Empreendedorismo para visionários

José Dornelas · Capítulo 12 de 58

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Empreendedorismo para visionários

Capítulo 2 | Diferentes maneiras de empreender

2.1 Empreender não é sinônimo de criar empresa

 

Empreender não se resume à criação do próprio negócio. Mas a maneira mais conhecida de se tornar um empreendedor é criando uma empresa. Por outro lado, com a disseminação do conceito de empreendedorismo na sociedade, o comportamento empreendedor passou a ser observado com mais atenção em ambientes nos quais antes não se pensava haver empreendedores.

Um ator, ao encenar uma peça, pode agir como empreendedor. Na verdade, ele pode agir como empreendedor desde a concepção da peça, no seu planejamento, na preparação para o papel, na execução (atuação) e na entrega do produto ao cliente final (proporcionar felicidade, alegria, satisfação, relaxamento, prazer etc. aos espectadores).

Um funcionário público pode ser um empreendedor ao propor maneiras de otimizar os recursos disponíveis para que o serviço prestado à população seja de excelência, com o menor investimento possível, e trabalhar para que sua proposta seja implementada.

Uma artista plástica, ao buscar realizar seu sonho de criar e compartilhar o que criou com outras pessoas, empreende e ainda pode fazer dinheiro com sua atividade, vendendo suas criações a um público-alvo seleto, disposto a pagar pela obra.

Pessoas insatisfeitas ou inconformadas com os problemas de sua comunidade (por exemplo, a precária educação formal das crianças em um bairro de periferia de uma grande cidade) podem se unir, estabelecer planos de ação, divulgar suas ideias à comunidade, angariar apoio e recursos e colocar em prática ações paralelas àquelas desenvolvidas pelo poder público. Nasce, assim, uma organização não governamental, empreendida por pessoas que querem mudar, não aceitam que os problemas não sejam resolvidos, ou seja, querem empreender algo novo e diferente.

Funcionários de grandes e médias empresas são cada vez mais solicitados a contribuir com ideias para fazer a empresa crescer. Alguns vão além, colocam as ideias em prática, trazendo resultados às suas empregadoras. Eles são os empreendedores corporativos, responsáveis por inovar em empresas estabelecidas.

Mais recentemente, o crescimento do mercado de franquias no Brasil tem motivado muitos brasileiros a aderir ao movimento, tornando-se um franqueado, ou seja, alguém que monta um negócio a partir de um modelo de negócio já comprovado e que aceita pagar uma parcela dos resultados ao franqueador. Com isso, o franqueado assume um risco calculado e está disposto a dividir os resultados do negócio com um parceiro, ou quase sócio, da empreitada.

Há ainda pessoas com conhecimento tácito (aquele que o indivíduo adquire ao longo da vida, fruto de sua experiência prática), mas pouco conhecimento explícito (o formal, que pode ser registrado e facilmente comunicado) que, por necessidade, começam a empreender, buscando o sustento para si e sua família. Alguns podem ainda se reunir em associações e cooperativas para melhor estruturar suas atividades, proporcionar ganho de escala e pensar em crescer e desenvolver o negócio colaborativo. A partir desse momento, a cooperativa ou associação pode passar a ser representada por empreendedores de oportunidade, e não mais por um conjunto de indivíduos que se enquadrava no empreendedorismo de necessidade.

Um exemplo claro de migração possível do empreendedorismo de necessidade para oportunidade ocorre com o empreendedor informal, muitas vezes solitário, que sempre atuou dessa forma por falta de condições ou circunstâncias que o fizeram agir para cumprir apenas o objetivo básico da subsistência. A possibilidade da formalização, tornando-se um Empreendedor Individual, não muda apenas a denominação ou legaliza a atividade desse empreendedor. A formalização vai além, pois pode trazer nova perspectiva e influenciar sua motivação para empreender. A partir daí, muitos podem migrar para o empreendedorismo de oportunidade, apesar de alguns, mesmo com a formalização, ainda permanecerem como empreendedores de necessidade. A principal mudança não se faz apenas pela legalização, mas principalmente pela maneira como o empreendedor vê sua atividade e vislumbra seu futuro. Seu comportamento e a vontade de fazer acontecer são a força-motriz que o fará migrar para o grupo dos empreendedores de oportunidade.

Portanto, há diferentes maneiras de empreender, e os exemplos apresentados não esgotam as possibilidades. Qual maneira é a mais ou menos adequada para determinada pessoa não vem ao caso, pois essa análise não é simples ou pode ser considerada praticamente impossível de ser feita com precisão. Porém, o mais provável de se identificar é a motivação que leva uma pessoa a empreender.