Empreendedorismo para visionários

José Dornelas · Capítulo 11 de 58

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Empreendedorismo para visionários

1.8 Entendendo a realidade atual e criando as bases do futuro

Mesmo que o mundo da tecnologia não seja o caminho que você deseja trilhar para empreender, ainda assim, a revolução tecnológica vigente trará impacto ao seu trabalho ou negócio. Por isso, fica o recado para que você busque acompanhar esses acontecimentos de perto e não se torne refém dessa revolução que está mudando o mundo.

 

Na prática

 

O que vem aí

 

Pesquise na internet quais são as tendências tecnológicas para os próximos dez anos. A partir do que encontrou, debata com colegas negócios que podem ser criados para aproveitar essas tendências. Escolha um dos negócios discutidos e imagine-se à frente da criação dessa empresa. Que tipo de conhecimento você precisaria adquirir e quais habilidades precisaria desenvolver para ter mais chances de sucesso em uma iniciativa como essa?

 

Acesse o fórum de empreendedorismo em

www.josedornelas.com.br, coloque sua resposta e veja o que

outras pessoas pensam sobre a revolução causada pelos

avanços tecnológicos e o perfil do empreendedor que atua

nesse mercado.

 

1.8 Entendendo a realidade atual e criando as

 

bases do futuro

 

Oportunidades e desafios são o que se apresentam ao empreendedorismo brasileiro neste novo cenário de mudanças do século XXI. Ainda há muito a fazer para melhorar os índices de sobrevivência de empresas na fase inicial, mas também deve-se dar mais atenção à criação de condições de sustentação e desenvolvimento dos negócios já existentes, acelerando seu crescimento. O SEBRAE divulga anualmente dados referentes à taxa de mortalidade da pequena empresa no Brasil. Há cerca de uma década, os índices de mortalidade eram consideráveis, acima de 50%, para empresas com até dois anos de vida. Atualmente, esses índices ficam abaixo de 30% e

com tendência de queda.16 Os dados da Tabela 1.2 mostram informações a respeito da expectativa de geração de empregos dos negócios em fase

inicial no Brasil.17 No mundo, as empresas em rápido crescimento são definidas como gazelas, e uma das métricas utilizadas para sua identificação é a quantidade de empregos criados por essas empresas em um período de cinco anos. Pelos resultados apresentados na Tabela 1.2, o Brasil ainda precisa evoluir consideravelmente nesse quesito, já que poucos empreendedores imaginam suas empresas com mais de 20 empregados em cinco anos.

 

Tabela 1.2 Expectativa de criação de empregos em até cinco anos

 

Expectativa de criação de empregos em cinco anos para os negócios em fase

inicial no Brasil

Nenhum emprego 43,20%

De 1 a 5 empregos 39,50%

De 6 a 19 empregos 11,70%

Mais de 20 empregos 5,50%

 

Fonte: GEM Brasil, 2012.

 

Um aspecto positivo do empreendedorismo brasileiro tem sido a efetiva participação das mulheres na criação e gestão de negócios. As brasileiras estão à frente praticamente da metade das iniciativas empreendedoras no Brasil (GEM Brasil, 2012), e pesquisas internacionais cada vez mais mostram maior participação das mulheres no empreendedorismo do próprio negócio. Isso se deve não só ao seu perfil empreendedor, mas a uma mudança de comportamento e da realidade das famílias. No mundo (com raras exceções) e também no Brasil, as mulheres já têm plena inserção no mercado de trabalho, e o empreendedorismo do próprio negócio naturalmente se apresenta como opção de carreira.

Como a mulher brasileira pode aumentar suas chances de sucesso com a iniciativa empreendedora? Quais os desafios da mulher brasileira no empreendedorismo? Como os homens têm observado a ascensão feminina no empreendedorismo e qual tem sido sua reação?

Essas são perguntas cujas respostas ainda estão sendo buscadas, pois a dinâmica do empreendedorismo feminino é considerável. Entender como pensam e agem as mulheres empreendedoras no Brasil e como as novas candidatas a empreendedoras podem usar esse conhecimento para tomar melhores decisões em suas próprias iniciativas ainda é um desafio que precisa ser enfrentado. Há pesquisas que mostram inclusive maior potencial de sobrevivência dos negócios quando há uma mulher envolvida na direção

da empresa.18

De todo modo, experiências brilhantes e admiráveis de mulheres vencedoras servem de exemplo para outras, mas também aos homens, já que, quando se trata de empreender, o gênero não deveria definir a tendência do sucesso ou fracasso, e sim as decisões gerenciais e fatores circunstanciais que criam condições ou impedem o negócio de prosperar.

Apesar da análise bastante convidativa acerca do papel da mulher brasileira empreendedora, mais positivo será o dia em que tanto mulheres como homens passarão a ser tratados apenas como empreendedores, nas mesmas igualdades de condições. O mesmo se aplica às oportunidades de criar bons negócios, que deveriam estar disponíveis a todos os brasileiros.

O empreendedorismo não pode ser visto apenas como resultado de iniciativas isoladas de pessoas nos vários cantos do país, das regiões mais abastadas às menos privilegiadas, mas como a mola propulsora do desenvolvimento econômico da nação. O empreendedor é o grande protagonista que gera valor à sociedade e, com isso, passa a ser um valioso instrumento de diminuição das desigualdades sociais.

 

Empresas iniciantes com mulheres na

 

diretoria têm maior chance de

 

sobrevivência

Um estudo liderado pelo pesquisador Nick Wilson, da Escola de

Negócios da Leeds University, no Reino Unido, mostrou que

empresas startup (nascentes) dirigidas por mulheres têm 27%

menos risco de falir se comparadas com empresas que

possuem apenas homens no corpo diretivo. Esse percentual

diminui quando o número de mulheres aumenta, sugerindo que

o importante é a diversidade, não um número específico de

mulheres diretoras. Pesquisas anteriores mostram também que

grupos com maior diversidade de gênero tendem a ter um

pensamento mais inovador na resolução dos problemas.

Fonte: International Small Business Journal, fevereiro de 2013.

 

O papel completo do empreendedor talvez não esteja tão claro aos que começam um novo negócio, pois vai além de criar empresas que gerarão lucros e o tornarão eventualmente rico financeiramente. Se seu negócio prospera, mais empregos são gerados, mais impostos são pagos e mais retorno o país terá. Essa é a essência do empreendedorismo e do desenvolvimento econômico das nações. Por isso, ao optar pela rota empreendedora, você estará assumindo uma responsabilidade com seu futuro e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida de toda uma sociedade. Não se trata, então, apenas de colocar ideias em prática, mas de contribuir para construir o alicerce de um país ainda em desenvolvimento e que precisa estar preparado para enfrentar e superar os desafios do século XXI.

Os empreendedores continuarão a ser agentes de mudança e transformações sociais; são eles que mudam o mundo e constroem o futuro para todos nós. Empreender é mais que uma opção de carreira. É um projeto de vida. Nos próximos capítulos, você terá contato com metodologias e ferramentas que o ajudarão a moldar seu próprio futuro empreendedor.

 

Na prática

 

Mulheres empreendedoras Identifique em sua rede de relacionamento ou na de seus conhecidos (amigos, familiares etc.) uma mulher empreendedora (ela pode atuar no seu bairro, cidade, estado e não precisa ser uma pessoa famosa, basta estar à frente do próprio negócio). Entre em contato com a empreendedora, diga que está desenvolvendo um trabalho sobre empreendedorismo e solicite a ela que responda a uma única pergunta, que tomará apenas um minuto de seu tempo. Na maioria dos casos, a empreendedora vai colaborar prontamente. Faça a pergunta: “Quais as diferenças e similaridades entre a mulher empreendedora e o homem empreendedor?” Após agradecer sua colaboração, prepare-se para compartilhar a resposta que obteve com os colegas em sala de aula e debata o assunto. Qual é a sua conclusão?

 

Acesse o fórum de empreendedorismo em

www.josedornelas.com.br, coloque sua resposta e veja o que

outras pessoas pensam sobre as mulheres empreendedoras.

 

Resumo

 

Neste capítulo, o empreendedorismo foi exposto como um tema

contemporâneo, que apresenta diferenças em relação ao que

significava empreender no passado. A tomada de decisão de

quando empreender não pode se limitar apenas à idade do

empreendedor, mas aqueles na faixa de 25 a 44 anos são os

que mais têm se envolvido com a iniciativa no Brasil. O país

ainda precisa evoluir consideravelmente no comércio

internacional, e os empreendedores locais carecem de uma

visão estratégica que vise ao crescimento além-fronteiras.

Apesar dos problemas apresentados, o brasileiro é um povo

empreendedor, mas precisa inovar para ter mais chance de

sucesso e levar a economia do país ao desenvolvimento

econômico duradouro. A sustentabilidade deve ser considerada

pelo empreendedor, independentemente do negócio que criar.

A revolução tecnológica em curso no mundo traz oportunidades

para os empreendedores, e quem souber antecipar tendências

poderá rapidamente conseguir resultados positivos ao construir

negócios diferenciados. A realidade do empreendedorismo

brasileiro apresenta desafios e avanços, e o

empreendedorismo feminino está em evidência no país.

 

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