Administrando Pessoas: crônicas sobre o cotidiano de um executivo de recursos humanos
36. As difíceis decisões em grupo
AS DIFÍCEIS
DECISÕES EM
GRUPO.
Tenho vivenciado situações interessantes quando trabalho em grupo e sou levado a tomar decisões, também em grupo. Tais situações revelam ambigüidades que conceitualmente não aceitamos, mas que, na prática são realidades.
A primeira delas relaciona-se com nossa habilidade de discutir (construtivamente), temas que podem gerar várias interpretações, mas que exigem a convergência para uma única decisão. Difícil aceitar e “piramidar” em cima das idéias dos outros, sem usar o silêncio do aparente escutar, para buscar fortes contra-argumentações, muitas vezes necessárias, simplesmente, porque não nos propusemos a ouvir atentamente nossos interlocutores e a aproveitar adequadamente seus apartes.
Certas atividades tendem a nos levar a entender e aceitar melhor o papel de membro de uma equipe, com um pouco mais de facilidade, na medida em que nos levam aos bastidores do espetáculo, longe dos refletores, embora tenhamos e saibamos que temos uma contribuição importante na “peça”. Com certeza, quem trabalha em áreas de apoio sabe bem do que falo.
Bem, se é difícil chegar a uma decisão consensual, muito mais é aceitá-la e praticá-la como sendo uma decisão de todos, embora assim deva ser. Afinal, como fica um grupo que após longa discussão, decide por uma alternativa e alguns poucos membros que não tiveram argumentos convincentes, técnicos ou políticos, manifestam sua insatisfação para pessoas estranhas ao grupo ? Um desastre! Essa atitude, em minha opinião pouco profissional, mina de forma paulatina e inapelável a imagem do grupo e revela que o pior do ranço do individualismo ainda não acabou.
Por outro lado, todos sabemos que trabalhar em grupo não é viver em constantes reuniões. Muitas e muitas vezes, somos levados a decidir, face à variável tempo, por exemplo, sem ter a oportunidade de consultar todos os membros do grupo e nem por isso deixamos de estar trabalhando em grupo; mesmo porque, com o envolvimento, a posteriori, fica salvaguardada a integridade do mesmo.
Nestas ocasiões, onde a dimensão tempo pressiona para uma tomada de decisão rápida, o que acontece com muita freqüência, a consistência do grupo precisa ser mantida e as possíveis divergências discutidas única e exclusivamente com quem de direito ou em fórum apropriado, para se manter a coesão grupal aos olhos dos clientes internos.
Assim, embora possa parecer fácil compartilhar decisões, a experiência nos mostra o quanto é difícil lidar com opiniões contrárias às nossas, mesmo quando indiscutivelmente melhores. O caminho, para superarmos esta limitação está em se trabalhar com franqueza e abertura, na busca da melhor alternativa, sem preocupação maior com a autoria. Afinal, nosso papel como profissionais de Recursos Humanos está em atuar competentemente nos bastidores, responsáveis, muitas vezes, pela “performance” daqueles que, iluminados pelos refletores, recebem os aplausos da platéia.