Aguapés
Capítulo 2
Sem contar a ninguém da fam ília, nem m esm o a Manash, os dois se casaram . Foi em j aneiro de 1970. O escrivão de um cartório foi a um a casa em Chetla. Era de um dos cam aradas de Uday an, um alto m em bro do partido que tam bém era professor de literatura. Hom em gentil, de m aneiras suaves, um poeta. Cham avam -no Tarun-da.
Havia alguns cam aradas presentes. Fizeram -lhe perguntas e disseram -lhe com o devia se conduzir dali para a frente. Uday an pôs a m ão sobre um exem plar do Livro Verm elho antes de assinarem os papéis. As m angas enroladas com o sem pre, m ostrando os antebraços. Barba e bigode, na época. Quando term inaram e os dois estavam em poleirados na beirada de um sofá, inclinados sobre a m esinha baixa onde tinham espalhado os papéis, ele se virou para olhá-la, abrindo um grande sorriso, aproveitando um instante para m ostrar a ela, apenas a ela, com o se sentia feliz.
Ela não se im portava com o que pensariam os tios, as tias e as irm ãs sobre sua atitude. Serviria para se afastar deles. O único da fam ília com quem se im portava era Manash.
Trouxeram e distribuíram alguns pedaços de carne e peixe fritos, algum as caixas de doces. Foi essa a com em oração. Passaram a prim eira sem ana com o m arido e m ulher na casa em Chetla, num quarto que o professor tinha de reserva.
Foi lá, à noite, depois de tantas conversas que tinham m antido, que com eçaram a se com unicar de outra m aneira. Foi lá que ela sentiu pela prim eira vez a m ão dele explorando a superfície de seu corpo. Foi lá, enquanto ele dorm ia j unto a si, que ela sentiu o frescor de seu om bro nu aninhado na curva de sua axila. O calor dos j oelhos dele atrás de suas pernas.
A entrada da casa ficava na lateral, num beco com prido, escondido da rua. A escada virava duas vezes em ângulo agudo, levando a aposentos dispostos em linha cerrada, em torno da sacada. O assoalho castanho-averm elhado tinha rachaduras aqui e ali.
Os livros de Tarun-da enchiam os quartos, am ontoados em pilhas da altura de um a criança. Guardados em arm ários e prateleiras. A sala de estar, na parte da frente, tinha um a sacada estreita que dava para a rua. Receberam instruções de não ficar ali, de não cham ar a atenção para si m esm os.
Alguns dias depois, ela escreveu a Manash, dizendo que, afinal, não fora num a excursão a Santiniketan com as am igas. Contou que tinha se casado com Uday an e que não ia voltar para casa.
Então Uday an foi para Tolly gunge, para contar aos pais o que haviam feito. Disse-lhes que estavam dispostos a m orar em outro lugar. Ficaram perplexos. Mas o irm ão dele estava nos Estados Unidos e queriam que o filho restante ficasse em casa. Gauri tinha a esperança secreta de que os pais de Uday an não recebessem o casal. Naquela casa alegre e bagunçada em Chetla, escondida com Uday an, ela se sentia ao m esm o tem po ousada e protegida. Livre.
Uday an falava que algum dia teriam um a casa só para eles. Não acreditava no costum e de m orar j unto com a fam ília. Mesm o assim , por enquanto, visto que não podiam ficar indeterm inadam ente na casa do professor, visto que a casa era um esconderij o e precisavam do quarto que lhes haviam cedido para abrigar alguém , visto que ele não ganhava o suficiente para alugarem um apartam ento em outro lugar, ele a levou para Tolly gunge.
Ficava a poucos quilôm etros de distância. Apesar disso, indo para lá, passando a Hazra Road, Gauri notou a diferença. A cidade que conhecia ficou para trás. A luz era m ais brilhante, as árvores m ais viçosas, lançando um a som bra variegada.
Os pais dele estavam no pátio, à espera de recebê-la. A casa era espaçosa, m as sim ples, utilitária. Ela entendeu im ediatam ente as condições da vida de Uday an, as convenções que rej eitara.
A ponta de seu sári estava dobrada sobre a cabeça em gesto de decoro. A cabeça da m ãe de Uday an tam bém estava coberta com o sári. Essa m ulher agora era sua sogra. Usava um sári de algodão frisado cor de crem e, bordado com fios dourados. O sogro era alto e m agro, com o Uday an, de bigode, expressão plácida, cabelo grisalho penteado para trás.
A sogra perguntou a Uday an se ele tinha obj eções a fazerem alguns rápidos rituais. Ele obj etou, m as ela o ignorou, soprando sua concha e então colocando guirlandas de tuberosas no pescoço de am bos. Ergueu um a bandej a trançada até a cabeça, o peito e o ventre de Gauri. Um a bandej a de bons auspícios, de frutas.
Ganhou um a caixa; dentro dela, o colar. Na bandej a havia um pote de verm elhão em pó. A sogra recom endou a Uday an que o passasse no repartido do cabelo da esposa. Pegando a m ão esquerda de Gauri, ela fechou seus dedos para dar passagem a um bracelete de ferro até o pulso.
Alguns estranhos, agora seus vizinhos, tinham se reunido para assistir, olhando por cim a do m uro do pátio.
Agora você é nossa filha, disseram os sogros, aceitando-a em bora preferissem que não tivesse sido assim , pousando as m ãos em sua cabeça com o bênção. Gauri se curvou para tom ar o pó de seus pés.
O pátio fora decorado com desenhos em sua hom enagem , pintados à m ão. Na entrada da casa, havia um a panela de leite em lento aquecim ento num fogão a lenha, que ferveu à sua aproxim ação. Havia duas bananeiras m irradas, um a em cada lado da porta. Dentro havia outra panela de leite, tingida de verm elho. Disseram -lhe que m ergulhasse os pés no líquido verm elho e então subisse a escada. A escada ainda estava em construção, sem corrim ão para se segurar.
Sobre os degraus estendia-se frouxam ente um sári branco, com o um tapete fino e escorregadio. De poucos em poucos degraus, havia um a xícara de barro virada para baixo que ela tinha de quebrar, pisando por cim a com todo o seu peso. Foi a prim eira coisa que lhe pediram , para m arcar sua entrada na casa de Uday an.
Com o a ruela era m uito estreita, raram ente ouvia-se o barulho de um carro ou m esm o de um riquixá a bicicleta. Uday an lhe disse que, voltando ao enclave, era m ais fácil descer na esquina da m esquita e fazer o resto a pé. Muitas das casas tinham m uros, m as ela podia ouvir o que se passava na vida dos outros. Refeições sendo preparadas e servidas, água sendo vertida para os banhos. Crianças sendo repreendidas e chorando, recitando as lições. Pratos esfregados e enxaguados. Corvos arranhando com as garras os telhados, batendo asas, disputando cascas.
Ela acordava todos os dias às cinco da m anhã, subindo as escadas para outra parte da casa e aceitando a xícara de chá que lhe servia a sogra, um biscoito guardado na lata de bolachas. Ainda não havia gás encanado, e assim o dia com eçava com o trabalhoso processo de acender o forno de barro com carvão, bolinhas de esterco seco, querosene e fósforo.
A fum aça espessa ardia nos olhos, borrando a vista enquanto ela abanava a cham a. A sogra, na prim eira m anhã, havia-lhe dito que deixasse de lado o livro que trouxera j unto e se concentrasse na tarefa que estava fazendo.
Os operários chegavam logo depois. Descalços, com trapos suj os enrolados na cabeça. Gritavam e m artelavam o dia inteiro, de form a que era im possível estudar na casa. O pó recobria tudo, a m assa e os tij olos entrando de carriola na casa, os quartos adicionais ficando prontos um por vez.
Depois que o sogro voltava com um peixe do m ercado, era tarefa sua cortá-lo em pedaços, cobri-los de sal e açafrão-da-índia e fritá-los no óleo. Ela se sentava na frente do fogão apoiada nas plantas dos pés. Preparava o m olho onde o peixe ficaria até o anoitecer, tem perado conform e as instruções da sogra. Aj udava a cortar a couve, a descascar as ervilhas. A lavar o espinafre para retirar a areia.
Se a em pregada se atrasava ou estava de folga, ela tinha de esm agar as pim entas verm elhas e a raiz do açafrão-da-índia num a tábua de pedra, de m oer as sem entes de m ostarda ou papoula se a sogra quisesse usá-las para cozinhar naquele dia. Quando triturava as pim entas, pareciam esfolar a palm a das m ãos. Ao entornar a panela de arroz num a travessa, deixava a água do cozim ento escorrer, cuidando para que os grãos não saíssem j unto. O peso da panela inclinada forçava seus pulsos, o vapor lhe escaldaria o rosto caso se esquecesse de afastá-lo de lado.
Duas vezes por sem ana, fazia tudo isso antes de tom ar banho, pegar seus livros e tom ar o bonde até Calcutá do Norte, para ir à biblioteca e assistir a palestras. Não reclam ara com Uday an. Mas ele sabia e lhe dizia para ter paciência.
Disse-lhe que um dia, quando seu irm ão, Subhash, voltasse dos Estados Unidos e se casasse, haveria outra nora para dividir as tarefas. E de vez em quando Gauri im aginava quem seria essa m ulher.
Ao entardecer, ela esperava Uday an voltar da escola, olhando do terraço da casa dos sogros. E, quando ele em purrava as portas de m adeira de vaivém , sem pre parava e erguia os olhos para vê-la, com o costum ava fazer no cruzam ento em baixo do apartam ento dos avós de Gauri, ela na esperança de que ele viesse à casa, ele na esperança de que ela estivesse em casa. Mas agora era diferente: a chegada dele era esperada, e o fato de ficar à sua espera não era surpresa, pois estavam casados e esta era a casa onde am bos m oravam .
Ele se lavava e com ia algum a coisa, e então ela trocava de sári e saíam para um a cam inhada. De início agindo com o qualquer outro casal recém -casado. Gostava de sair com ele, m as ficava desconcertada com a calm aria de Tolly gunge, com a sim plicidade rústica que percebia ali.
O bairro tinha sua identidade. Era m ais bengali do que Calcutá do Norte, onde havia m uitos punj abis e m arwaris m orando no prédio de seus avós, onde a loj a de rádios na frente do Chacha’s Hotel tocava m úsicas de film es hindis que se sobrepunham ao barulho do trânsito, onde havia no ar a densa energia de estudantes e professores.
Aqui havia poucas coisas para distraí-la, tal com o se distraía com a vista da sacada na casa dos avós, que podia ocupar sua atenção de dia e de noite. Da casa dos sogros pouco havia para ver. Apenas outras casas, roupa estendida nos varais da cobertura, palm eiras e coqueiros. Vielas fazendo curvas. O aguapé que proliferava, m ais verde do que gram a, na baixada e nos lagos.
Ele com eçou a lhe pedir que fizesse algum as coisas. E assim , para aj udá-lo, para se sentir participante, ela concordou. No com eço, eram tarefas sim ples. Ele desenhava os m apas e lhe dizia para ir aqui ou ali quando fosse fazer algo na rua, para observar se havia um a lam breta ou um a bicicleta parada lá fora.
Dava-lhe bilhetes, prim eiro para deixar num a caixa de correspondência em algum lugar de Tolly gunge, depois para entregar pessoalm ente. Dizia-lhe para pôr a m ensagem sob as rúpias com que pagava o hom em da papelaria, quando precisava com prar algum a tinta. O bilhete geralm ente continha algum a inform ação. Um local ou um horário. Um aviso que para ela não fazia sentido, m as era essencial para outra pessoa.
Um a série de bilhetes ia para um a m ulher que trabalhava num a alfaiataria. Gauri devia pedir para falar especificam ente com um a m ulher cham ada Chandra e tirar as m edidas para um a blusa. Na prim eira vez, Chandra a recebeu com o se fossem velhas am igas, perguntando com o estava. Gorducha, com o cabelo em coque.
Levou Gauri para trás de um a cortina, falando em voz alta vários núm eros sem sequer encostar a fita m étrica em seu corpo, m as anotando no bloco. Era Chandra que abria a própria blusa, aproveitando a cortina fechada, pegando o bilhete da m ão de Gauri, lendo e dobrando-o de novo. Enfiava-o dentro da blusa, no sutiã, antes de reabrir a cortina.
Essas m issões eram pequenas engrenagens num a estrutura m aior. Nenhum detalhe desatendido. Fora incluída num a corrente que não podia enxergar. Era com o fazer um a pequena ponta num a peça curta, com outros atores que nunca se identificavam , falas e ações sim ples que estavam no roteiro, estavam sob controle. Ela se perguntava qual estaria sendo sua contribuição, quem a estaria observando. Perguntou a Uday an, m as ele não disse, falando que era assim que podia ser m ais útil. Falando que era m elhor que não soubesse.
Em fevereiro seguinte, logo depois do prim eiro aniversário de casam ento, ele lhe conseguiu algum as aulas particulares. Havia efígies de Saraswati nas esquinas, com livros escolares a seus pés que os estudantes lhe deixavam de oferenda. Os cucos com eçavam a cantar, um canto dorido e anelante. Um casal de irm ãos em Jadavpur precisava de sua aj uda para passarem nos exam es de sânscrito.
Ela ia diariam ente até a casa deles, pegando um riquixá a bicicleta, apresentando-se com um nom e inventado. Antes de ir pela prim eira vez, Uday an lhe descreveu a casa, com o se j á a conhecesse. Descreveu a sala onde ficaria, a disposição dos m óveis, a cor das paredes, a m esa de estudos sob a j anela.
Disse em qual cadeira devia se sentar. Que, caso a cortina estivesse fechada, devia puxá-la de leve para um dos lados, dizendo que queria deixar entrar um pouco de luz.
A certa altura durante a aula de um a hora, disse-lhe ele, um policial passaria na frente da casa, cruzando a j anela da esquerda para a direita. Ela devia anotar o horário em que ele passava e observar se estava de uniform e ou à paisana.
Por quê?
Desta vez, ele explicou. A rota do policial passava por um esconderij o, disse. Precisavam saber seu horário, seus dias de folga. Havia cam aradas precisando de abrigo. Precisavam que ele não estivesse lá.
Sentada com os alunos, aj udando-os na gram ática, o relógio de pulso sobre a m esa, o diário aberto, ela o viu. Um hom em na casa dos trinta, rosto barbeado, de uniform e cáqui, saindo para o trabalho. De um a j anela no segundo andar, ela viu o bigode negro, o topo da cabeça. Descreveu-o a Uday an.
Com o casal de irm ãos, ela lia versos dos Upanishades, do Rig Veda. As doutrinas antigas, os textos sagrados que estudara antigam ente com o avô. Atma devanam, bhuvanasya garbho. Espírito dos deuses, origem de todos os m undos. Um a aranha alcança a liberdade do espaço com o fio que tece.
Um dia, um a quinta-feira, o policial estava à paisana. Em vez de ir da esquerda para a direita, veio da direção contrária, com roupas civis. Acom panhava um m enino voltando da escola para casa. Tal hora e vinte m inutos. Cam inhava de m aneira m ais inform al.
Quando contou a Uday an, ele disse: Continue a observá-lo. Na próxim a sem ana, quando estiver outra vez de folga, m e diga o dia. Lem bre-se de anotar a hora.
Na quinta-feira seguinte, passando vinte m inutos, ela viu outra vez o policial à paisana, de m ãos dadas com o m enino, vindo pelo outro lado. Naqueles dias, era o m enino que usava uniform e. Cam isa e calções brancos, um cantil de água num dos om bros, um a sacola na m ão. O cabelo úm ido bem penteado. Viu o m enino saltitando, dois ou três passos rápidos para cada passada m ais lenta do pai.
Ouviu a voz do m enino, contando ao pai o que tinha aprendido aquele dia na escola, e ouviu o pai rindo às coisas que o filho dizia. Viu as m ãos dadas, os braços balançando de leve.
Passaram -se quatro sem anas. Era sem pre nas quintas-feiras, disse ela a Uday an. Era o dia que ia buscar o filho na escola.
Tem certeza, quintas-feiras? Nenhum outro dia?
Não, nunca.
Ele parecia satisfeito. Mas então perguntou: Tem certeza que é filho dele?
Tenho.
Que idade ele tem ?
Não sei. Uns seis ou sete anos.
Ele desviou o rosto. Não lhe perguntou m ais nada.
Na sem ana anterior à sua viagem para os Estados Unidos, para ficar com Subhash, ela voltou a Jadavpur, o bairro do casal de irm ãos aos quais tinha dado aulas particulares. Tom ou um riquixá. Estava com um sári estam pado, agora que se casara outra vez, tal com o se vestia quando era esposa de Uday an.
Estava no quinto m ês de gravidez, carregando um a criança que não conheceria o pai. Estava com sandálias de couro, pulseiras nos braços, um a bolsa colorida no colo. Estava de óculos escuros, não querendo ser observada. Logo o calor estaria insuportável, m as então j á estaria longe dali.
Aproxim ou-se da rua do casal de irm ãos e disse ao condutor que parasse. Continuando a pé, olhava as caixas de correspondência de cada casa.
A últim a trazia o nom e que estava procurando. O nom e que o investigador m encionara no dia em que ela e Subhash foram interrogados. Era um a casa térrea, um a grade sim ples fechando a varanda. Cuidadosam ente pintado na m adeira da caixa, em letras m aiúsculas brancas, estava o nom e de um m orto. Nirm al Dey . O policial que precisavam tirar do cam inho.
Os m oradores da casa estavam à vista, na varanda, de frente para a rua, olhando em bora não houvesse nada para ver. Era com o se estivessem esperando por ela. Ali estava o m enino que Gauri via saltitando pela rua enquanto segurava a m ão do pai. Em todas aquelas vezes ela vira o garoto apenas de costas, pois estava sem pre indo na outra direção. Mas, só de ver seu corpo, ela soube que era ele.
Pela prim eira vez viu o rosto dele. Viu a perda que j am ais seria substituída, um a perda com partilhada pela criança que crescia em seu ventre.
Já voltara da escola, não m ais com o uniform e branco refulgente, m as com cam isa e calções desbotados. Estava de pé, im óvel, os dedos agarrados à grade. Olhou rapidam ente para ela e então desviou o olhar.
Ela im aginou a tarde na escola, enquanto ele aguardava que o pai viesse buscá-lo. Então alguém lhe dizendo que o pai não viria.
Ao lado dele estava um a m ulher, a m ãe do m enino. Talvez com poucos anos a m ais que Gauri. Agora era a m ãe que vestia branco, com o Gauri até poucas sem anas atrás. O tecido sem cor estava enrolado na cintura da m ulher, dobrado por cim a do om bro, por sobre a cabeça. Sua vida virada de ponta-cabeça, a tez pálida com o se lhe tivessem esfregado a pele.
Ao ver Gauri, a m ãe não desviou o olhar. Quem você está procurando?, perguntou.
Gauri respondeu a única coisa razoável em que conseguiu pensar, o sobrenom e do casal de irm ãos a quem dera aulas particulares.
Eles m oram daquele lado lá, disse a m ulher, apontando a direção contrária. Você avançou dem ais.
Ela se afastou, sabendo que a m ulher e o m enino j á a tinham esquecido. Era com o um a m ariposa que entrara por engano num quarto e então saíra voando. Ao contrário de Gauri, nunca voltariam a relem brar esse m om ento. Em bora ela tivesse contribuído para algo que iriam prantear pelo resto da vida, j á saíra dos pensam entos deles.