Administrando Pessoas: crônicas sobre o cotidiano de um executivo de recursos humanos

28. Os excluídos das mudanças

OS EXCLUÍDOS

 

DAS MUDANÇAS

 

O número de desempregados no País é grande e cresce sistematicamente. Críticos atribuem este fato aos sucessivos enxugamentos das empresas e eu acrescentaria que as constantes mudanças de rota da economia brasileira também são responsável por parte importante deste contigente de desempregados.

Cenários mudam constantemente, mas o que fazer ?

Como sabemos, a competitividade acirrada e a globalização da economia, têm exigido um novo perfil dos colaboradores, através da introdução de novas técnicas de gestão empresarial, do chão de fábrica ao topo das organizações e, na corrida contra o tempo, os empresários agem com rapidez. Mas, em muitos casos, os processos de seleção utilizados para definir quem deve ficar são ainda incipientes, procedendo-se a trocas inadequadas que mais adiante voltam a provocar novas demissões e novas buscas de pessoal, cujos custos por serem indiretos, ainda não são valorizados.

Assim, pessoas são demitidas por não possuírem as habilidades requeridas e também não são absorvidas pelo mercado de trabalho pelo mesmo motivo. Triste constatação. Esta situação tende a se tornar um círculo vicioso que pode marginalizar ainda mais o desempregado e o mais significativo: roubar-lhe a esperança, a dignidade.

Acredito que um esforço conjunto da sociedade civil organizada, pode provocar um impacto significativo no desemprego, na medida que desenvolva alguns programas voltados a atualizar a mão de obra sem emprego, agregando-lhe novos conhecimentos e habilidades, preparando-a para enfrentar novas oportunidades de trabalho.

As empresas e entidades tais como Rotary Club, SENAC, SENAI, associações de classe e sindicatos, por exemplo, mobilizadas por suas responsabilidades sociais, podem unir esforços para viabilizar cursos e seminários de atualização profissional, a custos baixíssimos que podem gerar bons resultados, tendo em vista a representatividade e know-how que possuem.

E o SEBRAE ? Também poderia ajudar a formar novos microempresários, contando com o auxílio de bancos governamentais, no fomento de novos empreendedores. Afinal, se a terceirização é uma realidade ainda pouco explorada, não estaria aí, por exemplo, uma grande oportunidade ? É muito provável que exista um número expressivo de novos e possíveis empreendedores, ainda não descobertos nesse universo.

Como é possível encontrarmos soluções, com criatividade e determinação? Fica um alerta: o importante é buscarmos soluções simples, fáceis de serem operacionalizadas e desburocratizadas. Por enquanto, é preciso que deixemos soluções mais intelectualizadas para processos mais complexos. Neste exato momento, resgatar a cidadania desta massa de marginalizados é urgente e prioritário, exigindo a contribuição de todos aqueles que, não excluídos da sociedade, possam oferecer o melhor de seus esforços. A causa é nobre.