Flores do Campo

João de Deus · Capítulo 74 de 79

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Flores do Campo

A Sulamense

E só o cheiro que exhala

O teu corpo, não ha flôr,

Não ha rosa, não ha cravo

Capaz de cheirar melhor.

A tua bocca é um favo

De doçura quando falla;

A tua lingua, uma sopa

De leite e mel; essa roupa

Cheira a incenso, regala.

Não ha nada comparado:

Agua a mais pura e suave

De fonte fechada á chave,

Não é mais suave e pura.

Esse rosto, essa figura...

E só o bem que tu cheiras!

Não me parece senão

Um jardim todo plantado

De romeiras e maceiras,

Canfora, nardo, assim como

Açafrão, canna de cheiro

Aloes, myrrha e cinnamomo:

O que ha no Libano em fim;

Não ha fruta nem aroma,

Que se ahi não cheire e coma.

És a fonte d'um jardim

Toda pureza e frescura:

Torno d'agua que rebenta

Inda mais viva e mais pura

Lá no Libano, e ninguem

Lhe tem mão nem aguenta

A força com que ella vem.

Fizesse já sul e norte

No meu jardim, de tal sorte

Que alegretes e pomares

Andasse tudo nos ares.

 

A SULAMENSE