As nove vidas de Rose Napolitano

Donna Freitas · Capítulo 1 de 42

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As nove vidas de Rose Napolitano

Dedicatória

Para minha mãe, que me deu esta vida

2 DE MARÇO DE 2008

ROSE, VIDA 3

 

Ela é linda.

Fico admirada com sua perfeição. O cheiro inebriante de sua pele.

“Addie”, chamo, baixinho. “Adelaide”, tento de novo, um vago sussurro no ar estéril. “Adelaide Luz.”

Levo a cabecinha dela ao nariz e inspiro, demorada e avidamente, ignorando a dor aguda no abdome. Sorrio admirada ao ver a penugem macia que é seu cabelo.

Como resisti a ter esse serzinho em meus braços! Antes da gravidez e do parto, eu vociferava contra a pressão para ter um bebê — para Luke, minha mãe, Jill, quem quer que ouvisse. Uma desconhecida ao meu lado no metrô, um homem desavisado na calçada. Eu tinha tanta raiva.

Mas agora…

A neve cai, os tufos úmidos batendo contra as janelas do quarto do hospital. À meia-luz, tudo ao meu redor ganha tons de cinza. Me inclino para a esquerda, procurando uma posição melhor. A temperatura cai, e a neve fica parecendo papel, espessa e seca como uma pasta. Ela dorme.

Meus olhos são dela.

“Como eu podia não querer você?”, sussurro em sua orelhinha curva, como uma concha de pérola. “Como poderia haver uma vida em que você e eu nunca nos conhecemos? Se essa vida existe, eu não gostaria de passar por ela.”

As pálpebras dela se contraem, brancas, cheias de veias, transparentes; o nariz e a testa se franzem.

“Você ouviu o que acabei de dizer, filha? É melhor ouvir só a segunda parte, sobre como a mamãe não ia querer uma vida sem você. É tudo o que precisa saber.”