Empreendedorismo para visionários
Capítulo 6 | O plano de negócios
Ao concluir a análise de oportunidade, o empreendedor tomará a decisão de levar a frente ou não sua ideia de negócio. Se houver uma desistência por considerar que a ideia não é uma boa oportunidade de negócio, sugere-se que reinicie o ciclo do processo empreendedor, reveja suas ideias e analise novas oportunidades em potencial até selecionar aquela que, em princípio, parece ser a base de um bom negócio.
Como já discutido, a partir da oportunidade identificada, o empreendedor tem duas possibilidades: partir para o desenvolvimento de um plano de negócios tradicional ou desenvolver um plano de negócios efectual. Na verdade, há empreendedores que não desenvolvem nenhuma das duas opções de planejamento e já criam a empresa. Os riscos dessa alternativa já foram tratados nos capítulos anteriores.
O plano de negócios popularizou-se nos últimos anos como uma das principais ferramentas de gestão dos empreendedores, principalmente dos interessados em iniciar uma empresa. Por meio do plano de negócios, o empreendedor consegue ter uma visão mais clara do que será a empresa, do mercado e simular projeções de crescimento do negócio, bem como custos, despesas e potencial de lucratividade.
Como se trata de uma simulação ou uma previsão antes de colocar o negócio para funcionar, naturalmente não será perfeita. Ou seja, o plano de negócios não é infalível e não diz exatamente como tudo vai acontecer em detalhes. Isso é praticamente impossível. Mas, mesmo com suas deficiências conhecidas, o ato de planejar utilizando um plano de negócios auxilia consideravelmente na tomada de decisão do empreendedor.
Muitos empreendedores confundem o processo de desenvolvimento do plano de negócios com uma lição de casa obrigatória, com regras rígidas, que não podem ser mudadas. Isso é um mito, já que o plano de negócios é e precisa ser dinâmico. Quando determinada premissa utilizada no seu desenvolvimento muda, o plano precisa ser revisto para atender à realidade do ambiente de negócio do empreendedor.
Alguns críticos do plano de negócios o consideram uma ferramenta de difícil desenvolvimento, que leva tempo para se obter e que, ao ficar pronta, já está obsoleta. De fato, a dificuldade existe, principalmente quando o empreendedor tem pouco conhecimento de gestão e de estratégia de negócio. O tempo para se desenvolver um plano de negócios pode variar muito, mas, em média, entre 30 e 60 dias seria uma boa estimativa. É bastante tempo, mas pode poupar o empreendedor de inúmeros problemas no futuro. Quanto à obsolescência, como qualquer planejamento, tão logo concluído, pode necessitar de revisão, caso haja alguma mudança brusca no ambiente de negócio do empreendedor.
Porém, como o plano de negócios é uma ferramenta para ajudar o empreendedor no planejamento de longo prazo, não se deve confundi-lo com um plano de ações ou atividades operacionais para o dia a dia da empresa. O plano de negócios é escrito, sintetiza a estratégia de crescimento da empresa e define como o negócio fará dinheiro. Por isso, não há a necessidade de ser um documento extenso. Mais importante que o documento em si é o processo de desenvolvimento, pois, por meio do plano de negócios, o empreendedor começa a conhecer em mais detalhes como será, de fato, sua empresa.
Por isso, o plano de negócios é considerado uma ferramenta de gestão do empreendedor, pois o auxilia a tomar decisões. No passado, os planos eram desenvolvidos em detalhes e envolviam questões estratégicas, táticas e até operacionais de uma empresa. Com o passar dos anos e devido à necessidade de respostas rápidas para tomar decisões, os empreendedores foram otimizando a elaboração de seus planos de negócios de maneira que ficassem mais curtos e mais fáceis de atualizar.
Assim, os planos de negócios evoluíram e, atualmente, em poucas páginas (em média, de 15 a 25) ou slides, se obtém um plano de negócios de qualquer empresa. Cabe ressaltar que àqueles que preferem fazer planos apenas em slides (lâminas), com informações mais objetivas, o desafio pode ser grande, pois o poder de síntese não é privilégio da maioria dos empreendedores.
Uma dificuldade que ainda persiste hoje em dia é o entendimento da seção que trata das finanças em um plano de negócios. Para muitos empreendedores, essa seção é de difícil compreensão. Porém, há maneiras simples de se simular o futuro de uma empresa, sem a necessidade de criação de demonstrativos financeiros complexos. A utilização de planilhas financeiras didáticas é o que se indica nesses casos, e, no site
www.josedornelas.com.br, você tem acesso a exemplos de planilhas para ajudá-lo no desenvolvimento do seu plano de negócios.
Além do empreendedor, vários são os interessados em seu plano de negócios, já que esse documento continua sendo o cartão de visitas do empreendedor para tratar com inúmeros interlocutores. Exemplos de interessados e que podem demandar um plano de negócios antes do próximo passo em uma negociação são os investidores ou potenciais sócios, incubadoras de empresas, bancos e agências governamentais, parceiros, entre outros.
A justificativa mais importante para convencê-lo da importância de desenvolver um plano de negócios está nas estatísticas mundiais, que indicam o fato de não planejar adequadamente o início de uma empresa como uma das causas da precoce mortalidade de muitos negócios. Isso ocorre na maioria dos países, inclusive no Brasil. Não se pode confundir, no entanto, o desenvolvimento do plano de negócios com a obrigação de criar um documento que detalha como será seu negócio. Esse tipo de plano detalhado e apenas descritivo não funciona e pode significar perda de tempo para o empreendedor dedicar-se ao desenvolvimento de um, em vez de focar a gestão da empresa. O plano de negócios que auxilia na gestão é aquele de cujo desenvolvimento o empreendedor participou (em vez de tê-lo terceirizado totalmente para consultores ou outros envolvidos) e que sintetiza sua visão de negócio e aonde sua empresa pode chegar no futuro. É um guia que dará o norte necessário para o crescimento da empresa e não necessariamente uma obrigação que deixa o empreendedor de mãos atadas, impedindo-o de tomar decisões.
Por isso, entender como construir um plano de negócios é de extrema importância para todo candidato a empreendedor. Mesmo que o empreendedor não opte por desenvolver um, mesmo que prefira “pular” essa etapa do processo empreendedor e que se dedique apenas ao desenvolvimento de um modelo de negócio no estilo Canvas, por exemplo, ele deve ter em mente o que vai preterir de informação ao não dedicar ao plano de negócios a atenção devida. É muito mais fácil e menos trabalhoso começar um negócio sem o plano de negócios. Mas será que o negócio terá mais chances de sucesso dessa forma? Dificilmente, como já comprovado por inúmeras pesquisas mundiais realizadas ao longo dos últimos anos.
Isso posto, cabe entender o que compõe o plano de negócios, quais as seções mais importantes de um plano e como desenvolver cada uma. Mesmo que você não tenha conhecimento profundo de administração e gestão de empresas, é possível desenvolver um plano de negócios objetivo e útil na construção de um negócio de sucesso.
Em síntese, o plano de negócios mostrará ao empreendedor o potencial e a viabilidade do negócio que pretende criar antes de colocá-lo em prática. A diferença do plano de negócios tradicional para o efectual é que o último foca mais os recursos sob controle do empreendedor, quanto está disposto a investir e as perdas aceitáveis, e menos no potencial de receita e lucratividade da empresa. O plano de negócios efectual acaba sendo mais uma previsão orçamentária, agregada de uma visão estratégica de crescimento. Porém, não dará tanta atenção a projeções mercadológicas, financeiras e de crescimento de receita do negócio, já que o empreendedor terá apenas uma ideia do potencial de ganho que a empresa proporcionará. Sua atenção estará focada na validação de hipóteses e, então, em definir a melhor estratégia para fazer a empresa crescer. Como o plano de negócios efectual é mais simples de se obter, o foco deste capítulo será no entendimento do plano de negócios tradicional. Ao entender como se desenvolve um plano de negócios tradicional, será simples criar um plano efectual, já que o último é uma versão menos completa do primeiro. No entanto, o contrário não é necessariamente verdadeiro.