Empreendedorismo para visionários
1.4 Inovar é preciso
1. O que você sugere que deva ser feito para aumentar o nível de
internacionalização do empreendedorismo brasileiro? Por quê?
2. Discuta com colegas três ideias de negócios que vocês podem
criar para vender produtos e/ou serviços em outros países. O que vocês levaram em consideração para escolher tais ideias e países/mercados? O que você preferiria: Criar um negócio para atuar principalmente no mercado interno ou no internacional? Por quê?
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outras pessoas pensam sobre a internacionalização do
empreendedorismo brasileiro.
1.4 Inovar é preciso
Tanto quanto o empreendedorismo, outro tema na agenda do país é a inovação. Inovar é a premissa que permite a algumas empresas atingir a longevidade. Mais que isso, nós todos admiramos as empresas inovadoras, pois elas disponibilizam ao mercado produtos que facilitam nossas vidas. A inovação ocorre a partir de uma criação, invenção, da busca pela solução de questões ainda não resolvidas ou do aprimoramento de soluções já existentes para problemas que o homem enfrenta ao longo da vida e no dia a dia. Os problemas são desafios relacionados com as mais variadas áreas do conhecimento: da melhoria da saúde humana ao aumento da produtividade de uma indústria; da melhoria da qualidade de vida das pessoas nas grandes cidades ao aumento da eficiência nas comunicações; da criação de novas soluções por meio dos mesmos recursos minerais à diminuição de custos de um produto tecnológico desejado por muitos; da criação de produtos sustentáveis que não agridem o meio ambiente e a natureza ao desenvolvimento de um modelo de produção e venda de produtos orgânicos que seja rentável e ecologicamente correto.
Para que a inovação ocorra, deve existir pelo menos um protagonista: o empreendedor. Note que não é o criativo, o inventor ou a pessoa mais brilhante que necessariamente ocupa o papel de protagonista no processo de inovação, a não ser que ela dê um passo além e tenha a iniciativa para exercer o papel de empreendedor. Mas nem todo empreendedor é inovador, pois a maioria dos empreendedores faz mais do mesmo, ou seja, não cria algo diferente para o mercado no qual pretende atuar e não compete com diferencial em relação à concorrência.
No Brasil, os empreendedores iniciantes e também os já estabelecidos ainda não atentaram para a importância de priorizar a inovação como um mantra para seus negócios. O brasileiro é bastante conhecido por ser criativo e cheio de ideias para resolver os problemas do dia a dia, mas, infelizmente, essas ideias criativas parecem não se refletir em inovações
sustentáveis, que façam a diferença no mercado (Figura 1.3). Tal fato ocorre porque a criatividade em si não garante inovação, que geralmente advém de ideias criativas. No entanto, a ideia só se torna inovação quando se materializa na forma de uma solução (produto/serviço) eficaz para resolver problemas e pela qual as pessoas ou empresas mostram interesse em adquirir e utilizar. As inovações tecnológicas vão além e proporcionam ganho de performance, diminuição de custos, melhoria na usabilidade etc. para quem usa a nova solução. Para se obter uma solução inovadora, os empreendedores por detrás da criação trabalham duro, testam suas soluções, criam diversas versões de protótipos, investem em pesquisa e desenvolvimento, empregam muitas vezes o método da tentativa e erro, até chegar a algo viável e funcional.
Figura 1.3 Uma ideia criativa nem sempre leva à inovação.
Inovar não é fácil, exige esforço e investimento, e nem sempre o saldo final da empreitada leva a resultados positivos ao empreendedor. Por isso, muitos nem chegam a tentar, além daqueles que desistem quando não enxergam uma solução viável ao longo da pesquisa. A maioria ainda carece de conhecimento para poder inovar em áreas com grande potencial de retorno.
Hoje em dia, as inovações que geram valor, por mais simples que sejam quando observamos o resultado final, demandam profundo conhecimento do problema e da técnica que leva à solução. Se o empreendedor não tiver o hábito de pesquisar e não dominar determinada área do conhecimento considerada crucial para sua atuação no mercado, dificilmente vai inovar. Por isso, apenas criatividade não basta, há de se preparar para transformar ideias criativas em oportunidades de negócios com diferencial competitivo e com uma clara proposta de valor gerado ao cliente.
O empreendedor brasileiro precisa mudar sua mentalidade empreendedora se quiser ser protagonista do empreendedorismo inovador, que domina o mundo contemporâneo e promove o desenvolvimento econômico. Não basta achar que as ideias simples e incrementais serão suficientes para posicionar seu negócio à frente da concorrência, pois, se são simples de fazer, podem ser facilmente copiadas, e, assim, sua vantagem competitiva deixa de existir. Inovações duradouras não só ajudam a aumentar a perenidade de sua empresa, como criam barreiras de entrada para os competidores. Com isso, o empreendedor pode imprimir um crescimento sustentável ao seu negócio.
Apesar de esse ser o cenário do empreendedorismo mundial nos dias atuais, que premia com resultados mais duradouros os empreendedores à frente de empresas inovadoras, não é a realidade do Brasil. Nossos empreendedores, em sua maioria, não inovam, como mostram as pesquisas
anuais do estudo GEM.6 Os dados apresentados na Figura 1.4 medem a orientação inovadora das empresas em fase inicial (até 42 meses de existência) dentre os países selecionados. Os empreendedores brasileiros estão entre os que menos inovam no mundo. Da figura, pode-se concluir que cerca de nove em cada dez empreendedores brasileiros não inovam, ou apenas um em cada dez inova. Inovar, nesta pesquisa, é definido como um produto ou serviço desenvolvido pelo empreendedor que seja novo para todo o mercado no qual atua ou para alguns.
Figura 1.4 Nível de inovação de negócios em fase inicial no mundo (GEM, 2011).
Os grupos de países identificados na Figura 1.4 são: economias movidas por fatores (Factor-Driven Economies): baseadas na extração e comercialização de recursos naturais, doravante tratadas aqui como países impulsionados por fatores; economias movidas por eficiência (Efficiency-Driven Economies): norteadas para a eficiência e a produção industrial em escala, que se configuram como os principais motores de desenvolvimento, doravante nominados países impulsionados pela eficiência; economias movidas por inovação (Innovation-Driven Economies): fundamentadas na inovação ou simplesmente impulsionadas por ela.
Um país com o nível de empreendedorismo do Brasil, com a quantidade de jovens envolvidos com o próprio negócio, a qualidade de sua força de trabalho, suas riquezas naturais, biodiversidade, dimensão geográfica e importância econômica no cenário mundial, não pode continuar a ser rotulado como um país pouco inovador. Inovar é mais que preciso; inovar é urgente e deve fazer parte da agenda de todo empreendedor, não apenas do país. A inovação é a base do desenvolvimento econômico dos países mais desenvolvidos, e, se quisermos fazer parte desse seleto grupo, nossos empreendedores precisam mudar seu comportamento quando o assunto é inovação.
Para que esse cenário mude, o empreendedor brasileiro precisa entender a diferença entre uma ideia irrelevante (do ponto de vista de negócio), uma
invenção e uma inovação. A Figura 1.5 apresenta uma matriz que mostra
como verificar se uma ideia é inovadora.7 O grau de novidade indica quão diferente e única é a ideia, enquanto valor e utilidade indicam quanto um grupo significativo de pessoas vai adotar a ideia, comprar o produto ou aceitar a solução proporcionada por ela. As invenções têm alto grau de novidade, ainda mais se forem patenteáveis. Mas, se não houver mercado para as mesmas (ou se não criarem um novo mercado), não serão uma inovação.
Figura 1.5 Matriz de classificação de ideia (Bygrave e Zacharakis, 2009).
Apesar de os exemplos de negócios inovadores brasileiros serem poucos diante da quantidade de empresas existentes no país, algumas se destacam e se posicionam entre as mais inovadoras do mundo. É o caso da Enalta, localizada em São Carlos (SP). A empresa iniciou suas atividades em uma incubadora de empresas e hoje é destaque internacional no quesito inovação. Qual é o segredo do sucesso dessas empresas e por que são diferentes da maioria? O que seus empreendedores fizeram para inovar? Como eles pensam e agem? Como os empreendedores brasileiros podem aprender com exemplos como o da Enalta?
Empresa brasileira de alta tecnologia está
entre as 50 mais inovadoras do mundo8
O ranking de 2013 da revista americana Fastcompany
apresentou a empresa ENALTA, de São Carlos (SP), na
posição 43a, dentre as 50 mais inovadoras do mundo.
Reconhecida como a principal empresa de automação agrícola
dos mercados em que está presente, a ENALTA é destaque
pela qualidade dos trabalhos de implantação e gestão de
processos operacionais no campo por toda América Latina.
Desde sua fundação, em 1999, a empresa continuamente
desenvolve equipamentos e programas para gestão e
otimização de todo processo operacional, soluções para
automação parcial ou total das atividades e que oferecem
dados precisos em tempo real para gestores do agronegócio.
Também auxiliam no acompanhamento e tomada de decisões,
com tecnologia que garante segurança na gestão das
operações e crescimento diário da inteligência dos negócios no
campo.
Fonte: Fastcompany.com e Enalta.com
A cultura focada na inovação, o espírito empreendedor da equipe de gestão, a localização em uma cidade que proporciona um ambiente pró-inovação (São Carlos é conhecida como a Capital da Tecnologia no Brasil), o profundo conhecimento tecnológico de seus engenheiros, o investimento em pesquisa de alto nível e a vontade de fazer diferente e atingir a excelência são algumas possíveis respostas. Na verdade, não há receita mágica, mas um conjunto de fatores que leva as empresas a inovar com sucesso. O fato é que não é fácil, e, na maioria das vezes, há mais erros que acertos, mas os resultados, quando atingidos, compensam todo o esforço empreendido.