Empreendedorismo para visionários

José Dornelas · Capítulo 21 de 58

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Empreendedorismo para visionários

4.3 O que vem depois da ideia de negócio definida

A partir do décimo minuto do início da montagem do quebracabeça, o professor deverá levar para outra sala, vazia, um integrante de cada grupo. Cada um receberá um conjunto de retalhos e terá a missão de iniciar o desenvolvimento de uma colcha de retalhos (usando apenas os retalhos e tesoura).

No 12o minuto, o professor deverá levar mais um integrante de cada grupo que está montando o quebra-cabeça para a sala de retalhos. Esses novos integrantes deverão se juntar aos líderes que já estavam criando uma colcha de retalhos. Não há necessidade de eles se juntarem aos mesmos integrantes que estavam em seu grupo de origem, mas todos os grupos que estão criando a colcha de retalhos devem possuir o mesmo número de integrantes.

Esse processo deve se repetir até que se chegue ao 20o minuto ou quando não houver mais participantes montando um quebra-cabeça.

Quando todos os participantes encontrarem-se reunidos na mesma sala por, pelo menos, cinco minutos criando a colcha de retalhos, o professor deve finalizar a dinâmica. Todos devem então analisar o resultado de suas criações, bem como até onde conseguiram chegar na montagem do quebra-cabeça.

 

Qual a sua conclusão sobre as duas atividades? Quais abordagens cada uma usa (causal e/ou efectual)? Quando cada abordagem deve ser utilizada pelo empreendedor?

 

Obs.: No site www.josedornelas.com.br, você tem acesso a uma apresentação que resume a dinâmica e as possíveis conclusões, mas procure fazer a atividade antes de ler a apresentação.

 

4.3 O que vem depois da ideia de negócio definida

 

Retomando o processo empreendedor, após a ideia de negócio definida

(conforme representação da Figura 4.1), há uma nova etapa antes de criar a empresa. Dependendo da abordagem adotada pelo empreendedor, pode-se optar por desenvolver um planejamento estruturado, com previsões e projeção de mercado, receita, custos e despesas, entre outros, o que se resume no plano de negócios tradicional. Já, se o empreendedor não tiver condições de fazer previsões mais detalhas do futuro e não tiver um objetivo claro a ser atingido, recomenda-se que opte pelo plano de negócios

efectual. Ambas as etapas são representadas pela Figura 4.3.

 

Figura 4.3 O processo empreendedor (Fase 2).

 

O processo empreendedor apresenta, portanto, dois caminhos possíveis na Fase 2. São caminhos distintos, com a mesma finalidade: estruturar o que será o negócio no papel, antes de colocá-lo em prática. Como já mencionado, o Caminho 1 é o que foca o planejamento estruturado, e o Caminho 2 é o que foca o método efectual, quando não há clareza de onde se quer chegar e o que se recomenda é que o empreendedor tenha definido, pelo menos, o limite de recursos investidos na empreitada, a partir do qual o projeto será abortado ou paralisado até que alternativas viáveis sejam analisadas e aplicáveis.

O Caminho 1, percorrido quando se desenvolve um plano de negócios tradicional, envolve o entendimento do que será o negócio, o investimento necessário para tirá-lo do papel e seu potencial de receita e lucros. Por isso,

a Figura 4.3 traz a representação do gráfico de fluxo de caixa acumulado, ou exposição do caixa, que permite ao empreendedor identificar visualmente informações financeiras importantes do seu futuro negócio. A explicação de como desenvolver e obter esse gráfico será apresentada no Capítulo 6, que trata do plano de negócios.

A partir das premissas de mercado identificadas e da estratégia de crescimento adotada pelo empreendedor, pode-se prever, com o auxílio de uma planilha financeira, como serão as prováveis projeções de receita e custos e, como consequência, dos lucros prováveis do negócio. O plano de negócios tradicional proporciona uma maneira estrutural para que o empreendedor simule como será o futuro de seu negócio, o que ajuda a antecipar eventuais problemas, mitigar riscos e capitalizar sobre as oportunidades identificadas. Deve-se ressaltar, no entanto, que mesmo o plano de negócios tradicional mais bem desenvolvido e substancial não garante que a empresa será um sucesso e que todas as definições do plano de negócios tradicional serão executadas, pois não há como garantir que o planejamento seja realizado à risca e que o mercado se comporte exatamente como o empreendedor considerou no plano de negócios tradicional.

Com o plano de negócios tradicional concluído, como é possível definir uma estratégia de obtenção do investimento inicial para o negócio (uso de recursos próprios, busca junto a bancos e/ou investidores, busca junto a amigos, familiares, entre outros). Com os recursos garantidos, o empreendedor está pronto para colocar a empresa em funcionamento e gerenciar o negócio. Esta etapa do processo é geralmente longa, morosa e cansativa, mas faz parte da saga da maioria dos empreendedores.

Cabe ressaltar ainda que a execução, ou a implantação do plano de negócios tradicional, depende e é influenciada por vários fatores, desde a experiência do empreendedor, seu conhecimento do negócio e do mercado, bem como de variáveis externas ao negócio, que influenciam seu desempenho, como o comportamento dos consumidores, dos concorrentes e questões macroeconômicas, de desenvolvimento do país, de legislação entre outros.

A Figura 4.4 apresenta uma síntese da etapa de desenvolvimento do plano de negócios tradicional, que como pode ser observado, geralmente permite ao empreendedor criar cenários com objetivos claros, de crescimento acelerado e com ambição de conquistar uma boa participação de mercado. É por isso que muitos investidores e fundos de investimento solicitam o plano de negócios tradicional para análise. Eles querem conhecer o que é o negócio, como crescerá e se o potencial de retorno financeiro é grande o suficiente para as ambições do investidor e do empreendedor.

 

Figura 4.4 Criando o negócio a partir do plano de negócios tradicional.

 

Quando o empreendedor opta pelo Caminho 2, na Fase 2 do processo empreendedor, nitidamente está preterindo um planejamento mais formal, ou seja, o plano de negócios tradicional não será considerado. Isso ocorre por opção do empreendedor ou por dificuldades de levantar informações de mercado que sustentem um planejamento mais estruturado. Nesse caso, o empreendedor adota uma abordagem mais prática de tentativa e erro, pela qual é mais raro obter recursos de terceiros para iniciar o negócio. É provável que o empreendedor coloque seus próprios recursos e/ou de pessoas de sua rede de contatos as quais consiga convencer.

Trata-se de um caminho muito utilizado pelos que priorizam a ação, a prática, ou seja, o método efectual. O risco financeiro geralmente não é grande, pois o empreendedor define um teto máximo para investir e a partir do qual aborta ou paralisa o projeto. Como não se tem clareza de rumos o projeto tomará, se conseguirá clientes suficientes, se o produto/serviço atende aos anseios dos clientes/consumidores, o empreendedor adota uma abordagem parecida com a prototipagem: coloca um produto não ideal no mercado, sente a reação dos clientes, melhora/modifica/adapta e lança nova versão. Como se nota, não se trata de uma abordagem simples de ser seguida por qualquer tipo de negócio.

Negócios que não têm como ser executados sem um parque fabril preestabelecido, sem uma quantidade mínima de pessoas trabalhando e sem uma quantidade considerável de recursos financeiros não se enquadram nesta abordagem e são mais indicados a seguir o Caminho 1. Já negócios que dependem mais do conhecimento e experiência do empreendedor para serem colocados à prova, que demandem pouco investimento inicial, poucas pessoas envolvidas, pouca ou nenhuma estrutura operacional, processo produtivo, entre outros podem utilizar essa abordagem com mais chances de sucesso. É o que ocorre com os negócios ou startups de tecnologia da informação e que utilizam a internet como meio básico de contato com o mercado e distribuição do produto/serviço. Muitos empreendedores iniciantes colocam um website ou um aplicativo de celular no ar e testam se seu serviço será bem-aceito pelo mercado. De acordo com a reação do teste de realidade ao confrontar sua ideia de negócio com o cliente ou potencial usuário, ele pode ratificar suas premissas ou mudar a concepção do projeto até que se chegue a uma abordagem mais adequada, sempre dentro do que definiu como limitações financeiras para investir no negócio.

Por isso, diz-se não haver um objetivo claro a ser atingido no método efectual. Os resultados dependerão da iteração com o mercado e não podem ser mensurados adequadamente nesse estágio. Ao desenvolver o plano de negócios efectual, o empreendedor está mais preocupado com a alocação dos recursos sob seu controle, que na busca de recursos externos para investir no negócio. O empreendedor naturalmente sonha que o negócio seja um sucesso, fature bastante e dê lucro, mas, nesse estágio, não tem ideia de quais serão os cenários mais prováveis para o futuro da empresa.

O plano de negócios efectual auxilia a organizar a ideia de negócio, definir o recurso mínimo para colocá-la em prática e ainda definir os momentos limítrofes, a partir dos quais o empreendedor deve abortar ou paralisar o projeto/negócio. Esse tipo de abordagem faz com que o negócio geralmente cresça mais devagar no início, já que tem limitações financeiras. Porém, se o modelo de negócio pensado pelo empreendedor for ratificado e bem-aceito pelo mercado, uma nova fase pode surgir para a empresa, possibilitando inclusive a atração de capital externo para acelerar seu crescimento. Neste momento, é provável que o plano de negócios tradicional seja a ferramenta mais apropriada para planejar a próxima fase futura do negócio.

Finalmente, cabe salientar que as várias etapas e fases do processo empreendedor são uma tentativa de representar de maneira lógica todo o percurso que se inicia no momento em que o empreendedor decidiu empreender uma nova empresa até sua efetiva criação. Com isso, caso siga os passos aqui sugeridos, ele terá mais chances de sucesso na jornada. Isso não significa que as várias etapas e fases apresentadas são estáticas. Pelo contrário, provavelmente o empreendedor adotará uma abordagem cíclica, que talvez tenha ficado mais evidente no caso do plano de negócios efectual (método empreendedor), mas que ocorre com muita frequência também quando se desenvolve o plano de negócios tradicional. Isso é devido ao fato de não necessariamente se chegar a um resultado interessante, na visão do empreendedor, ao final da confecção do plano de negócios tradicional. O mesmo pode ocorrer quando se desenvolve o plano de negócios efectual, caso o empreendedor perceba que a quantidade de recurso que quer destinar ao negócio não é a mais adequada para testar suas hipóteses no mercado.

Figura 4.5 Criando o negócio a partir do plano de negócios efectual.

 

 

Nesses casos, ele retoma o processo do início, revê suas premissas, repensa suas ideias, analisa novamente as oportunidades, faz novas versões do plano de negócios (tradicional ou efectual) até decidir que é chegada a hora de colocar a empresa para funcionar. Essa abordagem cíclica é

apresentada na Figura 4.6.30

Figura 4.6 Abordagem cíclica do processo empreendedor.

 

Na prática

 

Executando o processo empreendedor

 

Para cada uma das ideias a seguir, qual abordagem você adotaria para colocá-las em prática: O processo empreendedor por meio de um plano de negócio tradicional (Pensamento) ou de um plano de negócios efectual (Ação)? Justifique suas escolhas. 1. Um website de comércio eletrônico de produtos orgânicos em

grandes cidades.

2. Uma empresa de coleta seletiva e reciclagem de lixo. 3. Um restaurante italiano em uma cidade de 200 mil habitantes. 4. Uma empresa de treinamento presencial e online de gestão para

empreendedores.

5. Um aplicativo para celulares e tablets que facilite a vida das

pessoas quando precisarem de transporte coletivo em grandes cidades.

 

Acesse o fórum de empreendedorismo em

www.josedornelas.com.br, coloque suas respostas e veja o que

outras pessoas pensam sobre as alternativas de se implantar o

processo empreendedor.

 

Resumo

 

O processo empreendedor é uma abordagem esquemática de

representação das várias etapas e fases que o empreendedor

deve percorrer a partir do momento que decidiu empreender

até a efetiva constituição da empresa. Suas principais etapas

são a definição de ideias e avaliação de oportunidades

decorrentes, desenvolvimento do plano de negócios, definição

e alocação/obtenção de recursos e criação do negócio. O plano

de negócios pode ser tradicional, quando se tem um objetivo

claro a ser atingido, ou efectual, quando não se tem um objetivo

claro, mas se tem um limite definido de recursos que o

empreendedor pretende alocar ao negócio. O processo

empreendedor é cíclico e pode se repetir inúmeras vezes até

que o empreendedor consiga conciliar todas as variáveis que

influenciam na criação de seu negócio.

 

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