Empreendedorismo para visionários
Capítulo 5 | Avaliando oportunidades
Como foi discutido no Capítulo 4, a análise de oportunidades ocorre a partir das ideias que o empreendedor considera para a criação da empresa. Muitos empreendedores em potencial têm várias ideias de negócios para criar, outros se sentem frustrados por querer empreender, mas acham que não têm ideias interessantes para colocar em prática.
A ideia criativa, genial, singular, sem precedentes, é rara e privilégio de poucos. Esses poucos empreendedores acabam por mudar o rumo da história com suas criações e invenções. Exemplos recentes e que impactam a vida da maioria das pessoas são os empreendedores da tecnologia da informação e suas ideias que mudaram a maneira como as pessoas se comportam, se relacionam e consomem mídia. Google, Facebook, Twitter, Instagram e similares encaixam-se muito bem nesses casos.
Mas há também empreendedores muito bem-sucedidos que não tiveram ideias únicas, geniais, espetaculares e, mesmo assim, fizeram acontecer. Esses são a maioria e, caso você não se encaixe no grupo dos privilegiados com ideias geniais, pode ser seu caso daqui a algum tempo, quando estiver à frente da própria empresa (se essa for a sua escolha).
Há ainda exemplos de ideias do mundo de tijolo e cimento (e não do mundo digital) que criaram novos mercados. Pense em modelos inovadores, como as entregas expressas de produtos, comida (disque pizza, entre outros), itens etc., e nos restaurantes de comida a quilo, nos quais a inovação foi a proposta de agilidade e de permitir ao cliente pagar apenas pela quantidade que consome.
Outros exemplos históricos de inovação ou invenções com as quais convivemos até os dias de hoje são o vaso sanitário, talheres, travesseiros e a própria cama, por exemplo. Sempre há variações desses produtos para comprar, mas seu conceito e função, ou finalidade, continuam os mesmos.
Por isso, analisar ideias de negócios não é tarefa fácil. Algo que aparentemente pode parecer complexo, impossível de realizar, acaba por se constituir o desafio de um empreendedor que, ao inovar e criar uma solução prática, não só vence esse desafio como pode transformar sua invenção em uma grande oportunidade de negócio.
Já ideias simples, fáceis de copiar, não deixam de ser oportunidades de negócios, desde que o empreendedor consiga colocar no mercado uma solução com algum diferencial competitivo em relação aos demais concorrentes (que provavelmente serão muitos), como maior rapidez/agilidade, melhor qualidade, design mais bonito e assim por diante. Além disso, cabe a questão do preço mais barato, dependendo da estratégia que você quer adotar e do valor que será percebido pelo cliente. Mas nem sempre o mais barato será o vencedor. Há clientes que querem o simples e estão dispostos a pagar caro, desde que obtenham outros diferenciais, como exclusividade.
Há várias maneiras de se ter ideias, desde o desenvolvimento da dinâmica do brainstorming (atividade geralmente desenvolvida em grupos para estimular a resolução de um problema, com o incentivo de que todos pensem em soluções), o estímulo à criatividade, pesquisas na internet, entre outros. Mas uma atividade que você pode desenvolver no seu dia a dia e que, com certeza, lhe trará várias ideias, é a prática da curiosidade. Ao praticar a curiosidade em todo e qualquer ambiente, você começa a se abrir para mais e mais ideias, a prestar atenção aos problemas do cotidiano, a entender como as pessoas resolvem tais problemas hoje e a se perguntar: “Não há uma maneira melhor de resolver a questão?”
Como exemplo, imagine-se em um consultório médico, aguardando na sala de espera para ser atendido. Se você observar ao redor, verá algumas pessoas lendo revistas (muitas vezes, não tão recentes), outras, impacientes, muitas acessando a internet do celular ou tablet etc. Mas todas estão ali esperando para ser atendidas e buscam fazer algo enquanto esperam sua vez.
Quais ideias de negócio você enxerga nesse cenário fictício? Lembre-se de que uma ideia, diferentemente de uma oportunidade, é algo livre, sem preconceitos, sem a obrigação imediata de ser viável ou factível.
Você pode ter pensado em um sistema de comunicação por celular (SMS ou outra solução ainda mais simples), que poderia ser usado pelo médico (sua secretária), o qual, em tempo real, avisaria a pessoa quanto tempo ainda levará para ela ser atendida. Assim, ela poderia fazer outras atividades na região e não precisaria ficar ali esperando. O sistema poderia sugerir um cafezinho em uma cafeteria próxima, uma visita à livraria da esquina ou outras opções. Nesse momento, você precisa fazer com que a ideia flua, cresça, e, para isso, não pode haver preconceitos. A ideia começa a se tornar aparentemente estranha quando mais e mais sugestões ou possibilidades surgem, mas não há nenhum problema nisso, já que você ainda está na fase da ideia! Muitos pensam em vender publicidade em aplicativos, paga pelos estabelecimentos sugeridos aos clientes, ou “apenas” cobrar para que o consultório utilize o serviço e o ofereça como benefício aos pacientes. Enfim, as ideias fluem...
Quando você já estiver satisfeito com a(s) ideia(s) que teve, começa então a fase de analisá-la(s) como um negócio. Entra, então, a análise da oportunidade. Será que a ideia pode dar certo? Será que consigo ter um produto que resolva o problema identificado? Será que as pessoas (ou os clientes que defini como público-alvo) vão comprar? Ou seja, são muitas as questões. A análise estruturada de uma ideia para transformá-la em uma oportunidade existe para facilitar essa decisão. A seguir, serão apresentadas três metodologias ou modelos de análise de oportunidade que você pode utilizar. Não há necessidade de utilizar os três ou apenas um. Trata-se de opções que você tem em mãos para filtrar as melhores ideias com maior potencial de se tornar oportunidade. A partir daí, você terá dado um passo
importante no processo de empreender. A Figura 5.1 apresenta novamente os três modelos na fase de avaliação de oportunidades do processo empreendedor.