Flores do Campo

João de Deus · Capítulo 26 de 79

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Flores do Campo

Gaspar

É escusado, senhor!

—Boas noites... lavadeira!

—Boas noites, caçador!..

 

Messines.

 

GASPAR

 

Ora se não sei eu quem foi teu pai!

Fidalgo: sei perfeitamente bem.

O que eu não sei, Gaspar! é o que vem

N'esta vida fazer quem já lá vai.

Já se vê que é aos paes que a gente sái. Tal pai, tal filho; sim, duvída alguem

Que um pai se é como o teu, homem de bem, Tu és homem de bem como teu pai?

D'isto não ha quem possa duvidar.

Mas queres um conselho que eu te dou? Não mexas n'isso... cala-te, Gaspar!

Que eu, cá por mim, bem sabes como eu sou, Mas é que outro talvez mande tirar

Certidão de baptismo a teu avô.

 

Coimbra.

Deixa que ao romper d'alva o cravo abrindo,

Á rosa envie o aroma;

E lá quando alta noite a lua assoma,

O rouxinol carpindo!

Que pela face a lagrima resvale

De quem no exilio geme;

E quando a propria sombra o homem teme,

Que a mãi seu filho embale.

Deixa que ao espaço immenso os olhos lance

O sol antes que expire;

Que pelo norte a bussola suspire

E nelle só descance.

Amam leões e tigres. Não ha nada,

Anjo! que a amor se esconda.

Beija a pomba o seu par; e abraça a onda

A rocha inanimada.

Deixa que a nuvem negra tolde a lua

Se a leva a tempestade;

Deixa que eu te ame a ti, cara metade,

D'esta alma toda tua!

 

Coimbra.