Administrando Pessoas: crônicas sobre o cotidiano de um executivo de recursos humanos

16. Novas negociações sindicais

NOVAS

 

NEGOCIAÇÕES

 

SINDICAIS

 

Tenho participado de muitas negociações com sindicatos dos trabalhadores ao longo de minha carreira. Assim, tenho sido também um observador privilegiado pois, ao mesmo tempo que participo das tratativas, aproveito para avaliar a “performance” dos negociadores, utilizando minha capacidade de abstração.

Registro o despreparo das partes envolvidas que demonstram uma quase aversão à postura do “ganha/ganha”, para praticarem o jogo do “ganha/perde”, onde há sempre um vencedor e um perdedor. É óbvio que uma negociação não é um fato isolado: inicia-se uma outra assim que findada a primeira, sendo esta, porém carregada com toda emoção gerada pela outra. E todos conhecemos a importância do clima para o bom andamento de uma negociação.

Primeiramente, considero que o empresariado, imediatista em tese, foca sua atenção na negociação, não considerando que, existindo um clima organizacional adequado em relação a seus empregados, a negociação passa a ter um valor secundário. Ora, agindo-se adequadamente, melhorando-se as condições de trabalho, bem como procedendo-se a um acompanhamento da remuneração paga por empresas similares e, como conseqüência, praticando uma política de compensações plausível, com certeza estaremos contribuído para um clima favorável a empresa, com pouco espaço para reivindicações sindicais.

Por outro lado, os sindicatos, por perceberem espaços políticos que podem ser ocupados com conquistas nas mesas de negociação, passam a assumir uma postura mais dura, muitas vezes radical, por acreditarem no respaldo que a categoria que representam estaria a lhes dar. Tenho certeza, de que uma parcela importante dos trabalhadores optaria por outro caminho para suas conquistas, caso existissem alternativas, como por exemplo: o diálogo direto com os empregadores e a antecipação no atendimento de solicitações plausíveis.

Mesmo considerando que a raiz do problema está na estrutura sindical vigente e na cultura empresarial brasileira, ainda impregnada pelo paternalismo exacerbado, suportado pelo intervencionismo do estado, acredito ser possível construírem-se novas bases de relacionamento entre capital e trabalho, mais sadio e produtivo, a partir do estabelecimento de novos paradigmas que referendem um novo modelo de comportamento nas negociações.

Este novo alicerce seria erguido, a partir de uma mentalidade empresarial menos preconceituosa e mais pró-ativa que olhasse o negócio mais a longo prazo, sem perder de vista a continuidade da empresa; seria possível passarmos para um novo patamar de integração e de produtividade, com encargos sociais mais justos e menos onerosos, legislação social mais flexível, com um mínimo de regulamentação e com a maioria dos itens negociados diretamente entre empresa e sindicatos, salários livres de indexadores e negociados livremente, sem interferências governamentais

É certo que levaríamos um tempo para aprender a conviver com esta nova realidade, mas, também é certo que logo estaríamos em um novo nível de relacionamento com nossos empregados e seus representantes, mais maduro e profissional, com impactos significativos sobre a produtividade das companhias e com melhoria na qualidade das relações do trabalho.