Administrando Pessoas: crônicas sobre o cotidiano de um executivo de recursos humanos

12. Liderança ou facilitação

LIDERANÇA OU

 

FACILITAÇÃO ?

 

O conteúdo da liderança tem se transformado através dos tempos, passando do uso excessivo da autoridade, para um conceito que envolve uma postura menos impositiva, alicerçada no conhecimento e atitude condizente com a habilidade requerida para de lidar com pessoas.

Em verdade, embora aceito por todos, este conceito tem tido dificuldade de ser posto em prática, na medida em que altera a forma de lidar com subordinados: ela passa a ser mais próxima e assume uma característica de facilitação(líder que assume a postura de trabalhar com seus colaboradores), embora pessoas bem-sucedidas ou empresas vencedoras já pratiquem este novo modelo.

É difícil mudar quando se tem sucesso, embora a sabedoria nos ensine que o importante é olhar o futuro e dele tirar os ensinamentos para o presente. Complicado é mexer em “time que está ganhando” ou, mesmo, sensibilizar um executivo bem sucedido para perceber que chegou a hora de mudar de atitude, quando os resultados ainda são bons.

Acredito que a transformação rápida e acelerada por que estamos passando, tem sensibilizado os executivos em geral e, até diria a classe operária para este novo contexto de relacionamento entre superior e subordinado. Estes novos componentes da sociedade pós-industrial possuem outros padrões de exigências quanto à qualidade de vida, condições de trabalho, clima organizacional, entre outros.

Informações do mundo desenvolvido invadem residências, desde às do mais simples operário, às do executivo de nível mais elevado; intercâmbio com outros países mais desenvolvidos e o hábito da leitura mais seletiva, oferecem-lhes colocam uma nova realidade, onde passam a ser atores e não mero espectadores.

O interessante é perceber que esta mudança é benéfica a todos, pois, se por um lado mexe com o antigo conceito de “autoridade” dos cargos de chefia, fazendo-os agir muito mais como facilitadores, com uma atuação muito mais qualitativa, por outro lado leva a força de trabalho a ter mais autonomia para executar seu trabalho, produzindo mais, sentindo-se feliz.

Ainda encontramos gerentes que pensam diferente, mas, com certeza, o fantasma da obsolescência já começa a rondá-los.

Em minha experiência, o grande trabalho com esse pessoal mais resistente às transformações é encontrar uma forma mais efetiva de tocá-los, em relação às mudanças ocorridas e a ocorrer, na tentativa de se obter aliados para os novos desafios. Encontrar atividades de treinamento com conteúdos mais adequados, até mesmo buscar um “Big Boss” que entenda e banque a mudança, são formas simples que têm dado resultados, aliadas a incentivos intrínsecos e extrínsecos (reconhecimento e encaminhamento para atividades específicas) e à prática do auto-desenvolvimento.

Em administração não existem fórmulas mágicas, especialmente quando lidamos com pessoas. Mas uma boa dose de experiência, aliada à persistência e à utilização correta de todo instrumental que a educação de adultos coloca à nossa disposição, com certeza e com raras exceções, oferecem possibilidade de mudanças a colaboradores-chave , com resultados positivos.

Por outro lado, é bom reafirmar que ninguém muda ninguém, mas o indivíduo sensibilizado tem uma grande probabilidade de assumir a mudança. Pois ele, e somente ele, opta ou não pela mudança.