Administrando Pessoas: crônicas sobre o cotidiano de um executivo de recursos humanos

20. Pai utilidade: um novo desafio

PAI UTILIDADE : UM

 

NOVO DESAFIO

 

É muito complicado aceitar mudanças dramáticas que acontecem na vida da gente, mesmo já tendo percebido que a grande maioria delas também acontece com outras pessoas, e fazem parte do processo de evolução, diríamos natural, das relações entre pessoas da mesma família.

Com o passar dos anos, valores vão se alterando na direção do egocentrismo e do “corporativismo” familiar, formado pela conjunção de interesses ou pelo instinto de sobrevivência. Tais mudanças, em minha opinião, ressaltam a necessidade da independência vinculada, ou seja, deseja-se a ampla autonomia, mas com o uso dos benefícios ou utilidades do mantenedor e, paralelamente, tendem a criar uma “aliança” entre aqueles que defendem o status quo e os que apoiam o novo desafio, mas que querem ainda continuar a se utilizar de algumas facilidades existentes.

Pode parecer uma tremenda incoerência ou mesmo uma dicotomia de comportamentos, mas, em verdade, é uma fase em que, ao invés de se tentar um crescimento conjunto, opta-se por crescer tentando sufocar aqueles de quem provêm, considerados “ultrapassados” e, portanto, à margem do processo.

O que se fez foi por pura obrigação! Agora, é a hora e a vez de saírem na busca de suas identidades, esquecendo-se, muitas vezes, que todos somos frutos de nossa própria história e que não podemos esquecer o passado, pois ele nos faz estarmos aqui, bem ou mal, mas aqui e agora.

Na tola percepção de que o mundo gira ao seu redor, esquecem-se estes novos arautos de uma pseudo “nova era”, que o processo de evolução da vida não excluí ninguém e que este poder de exclusão não pertence aos simples mortais.

O direito à felicidade é de todos e a todos cabe lutar para vivê-la intensamente, nem que seja por um simples instante, que a verdadeira sabedoria transforma em eternidade.

O papel de pai dentro deste contexto, questionado por sua visão “não atualizada” do mundo, mas ainda com diversos e importantes recursos a serem utilizados, torna-se Kafkanianamente utilitário, diríamos.

Difícil é imaginar que o “pai utilidade” vá olhar disfarçadamente para estes acontecimentos, deixando-se abater por estas novas pérolas do “comportamento moderno”, sem assumir qualquer tipo de atitude. Afinal, se todos têm o direito inalienável de buscar a felicidade e para isso não é necessário a concessão de “visto” por parte de ninguém, como ficam os novos arautos desta modernidade anacrônica e seus seguidores ? Imaginam uma postura passiva e contemplativa por parte do “pai utilidade” ? Difícil imaginar, tendo em vista tantas alternativas e caminhos que o Ser Humano pode gerar, a partir de novos desafios.