Flores do Campo

João de Deus · Capítulo 3 de 79

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Flores do Campo

A uma Carta Anonyma

—Foge.—O horror fascina-me.

São reprobos que exhalam

Horridos ais que abalam

O inferno: oh Deus! anima-me.

—Escuta-os.—Escutemol-os.

Como elles bramem, rugem,

E o espaço uivando estrugem...

Gelam-se os membros tremulos.

—Entra.—Não posso.—Arromba.

—Prohibem-m'o.—Subleva-te.

—Prohibe-o Deus.—Eleva-te.

Acima, ingenua pomba!

Que vês? A luz clareia-me.

Que céo, que azul ethereo!

Oh extasi, oh mysterio!

Sobeja a vida, anceia-me.

—Falla.—Deus! que harmonia!

Aqui a alma exalta-se;

A alma aqui dilata-se...

Camões!—É a poesia.

 

Coimbra.

 

A UMA CARTA ANONYMA

 

Não sabe a flôr quem manda a luz do dia, Nem quem lhe esparge o nectar que a deleita