As nove vidas de Rose Napolitano

Donna Freitas · Capítulo 36 de 42

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As nove vidas de Rose Napolitano

Trinta e cinco

Parte V

 

ENTRAM MAIS ROSES, VIDAS 7 E 9

Trinta e cinco

15 DE AGOSTO DE 2006

ROSE, VIDA 7

 

Luke está de pé, no meu lado da cama. Ele nunca vai para o meu lado da cama. Tem um frasco de vitaminas na mão. Ele o ergue e sacode.

O som é pesado e moroso, porque o frasco está cheio.

“Você prometeu”, diz ele.

“Prometi?”

“Rose.”

Meu nome parece uma declaração saindo da boca de Luke. Um mau agouro.

Suspiro. Não tenho forças para fazer isso hoje. Ou em qualquer outro dia. Estou cansada de brigar com meu marido sobre filhos. Vamos ter? Não vamos ter? Vou acabar mudando de ideia? Por que não sou como todas as outras mulheres do universo, cujo único propósito é ter filhos e mais filhos? Por que sou a única mulher que não tem nenhum interesse nisso?

“Sim, Luke?”

“Achei que o frasco já fosse estar quase vazio. Achei que fosse hora de comprar outro.”

Abro a gaveta da cômoda e pego uma calcinha — rosa-choque, fio dental. “Acho que não”, digo, e fecho a gaveta com força.

“Você acha que não.”

Se Luke continuar repetindo minhas frases, vou começar a gritar. Viro para ele, com a calcinha na mão. “E se eu congelar meus óvulos, para chegar a um meio-termo?”

Luke abre a boca, mas não consegue dizer nada.

“Assim podemos deixar essa conversa de lado por um tempo”, digo, torcendo para que Luke concorde com minha proposta, querendo dar tapinhas nas minhas próprias costas por ter chegado a esse plano brilhante.

Meu marido volta a encontrar palavras. “Congelar seus óvulos não é o mesmo que ter um bebê, Rose.”

“Verdade, não é. Mas isso é o máximo que eu, sua esposa que nunca quis ter filhos, posso oferecer no momento.” Vou até meu marido, deixo a calcinha na cama e pego a mão dele. Olho em seus olhos e tento lê-los. “É pegar ou largar, Luke. E aí?”