Administrando Pessoas: crônicas sobre o cotidiano de um executivo de recursos humanos

33. Across the borderline

“ACROSS THE

 

BORDERLINE”

 

Hoje, 03/07/93, curtia eu o último CD de Willie Nelson, comemorativo de seus 25 anos de carreira (aliás tão bom quanto “Stardust”, um disco fantástico, lançado no final da década de 70), quando me tocou o tema do disco. Além da música ser muito bonita, seu conteúdo nos faz deixar livre a imaginação para, por exemplo, pensarmos em quando é que chegará o dia de atravessarmos mais uma “fronteira”, em nossas vidas.

O cotidiano implacável limita nossa capacidade de abstração e nos impõe uma visão cartesiana do mundo. A lógica e os números prevalecem sobre os sentimentos e somos levados a pensar e agir, limitados por estes referenciais.

Quando estaremos prontos para, mais uma vez, cruzarmos a fronteira e iniciar um novo ciclo de nossas vidas?

Difícil dizer, pois nossa educação nos formou inseguros diante do desconhecido e a vida nos ensinou o valor da cautela, mesmo quando precisamos fugir da mesmice e dar um passo mais ousado, rumo ao que nós não conhecemos ou dominamos.

O mundo já não é mesmo de alguns minutos atrás, as mudanças se sucedem em uma velocidade louca que nos atordoa e muitas vezes nos paralisa.

Quando iniciou-se nossa educação, as transformações se processavam lenta e evolutivamente, como que nos chamando a participar, sem pressa, e com a certeza de que todos se sentiriam partícipes de todas as mudanças.

Mas as regras do jogo mudaram. Não basta apenas a formação cartesiana, para entender as grandes mudanças. É preciso abstração para repensar o futuro e traçarmos alternativas que a linearidade possui dificuldades para entender.

O mundo não nos fez limitados. Ou nós nos impusemos limites ou fomos levados a acreditar que eles estão muito mais próximos do que na realidade estão.

Os limites, desconhecemos, até o momento que ousarmos conhecê-los. E vale a pena tentarmos.

Não há porque temer o inusitado. Basta que estejamos abertos a aprender e entender o real significado das transformações. Com certeza, a dimensão humana passa a ter o valor adequado que lhe deve conferir a sociedade, sem desculpas ou falsos pretextos.

Para atravessarmos mais uma fronteira e iniciarmos um novo momento em nossas vidas, precisamos romper o medo do desconhecido e estar preparados para saborear as surpresas do amanhã. Como o artista em sua canção, que se permite navegar pelos limites da imaginação, nós, humildes mortais, precisamos mergulhar em nosso interior para depois emergir com a coragem de enfrentar novos desafios e abandonar velhos paradigmas que nos impõem limites e que nos inibem a experiência do que nunca vivenciamos.

A fronteira está próxima. Ousemos, atravessá-la sem medo e com vontade de usufruir os frutos de seus novos encantos, embora nos custe o desconforto do encontro com o desconhecido.

Across the borderline.