Administrando Pessoas: crônicas sobre o cotidiano de um executivo de recursos humanos
34. Mitos da meia-idade
OS MITOS DA MEIA
IDADE.
Certa vez assisti a uma discussão interessante entre um jovem que exercia um cargo de direção geral e seu subordinado quarentão. Empolgado, em determinado momento, o jovem disse ao seu subordinado que ele precisava se cuidar mais, pois, segundo suas convicções, seu subordinado havia passado da meia idade e, nas entrelinhas, isto significava mais limitações que possibilidades.
Muitas vezes, os jovens esquecem que um dia todos tivemos suas idades e, o mais importante, ousam falar, possuídos de uma experiência que ainda não adquiriram e de uma suposta sabedoria que só vem com o tempo e somente para aqueles que optam pela paciência e pela reflexão.
Já tendo caminhado mais de dois terços de minha vida, venho descobrindo que a melhor idade para se viver é exatamente aquela que se está vivendo. Em verdade, troca-se o conceito de quantidade pelo da qualidade e descobre-se um fantástico mundo cheio de novas cores, onde o encontro consigo mesmo passa a ter uma importância significativa.
Se às vezes falta vigor físico, sobra sabedoria, paciência para lidar com os impulsos dos iniciantes e capacidade de conviver com situações complexas, sem o destempero dos apressados.
Há pessoas que passam pela vida com tal velocidade que nunca distinguiram a beleza do canto dos pássaros ou o romantismo de um entardecer. Talvez, não tenham tido tempo de sonhar, privando suas almas de seu maior alimento ou mesmo de sair de seu egocentrismo e pensar um pouco mais nos menos afortunados.
No amor, então, não descobriram a importância da parceria, de se dar por inteiro, sem nada exigir e sonhar os sonhos dos apaixonados. É possível até que, com sua pressa, não tenham entrado em comunhão com o Universo, no momento da relação maior.
Mas, não devemos olhar e julgar os mais jovens por suas ações impulsivas. Criados em um novo mundo, diferente do nosso de anos atrás, onde as informações assumem um papel essencial e as transformações ocorrem cada vez mais rápidas, estão eles tentando construir um novo amanhã, ligeiramente apressados, mas preocupados com justiça e qualidade de vida.
Por isso, nós de “meia-idade”, compreendemos o ímpeto dos apressados, pois sabemos que um dia muitos deles, na “meia-idade”, olharão o mundo diferente, com outras lentes e com os sentidos mais acurados e sensíveis.
Afinal, também já aconteceu conosco e a reflexão nos fez repensar nossas atitudes, colocando referenciais de conduta mais adequados, alinhando nosso comportamento às expectativas do cotidiano. Portanto, compreendamos os jovens que ainda pensam ser “donos” do mundo.