Flores do Campo
A Sulamense
E só o cheiro que exhala
O teu corpo, não ha flôr,
Não ha rosa, não ha cravo
Capaz de cheirar melhor.
A tua bocca é um favo
De doçura quando falla;
A tua lingua, uma sopa
De leite e mel; essa roupa
Cheira a incenso, regala.
Não ha nada comparado:
Agua a mais pura e suave
De fonte fechada á chave,
Não é mais suave e pura.
Esse rosto, essa figura...
E só o bem que tu cheiras!
Não me parece senão
Um jardim todo plantado
De romeiras e maceiras,
Canfora, nardo, assim como
Açafrão, canna de cheiro
Aloes, myrrha e cinnamomo:
O que ha no Libano em fim;
Não ha fruta nem aroma,
Que se ahi não cheire e coma.
És a fonte d'um jardim
Toda pureza e frescura:
Torno d'agua que rebenta
Inda mais viva e mais pura
Lá no Libano, e ninguem
Lhe tem mão nem aguenta
A força com que ella vem.
Fizesse já sul e norte
No meu jardim, de tal sorte
Que alegretes e pomares
Andasse tudo nos ares.
A SULAMENSE