Empreendedorismo para visionários
1.5 O brasileiro é empreendedor
Na prática
Identificando ideias inovadoras
Utilize a Matriz de classificação de ideias e identifique pelo menos uma ideia para cada um dos quadrantes nos mercados de tecnologia agrícola, alimentos orgânicos, produtos sustentáveis (por exemplo, os recicláveis ou biodegradáveis), turismo e entretenimento. O que você levou em consideração para posicionar cada ideia nos quadrantes da matriz? Debata com seus colegas as ideias inovadoras de cada um. Pesquise na internet negócios que poderiam colocá-las em prática. Caso não encontre nenhuma empresa, talvez você tenha identificado uma boa oportunidade de negócio baseado em inovação para criar. Faça esse mesmo exercício para outros mercados com os quais você tenha mais afinidade ou nos quais gostaria de atuar. Mas tenha calma, para criar uma empresa você precisará entender outros aspectos importantes além da ideia inovadora, que serão apresentados nos próximos capítulos...
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ideias inovadoras de outras pessoas para esses e outros
mercados.
1.5 O brasileiro é empreendedor
Apesar das barreiras e dos desafios que se apresentam ao empreendedorismo no Brasil, das deficiências apontadas, da pouca inserção no mercado externo, da carência de maior quantidade de empresas inovadoras de padrão mundial, o Brasil é um país repleto de empreendedores e de pessoas que querem empreender. O brasileiro é empreendedor, e esse fato é comprovado por diversos estudos mundiais comparativos entre nações. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) anualmente realiza estudos sobre a atividade empreendedora dos países participantes. O Brasil não faz parte da OCDE, mas participa de algumas atividades e estudos; por isso, as estatísticas referentes ao empreendedorismo apresentam dados brasileiros além de informações de outras nações industrializadas. Uma constatação de que o empreendedorismo é visto de maneira positiva no Brasil é
apresentada pela Figura 1.6, que compara a população adulta brasileira (18 a 64 anos) com um grupo de países selecionados. Nota-se que mais de 80% dos brasileiros enxergam o empreendedorismo como boa opção de carreira no país, índice alto e acima de todos os demais países apresentados na Figura, como Estados Unidos, China, Alemanha e Japão.
Figura 1.6 Empreendedorismo como opção de carreira na visão da população de países
selecionados (OCDE, 2012).9
Além da OCDE, o GEM tem apresentado, desde o ano 2000, dados comparativos das atividades empreendedoras de diversos países do mundo. Na primeira edição do relatório GEM, em 2000, referente a dados de 1999, o Brasil aparecia como o país com a maior atividade empreendedora de todos os participantes do estudo. Desde então, a metodologia de pesquisa do GEM tem sido aperfeiçoada, e novos conceitos foram desenvolvidos, entre os quais a diferenciação entre empreendedorismo de oportunidade e de necessidade. Nos países menos desenvolvidos e em muitos dos em desenvolvimento, o empreendedorismo de necessidade predomina. Já nos países mais inovadores e com uma economia mais desenvolvida, a predominância é do empreendedorismo de oportunidade. A diferença entre os dois tipos de empreendedorismo é que o de oportunidade refere-se ao empreendedor que identificou uma lacuna no mercado, tem uma visão de negócio e quer desenvolver uma empresa para atuar nesse mercado. No caso do empreendedor de necessidade, sua motivação é a subsistência, conseguir desenvolver uma atividade econômica mínima, mesmo que informal, para ganhar algum dinheiro para seu sustento e de sua família.
Nos anos iniciais da pesquisa do GEM, a alta taxa de empreendedorismo do Brasil era decorrente de um misto de empreendedorismo de oportunidade e de necessidade, com predominância para o último. O que se tem observado nos anos recentes é uma mudança de mentalidade e do perfil da maioria dos empreendedores brasileiros, que agora pode ser rotulada como de oportunidade. O fato é que a atividade empreendedora brasileira é sempre alta, mostrando que a população tem uma significativa parcela de pessoas em idade economicamente ativa e que deseja se envolver ou já está envolvida com a criação e gestão do negócio próprio.
Figura 1.7 Atividade empreendedora inicial dos países (GEM, 2012).
A pesquisa mais recente publicada pelo GEM10 traz novamente o Brasil como um dos países mais empreendedores do mundo. Nessa pesquisa, a taxa de empreendedores em estágio inicial (definida internacionalmente como TEA) indica o percentual de adultos entre 18 e 64 anos envolvidos na fase de criação de um negócio e até os 42 meses iniciais da empresa. A
Figura 1.7 apresenta dados comparativos entre os países participantes. O Brasil apresenta uma TEA de 15%.
Outro estudo do qual o Brasil participou pela primeira vez em 2012,
divulgado no início de 2013, foi o realizado pela Comissão Europeia,11 que comparou a população dos países europeus e alguns países convidados, entre eles o Brasil, referente ao desejo de ser o próprio chefe em contraste a ser empregado. De um total de 40 países, o Brasil apresentou uma das
maiores taxas do estudo, ficando atrás apenas da Turquia. A Figura 1.8 apresenta uma comparação entre o Brasil e alguns dos principais países participantes do estudo. Sessenta e três por cento dos brasileiros, ou bem mais da metade da população do país, preferem ser o próprio chefe a trabalhar para alguém. Na média, apenas 37% dos europeus têm o mesmo desejo. Nos Estados Unidos, esse índice é de 51% (uma diminuição em relação ao ano anterior).
Nota-se, portanto, que o brasileiro se destaca internacionalmente no quesito desejo de empreender e no envolvimento em iniciativas empreendedoras. Apesar dessa notável iniciativa do brasileiro para estar envolvido com o próprio negócio, o país não está entre os que mais geram condições adequadas aos empreendedores para criarem e gerirem suas empresas. Essa talvez seja uma das possíveis explicações para uma nada convidativa realidade quando o assunto é a sobrevivência das empresas criadas. Houve muita evolução na última década, o país iniciou uma mudança no marco regulatório de suporte aos micros e pequenos empresários, mas ainda há muito a ser feito.
Figura 1.8 Profissionais que preferem ser o próprio chefe (Comissão Europeia, 2012).
Brasil já possui três milhões de
Empreendedores Individuais12
O Empreendedor Individual é a pessoa que trabalha por conta
própria e que se legaliza como pequeno empresário. Para ser
um Microempreendedor Individual (MEI), é necessário faturar,
no máximo, até R$ 60 mil por ano e não ter participação em
outra empresa como sócio ou titular. O empreendedor também
pode ter um empregado contratado que receba o salário
mínimo ou o piso da categoria.
A Lei Complementar no 128, de 19/12/2008, criou condições
especiais para que o trabalhador conhecido como informal
possa se tornar um Empreendedor Individual legalizado.
Entre as vantagens oferecidas por essa lei, está o registro no
Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ), o que facilita
a abertura de conta bancária, o pedido de empréstimos e a
emissão de notas fiscais.
Além disso, o MEI será enquadrado no Simples Nacional e
ficará isento dos tributos federais (Imposto de Renda, PIS,
Cofins, IPI e CSLL). O Empreendedor Individual tem acesso a
benefícios, como auxílio-maternidade, auxílio-doença,
aposentadoria, entre outros.
Fonte: portaldoempreendedor.gov.br
Classificação do Brasil em algumas
categorias do ranking Doing Business
do Banco Mundial13
Categoria Classificação do Brasil
Abertura de empresas 121
Obtenção de alvarás de construção 131
Obtenção de eletricidade 60
Registro de propriedades 109
Obtenção de crédito 104
Proteção de investidores 82
Pagamento de impostos 156
Comércio entre fronteiras 123
Execução de contratos 116
Resolução de Insolvência 143
Fonte: doingbusiness.org
Figura 1.9 Avanços e desafios do empreendedorismo brasileiro.
Um destaque positivo que tem contribuído para potencializar a quantidade de empresas criadas no país foi a concepção da figura do Empreendedor Individual, trazendo para a formalidade milhões de empreendedores brasileiros que até então atuavam de maneira não oficial.
Já um destaque negativo pode ser exemplificado pelas pesquisas realizadas anualmente pelo Banco Mundial, que comparam as condições para se empreender entre os mais de 185 países participantes do estudo Doing Business. O Brasil aparece, em 2013, na posição 130a no quesito “facilidade para fazer negócios”. Quanto menor a posição no ranking, mais facilidade existe naquela categoria em particular no país, ao compará-lo com as demais nações participantes do estudo. Há muita burocracia e procedimentos que impedem o empreendedor brasileiro de ser mais competitivo em nível mundial, o que prejudica o desenvolvimento dos negócios e da economia do país.
Na prática