Aguapés

Jhumpa Lahiri · Capítulo 2 de 37

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Aguapés

Capítulo I

1.

 

A leste do Tolly Club, depois que a Deshapran Sashm al Road se divide em duas, há um a pequena m esquita. Passando a curva, chega-se a um enclave tranquilo. Um aglom erado de ruas estreitas e casas, na m aioria, de classe m édia.

Antigam ente, neste enclave, havia dois lagos, ovais, um ao lado do outro. Além deles, ficava um a baixada ocupando alguns acres.

Depois da m onção, a água dos lagos subia e o aterro entre eles sum ia de vista. A chuva tam bém alagava a baixada, um m etro, um m etro e pouco de altura, e a água continuava ali um a parte do ano.

A planície inundada ficava coberta de aguapés. A vegetação flutuante crescia desenfreada. Por causa das folhas, parecia um a superfície sólida. Verde contrastando com o azul do céu.

Em volta distribuíam -se casebres sim ples, espalhados aqui e ali. Os pobres entravam na água para catar o que desse para com er. No outono chegavam as garças, penas brancas encardidas pela fuligem da cidade, im óveis no aguardo da presa.

No clim a úm ido de Calcutá, a evaporação dem orava. Mas por fim o sol secava boa parte da água da enchente, expondo outra vez o solo enlam eado.

Quantas e quantas vezes Subhash e Uday an tinham atravessado a baixada. Servia de atalho para um cam po nos arrabaldes do bairro, onde iam j ogar futebol. Evitando as poças, passando por cim a dos aguapés entrançados que continuavam ali. Respirando o ar úm ido e pesado.

Alguns anim aizinhos botavam ovos capazes de enfrentar a estação da seca. Outros sobreviviam enterrando-se na lam a, fazendo-se de m ortos, esperando a volta das chuvas.