Administrando Pessoas: crônicas sobre o cotidiano de um executivo de recursos humanos

29. Aspectos da democracia industrial

ASPECTOS DA

 

DEMOCRACIA

 

INDUSTRIAL

 

Vivenciar o processo democrático dentro das organizações exige muita habilidade gerencial, na medida em que a delimitação de territórios e a definição clara dos papeis, são essenciais para o funcionamento adequado das estruturas organizacionais.

Em verdade, os detentores de cargos de supervisão são exigidos, a cada instante, no sentido de fazer funcionar o novo modelo, mais participativo, sobretudo na forma de trabalhar com seus subordinados, onde o feed-back é constante e de caráter educativo.

É fácil pressupor que pode existir um certo embaralhamento de conceitos, na operacionalização de modelos mais participativos, visto que, não se esclarecendo adequadamente os conceitos e os papéis, a tendência é que se confunda quem é responsável por que. Daí os conflitos passam a ser quase inevitáveis. Também nessa realidade, surge campo fértil para a disputa de poder, muitas vezes dissimulado mas presente. É evidente que estes espaços, abertos pela indefinição de conceitos, tendem a ser ocupados por profissionais com necessidade de auto-afirmação e vontade de exercer uma liderança não legitimada. Dentro desse contexto, a falta de coesão grupal pode aparecer como elemento importante, contribuindo para a não-afirmação do grupo diante de seus clientes internos ou externos.

Todos esses elementos juntos impactam a “performance” do grupo e minam a liderança natural. Isto pode ser traduzido pelo não comprometimento com as decisões tomadas pela equipe e pela ausência de uma linguagem uniforme e comum. Assim, a somatória destes componentes tende a provocar uma queda no desempenho do grupo e uma descrença em suas reais possibilidades.

O caminho parece ser o de se fazer um grande esforço para se convergir para objetivos comuns, discutidos e aceitos pela maioria, e partir para a ação, com a consistência gerada pelo entendimento dos conceitos e sua prática. Definidos os limites e papéis, fica fácil navegar nas turvas águas da democracia industrial. Sobretudo, quando conscientes de suas funções, os membros do grupo colocam as prioridades do mesmo acima dos interesses individuais.