamento gerencial vêm sendo incorporados pelos detentores de cargo de supervisão, facilitando o desempenho da função de educador por parte dos gerentes.

Mesmo assim, gerentes educadores de adultos, treinados nas organizações para desenvolver habilidades para melhor aproveitar o potencial dos seus colaboradores, sofrem quando têm que assumir o papel de pai, educadores de seus próprios filhos, provavelmente porque se inibem em aplicar muitos dos conhecimentos adquiridos na realidade empresarial.

Assim, conhecendo como lidar de forma educativa com nossos colaboradores, precisamos nos esforçar para assumirmos a mesma postura em relação aos nossos filhos. Com toda certeza, assim procedendo muito evoluiremos no exercício de nosso papel de pai. Vale tentar.