Administrando Pessoas: crônicas sobre o cotidiano de um executivo de recursos humanos
14. Remuneração: uma nova saída
REMUNERAÇÃO:
UMA NOVA SAÍDA ?
Sempre me inquietaram os critérios adotados para remunerar os cargos, a partir de seu valor relativo, porque entendia que o foco deveria estar nas habilidades que deveriam ser pagas por elas.
Engessar as pessoas nos cargos também sempre me pareceu inadequado pois, se o nível de contribuição é diferente de pessoa para pessoa, diferente também deveria ser a remuneração.
Mas, a existência de sistemas de cargos e salários, já testados e aprovados, inibiam toda e qualquer tentativa de inovação. Até então, nunca tinha me ocorrido que, quebrando os velhos paradigmas organizacionais, poderíamos questionar os modelos tradicionais de cargos e salários e ousar, trazendo novos sistemas de remuneração baseados na competência ou habilidades.
Aqui cabe um elogio à reengenharia: com a necessidade de quebra de paradigmas, abriu-se um campo vasto para rediscutirmos os sistemas de remuneração, sem maiores traumas. Afinal, com tantas mudanças na realidade de trabalho, tais como estruturas horizontalizadas, trabalho em times e
multifuncionalidade, por exemplo, tornou-se impossível a utilização dos antigos sistemas de cargos e salários .
Era o de que precisávamos. A partir das novas estruturas, dos novos papéis e de suas exigências em relação às aptidões, é perfeitamente possível construir um sistema de remuneração completamente integrado ao modelo de gestão e pagar as pessoas pelas competências, que são utilizadas em suas novas atribuições.
Mas, este novo sistema traz ainda outros benefícios, pois, não bastando ser um sistema mais justo, em meu entendimento, estimula o crescimento das pessoas, levando-as a adquirir mais conhecimentos e possibilidades, além de remunerá-las, antigo desejo de todos aqueles que trabalham com pessoas.
Complexo? Nem tanto. Basta imaginar que para exercer determinado papel, como membro do time X, por exemplo, o colaborador precise dominar o idioma inglês. Imaginemos também que para chegar ao domínio da língua existissem três estágios distintos: em treinamento, praticando com fluência e praticando com pleno domínio. Pois bem, para cada estágio, este colaborador teria uma remuneração que somada àquela pelas demais habilidades que possuísse e praticasse, lhe daria a remuneração fixa final.
Poderia haver casos de paradigmas, neste novo sistema, perguntariam aqueles mais preocupados com o rigor de nossa legislação trabalhista. E a resposta seria que com este novo sistema haveria muito menos riscos que hoje, pois as diferenças de habilidades seriam conhecidas por todos e isso tenderia a inibir ações reclamatórias, fruto de possíveis paradigmas.
Bem, já que este novo sistema parece ótimo, por que já não está no ar? Simplesmente porque sendo novidade, estamos aprendendo, na medida em que avançamos com sua elaboração e em segundo lugar, porque também precisa ser concebido sob medida, adequado ao desenho organizacional proposto. Mas, não tenhamos dúvidas, finalmente encontramos a resposta para antigas questões: as pessoas passarão a ser pagas por suas competências!