Empreendedorismo para visionários

José Dornelas · Capítulo 19 de 58

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Empreendedorismo para visionários

Capítulo 4 | O processo empreendedor revisitado

4.1 Onde tudo começa

 

O início do processo empreendedor ocorre quando a decisão de empreender é tomada pelo empreendedor. O que leva a essa decisão não depende de

uma única variável, como já foi apresentado no Capítulo 2. Na Figura 4.1, esse momento é representado pelos quadros com setas direcionadas ao círculo “Decisão de empreender”. Nos quadros constam representações de motivações empreendedoras, como vontade, desejo, busca, descoberta, sonho, missão, fazer acontecer, autonomia, ganhar dinheiro, pós-carreira, negócio familiar, convite etc. A partir da decisão tomada, as ideias devem ser analisadas pelo empreendedor de maneira que sejam consideradas ou descartadas na próxima etapa do processo empreendedor. É o que se recomenda para evitar cair na tentação comum quando se tem uma ideia aparentemente infalível. Essas ideias cegam o empreendedor que, sem qualquer análise mais criteriosa, muitas vezes cria o negócio e, com isso, corre grandes riscos de quebrar a empresa.

Em empreendedorismo, mais importante que ideias são as oportunidades. Elas podem ser definidas como ideias com potencial de retorno econômico, ou seja, são ideias que podem ser transformadas em produtos e/ou serviços que alguém vai querer adquirir (um mercado em potencial interessado em comprar o produto/serviço decorrente da ideia).

As ideias podem ser simples, sofisticadas, inovadoras, derivadas de algo existente, sustentáveis etc. Enfim, elas advêm da experiência do empreendedor, de sua rede de contatos, de seu conhecimento, do ambiente no qual vive. Muitas vezes, o empreendedor possui várias ideias e fica em dúvida sobre qual selecionar ou quais têm maior potencial de sucesso para ser a base de seu negócio.

Há também aqueles empreendedores que tomam a decisão de empreender, mas não têm ideias que considerem interessantes. Nesse caso, o dilema não é a escolha entre várias ideias, mas a identificação de uma única ideia de negócio.

Em ambos os casos, o empreendedor precisa se preparar para o próximo passo e não se contentar apenas com a simples definição do que é a ideia. De novo, o que importa é transformar ideias em oportunidades. Aos que têm várias ideias, a sugestão é seguir o fluxo do processo empreendedor, aplicar os critérios de análise de oportunidade a cada uma e, assim, selecionar aquela ou aquelas com maior potencial.

Aos que não têm ideias, o processo tem uma etapa anterior, que deve focar a pesquisa, busca, análise de problemas da sociedade, por exemplo, para então identificar ideias aparentemente interessantes para transformar em um negócio. Essa fase não pode ser feita com muitos critérios ou regras, pelo contrário, deve priorizar a criatividade. Também não se deve ainda questionar se a ideia é ou não viável; deve-se apenas tentar levantar o máximo de pensamentos que conseguir, mesmo que aparentemente soem “estúpidos” ou desnexos.

O processo de afunilar e selecionar as melhores ideias vem na sequência, ao analisar se podem ser consideradas oportunidades. Esse processo pode ser feito de várias maneiras, pois há modelos, métodos e técnicas de análise de oportunidades bem difundidos hoje em dia.

Na Figura 4.1, são apresentadas três possibilidades para auxiliar o empreendedor nessa tarefa. Não se espera que ele aplique todos os três modelos aqui apresentados para analisar suas ideias com o intuito de decidir se são ou não oportunidades. O processo pode ser desgastante e moroso. Por isso, recomenda-se escolher pelo menos um modelo. Os modelos de Timmons, Canvas e Efectual serão apresentados em mais detalhes adiante, no Capítulo 5. Ao considerar várias ideias, o empreendedor com certeza descartará algumas ao passar pelo funil de análise de oportunidades. Com isso, pode-se selecionar a oportunidade mais interessante para levar adiante como negócio. A partir daí, tem-se a ideia de negócio definida e encerra-se a primeira fase do processo empreendedor.

Apesar de ser apresentada com várias informações, essa fase inicial é, na verdade, muito prática e simples de ser executada por qualquer pessoa que pretenda empreender. A simplicidade dessa fase não condiz com sua importância, pois se a fase inicial for malfeita, o empreendedor pode colocar em risco todo o seu futuro negócio.