Deontologia Jurídica: Ética das Profissões Jurídicas

Elcias Ferreira da Costa · Capítulo 98 de 133

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Deontologia Jurídica: Ética das Profissões Jurídicas

Capítulo XXI – Decálogos do Advogado

Capítulo XXI

 

DECÁLOGOS DO ADVOGADO

 

128. “Os advogados, como patronos de interesses alheios, que

trabalham sob pressão do cliente e do tempo e na dependência de inúmeras pessoas, como o juiz, o escrivão, o promotor e o oficial de justiça, sentiram, em primeiro lugar, a necessidade de mandamentos de ética profissional. Tiveram o decálogo mais antigo, o qual foi elaborado pelo causídico bretão Yves Hélory, discípulo de S. Francisco de Assis como terceiro franciscano, que faleceu na cidade de Kermartin, em 19.05.1303.” Além do Decálogo a

que se refere a informação 1 supra , dada pelo Prof. Gilvandro Coelho, outros apareceram, um da lavra de Santo Afonso de Ligório, advogado e canonista famoso (1696-1787), outro composto pelo professor espanhol Angel Ossório y Gallardo e outro de Eduardo Couture, advogado e processualista uruguaio. Por ser o mais próximo de nossos dias, transcrevemos aqui o do processualista sul-americano:

1. Estuda. O Direito está em constante transformação. Se o não

acompanhas, serás cada dia menos advogado.

2. Pensa. O Direito se aprende estudando, porém, se pratica pensando. 3. Trabalha. A advocacia é uma fatigante e árdua atividade, posta a

serviço da justiça.

4. Luta. Teu dever é lutar pelo Direito; porém, quando encontrares o

Direito em conflito com a justiça, luta pela justiça.

5. Sê Leal. Leal para com teu cliente, a quem não deves abandonar a

não ser que percebas que é indigno de teu patrocínio. Leal para com o adversário, ainda quando ele seja desleal contigo. Leal para com o juiz, que ignora os fatos e deve confiar no que tu lhe dizes; e que, mesmo quanto ao Direito, às vezes tem de confiar no que tu lhe invocas.

6. Tolera. Tolera a verdade alheia, como gostarias que a tua fosse

tolerada.

7. Tem paciência. O tempo vinga-se das coisas que se fazem sem sua

colaboração.

8. Tem fé. Tem fé no Direito como o melhor instrumento para a

convivência humana; na justiça, como destino normal do direito; na paz, como substituto benevolente da justiça; e, sobretudo, tem fé na liberdade, sem a qual não há direito, nem justiça, nem paz.

9. Esquece. A advocacia é uma luta de paixões. Se a cada batalha fores

carregando tua alma de rancor, chegará o dia em que a vida será impossível para ti. Terminado o combate, esquece logo tanto a vitória quanto a derrota.

10. Ama a tua profissão. Procura considerar a advocacia de tal maneira

que, no dia em que teu filho pedir conselho sobre seu futuro, consideres

uma honra para ti aconselhá-lo a se fazer advogado. 2

 

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1 Gilvandro Coelho, “Mandamentos de Ética Profissional”, in Caderno de Deontologia Jurídica,

Recife, p. 67, 1989.

2 E. Couture, ob. cit.

 

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