Deontologia Jurídica: Ética das Profissões Jurídicas
B.6) Objetividade do fim último
15. Subjetivamente considerado, o fim último que o homem,
inconscientemente, persegue em todos os seus movimentos voluntários, consiste naquilo que se designa com a palavra felicidade ou beatitude. “O princípio comum que domina todos os estudos e todas as discussões, tanto dos filósofos como dos teólogos” – lembra-nos Jolivet – “é que a perfeição do homem, se acaso é possível, deve coincidir necessariamente com a
felicidade perfeita”. 12
Objetivamente, porém, consistirá em que o fim último? Estará situado
aonde? Onde encontrá-lo? Eis a questão fundamental!
Se os homens aspiram todos pela felicidade, ensina-nos a experiência
também que nem todos procuram a felicidade nos mesmos bens concretos. “Entre os diversos objetos que uns e outros procuram como beatificantes, não poderá haver mais do que um, o qual conterá, de verdade, com que fazer o homem se sentir feliz, que satisfaça plenamente e ordenadamente suas tendências naturais, que, em suma, seja sua verdadeira felicidade objetiva, e em face da qual as demais serão enganadoras, e apenas isso. Impõe-se como uma exigência da razão determinar-se em que consistirá esse bem supremo, causa necessária e suficiente do estado subjetivo de felicidade, cuja possessão aperfeiçoa e satisfaz ao máximo e em relação
com o qual se fará em concreto a distinção entre bem e mal 13 ”. Dito de outro modo, mal será o que desvia do rumo que possibilita a conquista do fim último, e bem o que se enquadra no rumo dessas possibilidades.
O que na linguagem vulgar se costuma designar como instantes de
felicidade nada mais são do que momentos fugazes e instáveis de bem-estar, de êxito ou de sucesso, não se podendo, pois, de forma alguma identificar com o fim último ou a felicidade objetivamente considerada.
Na indagação sobre em que consiste objetivamente o fim último, várias
soluções foram excogitadas. Os estóicos situavam o bem supremo na virtude, a qual consistia para eles em se tornar insensível às afeições da alma. Os epicuristas situavam-no no gozo dos prazeres, entendendo-se como tais, tanto os prazeres sensíveis como os espirituais. Para Kant, o fim supremo consistiria na vontade de se conformar com a lei; para os utilitaristas (Bentham, Stuart Mill) seria a felicidade terrestre do maior número de pessoas; para Nietzsche consistiria o bem supremo na produção de super-homens, que são para si mesmos o próprio fim, e aos quais devem servir como escravos os demais homens. Para Platão e Aristóteles seria a contemplação de Deus, enquanto para Santo Tomás e os filósofos católicos, o fim último e o bem supremo por que toda criatura humana aspira é a