Administrando Pessoas: crônicas sobre o cotidiano de um executivo de recursos humanos
17. A enxaqueca e o executivo
A ENXAQUECA NA
VIDA DO
EXECUTIVO
Sorrateiramente ela vem, silenciosa mas perceptível. Envia os primeiros sinais, para depois atacar, de maneira arrasadora, aqueles que não se preveniram. É a enxaqueca, velha companheira de tantos executivos.
Causas? Tantas que é difícil defini-las. Aliás, os médicos atiram em tantas direções que nós, simples mortais “enxaquecosos”, ficamos atônitos com tantas possibilidades.
Mas, o tempo nos ensina a conviver com ela. Nossa percepção fica acurada e somos, na maioria das vezes, capazes de prever as crises. Mas, quando confiantes demais, deixamos para tomar nossa neosaldina um pouco mais tarde, ela chega para ficar e aí, somente o quarto escuro e o aconchego de nosso travesseiro consegue acalmar a violência da crise, após algumas horas de sono.
E quando ela resolve atacar no meio de uma reunião importante? É desespero total, pois onde está a maravilhosa neosaldina? Não nos prevenimos. Então ela vem, nos enche de dor, nos tira o humor e capacidade de raciocinar. Se estão usando retroprojetor, a fotofobia logo se instala. É o caos. Mas, é preciso manter a pose, como se nada nos tivesse acontecendo. E a neosaldina? Quem nos tirou? Onde a esquecemos?
Médicos? Cada um tem uma teoria de um mês. Tempo necessário para a enxaqueca destruí-la e provar que pouco evoluímos em seu entendimento.
A grande verdade é que o tempo nos ensina a conviver com ela e a não mais acreditar em panacéias milagrosas. Cada um de nós, enxaquecosos de carteirinha, tem a sua neosaldina salvadora.
E quem não tem enxaqueca? Ah! Quem não a tem não imagina sua ação devastadora. Olha com um certo desdém para os “enxaquecosos” em crise e não acredita que uma “simples” dor de cabeça possa provocar tanto mal-estar.
Enxaqueca é doença? Os céticos dizem que não, que tudo não passa de uma simples tensão emocional.
Bem, ter companheiros de sofrimento famosos como Freud, João Cabral de Mello Neto, Charles Darwin, Virgínia Woolf, entre outros, já é um certo conforto. Mas e a neosaldina?
É até possível afirmar que executivo que se preza tem que ter sua enxaqueca. Afinal, com tanta pressão e pouca qualidade de vida criam-se condições ideais para que os gatilhos que a disparam entrem em funcionamento. Tente, em uma roda informal, falar da dita cuja e você vai se surpreender com quantos padecem desse mal.
Bem, enquanto não vem a cura que encherá de milhões de dólares os cofres do laboratório que a descobrir, viva a neosaldina!