Administrando Pessoas: crônicas sobre o cotidiano de um executivo de recursos humanos

41. O autor a duas vozes

O AUTOR A DUAS

 

VOZES

 

Assim que sentei para escrever estas notas, lá estava ele, diante de mim, os olhos cheios de simpatia e o sorriso de quem se predispõe a compreender. Foi fácil reconhecê-lo.

-Ovídio, você por aqui?

Era de fato, “o velho”, como todos chamavam, carinhosamente, o superintendente da fábrica Recife, da Souza Cruz.

Eu o conhecera há pouco, apresentado por Fernando Antônio da Silva, em seu livro “Administrando Pessoas”.

O autor, então com 24 anos e ainda um simples trainee, fora atropelado verbalmente por um chefe de seção: “vocês, trainees, têm formação superior, mas não sabem de nada; vivem chateando a gente com perguntas imbecis”.

“O velho” acalmou a revolta do jovem com esta lição de vida: “na existência, filhote, a compreensão tem de partir do mais esclarecido. É você que tem que procurar compreendê-lo e não o contrário, como você pensa”.

- Ovídio, você por aqui?

- Vim porque talvez possa ser útil.

- Acertou, como sempre. Você conviveu com

Fernando. Sabe quanto ele ama o que faz.

Gostará de saber que, vivendo no sul há cerca de

20 anos, morando hoje em São Paulo, ele ocupa,

na VCP - Votorantim Celulose e Papel, o cargo

de diretor administrativo.

- Sempre imaginei para ele um futuro de sucesso.

- Fernando Antônio, que sonhava ser arquiteto,

acabou, por vocação humanista, formando-se em

Administração de empresas. Tornou-se um

expert em Recursos Humanos. E é curioso

lembrar que tudo começou na Souza Cruz, em

Recife. Depois disso, ele passou pelo antigo Peg

& Pag, pela Roche, Eternit, novamente Souza

Cruz e pelas Indústrias de Papel Simão. Pegou

em cheio - e, aplicado como é, absorveu

inteiramente - o impacto da globalização.

- Já em nosso tempo a divisa era: fazer sempre

bem o que tem que ser feito.

- Leia o livro. É um proveitoso passeio por entre

surpresas e revelações. A oportunidade de dividir

com o cronista a influência da visita que fez ao

Japão, seu envolvimento íntimo com a verdadeira

reengenharia, o TQC e com outras tecnologias,

enfim, subsidiam no presente Recursos Humanos.

- Os mundos por onde tem andado meu

“trainee”!...

- Fernando vai além dos limites do RH. Defende

estratégias e conceitos que apontam para a

substituição do antigo e conflitante ganha/perde,

para o moderno e conciliador ganha/ganha. Faz

mais. Transpõe para o cotidiano as “leis” do

moderno Recursos Humanos. E obtém com isso

verdadeiras lições de comportamento. Veja estas

páginas...

- Um momento, desculpe a interrupção. Penso

que a apresentação de um livro deve ser feita

como se se tratasse de um filme: ficar nas

impressões gerais, não contar toda a história e

muito menos o desfecho. Isso estragaria o

interesse e o prazer do outro em ver e ele próprio

descobrir o que lhe reserva o tal filme. Concorda?

- Em gênero, número e grau.

- Então, adeus, já vou indo. Até o próximo, meu

caro.

- Até o próximo, “velho”. E muito obrigado,

amigo.

 

Depois que Ovídio se retirou, senti que era oportuno acrescentar um post-scriptum ao nosso “diálogo”. Ficou assim:

“Administrando Pessoas”, de Fernando Antônio da Silva, merece a atenção de executivos de Recursos Humanos, de Diretores funcionais e operacionais e de estudantes da matéria.

Merece também a reflexão de membros de Conselhos de Administração, comumente longe demais do maior patrimônio de uma empresa: gente.

É uma valiosa contribuição de um bem sucedido profissional de Recursos Humanos.

 

Janeiro de 1996,

Paschoal Ricardo Netto

Foi Presidente Executivo das Indústrias Gessy Lever Limitada(1974-84). É atualmente sócio da Patri Consultoria e Assessoria Ltda., com sede em Brasília.