Flores do Campo
A uma Carta Anonyma
—Foge.—O horror fascina-me.
São reprobos que exhalam
Horridos ais que abalam
O inferno: oh Deus! anima-me.
—Escuta-os.—Escutemol-os.
Como elles bramem, rugem,
E o espaço uivando estrugem...
Gelam-se os membros tremulos.
—Entra.—Não posso.—Arromba.
—Prohibem-m'o.—Subleva-te.
—Prohibe-o Deus.—Eleva-te.
Acima, ingenua pomba!
Que vês? A luz clareia-me.
Que céo, que azul ethereo!
Oh extasi, oh mysterio!
Sobeja a vida, anceia-me.
—Falla.—Deus! que harmonia!
Aqui a alma exalta-se;
A alma aqui dilata-se...
Camões!—É a poesia.
Coimbra.
A UMA CARTA ANONYMA
Não sabe a flôr quem manda a luz do dia, Nem quem lhe esparge o nectar que a deleita