Empreendedorismo para visionários

José Dornelas · Capítulo 5 de 58

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Empreendedorismo para visionários

1.2 Empreender agora ou no futuro?

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outras pessoas pensam sobre a destruição criativa.

 

1.2 Empreender agora ou no futuro?

 

A diferença entre empreender cedo ou mais tarde na vida não se limita apenas à diferença de idade. Quem empreende muito jovem geralmente tem pouca experiência e praticamente não conhece o que vai encontrar à frente do negócio. Tudo é novidade, desde falar com potenciais clientes a entender o processo de desenvolvimento de produtos. Mas, por outro lado, os mais jovens geralmente estão mais antenados às inovações tecnológicas, mais dispostos a trabalhar horas a fio sem remuneração compatível e, o mais importante, o risco que assumem tem impacto dirigido a eles mesmos e a seus sócios. Se errarem, podem recomeçar de novo e têm uma vida toda pela frente. E ainda, na maioria das vezes, o jovem não tem família para sustentar, filhos e responsabilidades típicas dos pais de família. Muitas vezes, moram com os pais e não precisam arcar com grandes quantias para seu sustento. Essa é a regra, mas, naturalmente, existem exceções.

Aqueles que empreendem mais tarde já trilharam uma carreira profissional, atuando em determinado setor da economia. Podem ter galgado boas posições como funcionários, sabem o que é receber salário no final do mês e se adaptaram a essa realidade. Possuem compromissos mensais e sabem que dificilmente poderão se desvencilhar deles (aluguel, gastos com a manutenção da família, escola dos filhos, entre outros). Os riscos precisam ser medidos de maneira diferente, pois não envolvem apenas eles mesmos. Talvez não tenham a disposição dos mais jovens, mas possuem conhecimento e experiência, que podem acelerar o desenvolvimento da própria empresa.

Note que não há idade certa ou errada para começar o próprio negócio, e você sempre terá prós e contras à decisão de empreender. Mas o que se tem observado mais recentemente no Brasil é um significativo contingente de uma parcela jovem da população economicamente ativa envolvida com o

processo de criação do próprio negócio, como mostra a Figura 1.1, que apresenta as faixas etárias mais envolvidas com esse processo. A taxa percentual de empreendedores em estágio inicial (definida internacionalmente como Total Early Stage Entrepreneurial Activity – TEA) é obtida dividindo-se do número de empreendedores em estágio inicial (aqueles em fase de criação do negócio e até os 42 meses iniciais da empresa) pelo número de participantes da pesquisa do Global

Entrepreneurship Monitor no Brasil (GEM Brasil).2

 

Figura 1.1 Taxa (%) de empreendedores em estágio inicial de desenvolvimento no Brasil segundo a

faixa etária. Fonte: GEM Brasil, 2012.

 

Por que isso está ocorrendo? Responder a essa pergunta não é tarefa fácil, mas alguns fatores que contribuem para esses dados podem ser listados:

 

As transformações do mercado de trabalho, tais como o fato de não se ter mais garantia de estabilidade no emprego, algo quase certo no

passado.

O sonho ou desejo de autonomia e de definir o próprio caminho, contraposto ao sonho que predominava no passado de se trabalhar em uma grande empresa, galgar posições aos poucos e atingir cargos relevantes.

A vontade de conseguir realizar os sonhos rapidamente na vida e um senso incomum de urgência. Os jovens querem resultados rápidos hoje em dia e buscam no próprio negócio um caminho para atingir esse objetivo.

Os exemplos e modelos de referência familiares: ao observar familiares que se dedicaram uma vida a trabalhar em grandes empresas e, eventualmente, foram demitidos ou não estão felizes no trabalho, muitos jovens ficam impelidos a evitar o mesmo caminho. As mudanças nas próprias empresas constituídas. Muitas fusões e aquisições transformam empresas centenárias ou aparentemente imutáveis em novas organizações, com nova cultura e clima organizacionais. Apesar de o novo ser um atrativo aparente aos jovens, também denota incerteza.

 

Brasil é a economia menos globalizada da

 

América Latina3

 

Panamá, Nicarágua, Honduras e Chile são os países mais

conectados aos fluxos de comércio global

 

Pelo segundo ano consecutivo, o Brasil continua a ser o país

menos globalizado da América Latina, conforme mostra o

oitavo Índice de Globalização Latina, publicado anualmente

pelo Latin Business Chronicle. O índice de 18 países examina

seis fatores que medem a interligação de um país com o

mundo externo: Exportações de bens e serviços como

porcentagem do Produto Interno Bruto (PIB); importações de

bens e serviços como porcentagem do PIB; investimento

estrangeiro direto como porcentagem do PIB; receita de turismo