Empreendedorismo para visionários
1.3 A globalização e seu impacto no empreendedorismo brasileiro
como porcentagem do PIB; remessas como porcentagem do
PIB; penetração da internet.
O índice usa os dados do ano completo mais recente que,
neste caso, é 2011. Apesar de o Brasil ser a sexta maior
economia do mundo, tem o mais baixo nível de comércio
exterior (como porcentagem do PIB) da região. Suas
exportações de bens e serviços em 2011 foram equivalentes a
11,9% do seu PIB. Ao mesmo tempo, as importações foram
responsáveis por apenas 12,6%. Essa desconexão com o fluxo
de comércio mundial mostra que o crescimento brasileiro foi
alimentado pelo consumo e investimento internos. Também
mostra os ganhos que o aumento do comércio exterior poderia
trazer a esse país sul-americano se ele aumentasse sua
atividade comercial internacional.
Fonte: Latin Trade Group, http://latinbusinesschronicle.com
Na prática
Empreendendo em qualquer idade
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1.3 A globalização e seu impacto no
empreendedorismo brasileiro Apesar de a globalização ser uma realidade no mundo atual, o Brasil não tem aproveitado seu enorme potencial empreendedor para ser um protagonista mais efetivo do comércio internacional. Em todo mundo, os principais países desenvolvidos e em desenvolvimento buscam o comércio além-fronteiras para aumentar o alcance de seus negócios e, com isso, promover o crescimento econômico.
Um exemplo típico de empreendedorismo internacional são os Estados Unidos, país referência em inovação e, mesmo enfrentando uma severa crise econômica nos anos recentes, continua a ser um ator-chave no comércio global. Para comparar com países inseridos nas últimas décadas no grupo dos mais inovadores, pode-se citar a crescente presença da Coreia do Sul nos rankings de inovação tecnológica e de marcas globais, referências em seus mercados. Alguns exemplos de marcas sul-coreanas bastante conhecidas dos brasileiros e com presença mundial são Samsung, LG, Kia, Hyundai.
No Brasil, é fato que algumas empresas de origem nacional têm conseguido imprimir uma presença internacional mais efetiva, como é o caso da Embraer, líder mundial em aviação comercial regional, ou da Alpargatas, que conseguiu fazer da marca Havaianas um ícone internacional. Mas ainda somos majoritariamente dependentes de nossa agricultura e da extração mineral, essa última tendo como destaque a Vale, gigante mundial do setor. Isso nada tem de negativo, já que somos referência internacional nessas áreas. Porém, é muito pouco para um país das dimensões e da pujança econômica do Brasil. Nossos empreendedores não focam, em sua maioria, os mercados internacionais, e, com isso, as oportunidades que buscam ficam mais restritas ao mercado interno.
Na verdade, talvez por questões culturais ou mesmo por características do país e seu significativo mercado interno, nossos empreendedores não têm se preocupado em observar o mercado internacional. Mais recentemente, a ascensão das classes C e D e o aumento do consumo interno têm sido o foco da maioria dos negócios criados no país para suprir essa crescente demanda. Um exemplo que ratifica essa tendência é o crescimento das franquias, tipicamente voltadas ao mercado interno, com
destaque para os setores de alimentação, vestuário e serviços. A Figura 1.2
apresenta a evolução do faturamento do setor em um período de dez anos,4 o que claramente estimulou e tem estimulado milhares de empreendedores brasileiros a atuar nesses mercados.
Figura 1.2 Evolução do setor de franquias no Brasil. Fonte: ABF, 2012.
O dado mais claro que mostra como nossos empreendedores não estão aproveitando os efeitos da globalização é o apresentado pela pesquisa anual do Global Entrepreneurship Monitor (GEM). Um dos resultados apresentados nessa pesquisa é o nível de internacionalização dos países, e o Brasil aparece, quase sempre, entre as posições de menor destaque, como mostra a Tabela 1.1. Esses dados são obtidos ao se questionar os empreendedores iniciais (aqueles em fase de criação do negócio e em até os 42 meses iniciais da empresa) quanto de suas vendas tem destino internacional. A posição do Brasil é apresentada em comparação com um
grupo de 54 países participantes do estudo.5
Tabela 1.1 Orientação internacional de empreendedores iniciais
Orientação internacional Posição do Brasil
Nenhum consumidor no exterior 3
1% a 25% dos consumidores são do exterior 48
26% a 75% dos consumidores são do exterior 53
Mais de 75% dos consumidores são do exterior 50 Fonte: GEM, 2011.
Alguns fatores podem ser citados como influenciadores desse desempenho: o pouco conhecimento do mercado externo por parte do empreendedor brasileiro; a pouca ambição de muitos empreendedores brasileiros (o “pensar grande” ou o desejo de ser um competidor global muitas vezes não são considerados um objetivo possível pelo próprio empreendedor); a acomodação com o mercado interno, mais facilmente identificado e mapeado; a barreira da língua (o mercado mundial padronizou o inglês, mas muitos empreendedores brasileiros não dominam o idioma o suficiente para realizar negociações internacionais); a falta de clareza e de suporte adequado aos empreendedores que querem exportar; os tratados de livre-comércio e barreiras protecionistas criadas pelo Brasil e por outros países, entre outros.
Não se pode, no entanto, rotular que tais problemas sejam típicos apenas do Brasil. Há, no mundo atual, uma tentativa efetiva dos países de conseguir diferenciais para seus empreendedores locais atuarem no mercado externo, e, com isso, se criam batalhas comerciais internacionais. A estratégia de muitos deles são diferentes das adotadas pelo Brasil. Nosso país tem priorizado acordos e negociações via Mercosul. Outros países mais pragmáticos, como o Chile, têm focado parcerias individuais com países-chave. Não se pode também dizer que a estratégia de um ou outro país é a mais correta para o futuro, mas é fato, na visão de especialistas no assunto, que o Brasil também precisa ser mais pragmático com vistas a facilitar maior inserção do empreendedorismo brasileiro no mercado mundial. Como exemplo de pragmatismo, podemos citar o potencial acordo econômico em negociação entre os Estados Unidos e a União Europeia. Em se efetivando tal acordo, o impacto para o Brasil e demais países emergentes pode ser significativo. Porém, essas são decisões cujos resultados o empreendedor não tem como individualmente definir ou influenciar. É preciso haver uma mobilização dos empreendedores, por meio de sindicatos setoriais, federações e demais órgãos que os representam, em prol de melhores condições para sua atuação no mercado global.
Na prática Internacionalização do empreendedorismo brasileiro