Flores do Campo

João de Deus · Capítulo 38 de 79

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Flores do Campo

A Uns Olhos Azues

 

Cahe a folha da rosa pudibunda,

Cahe a rosa da face virginal,

Cahe das nuvens a aguia moribunda,

Cahe o sol na montanha occidental.

Cahe a onda na praia, cahe do somno

O poeta na luz; e cahe das mãos

Dos despostas o sceptro, elles do throno,

Como a seus pés cahiram seus irmãos!

Cahe dos labios o riso; cahe dos olhos

A lagrima tambem, que d'alma sahe;

Cahe a rocha no mar, cahe nos abrolhos

A flôr de liz; de louro a folha cahe.

Cahe do céo a centelha incendiaria,

A nuvem cahe se um sopro Deus lhe dá,

Cahe ante o dia a noite solitaria

Como o falso Dagon ante Jehovah.

Cahe tudo, flôr! cahe tudo; eu só não cáio:

Mais do que um rei, que o sol, igual a Deus,

Cahir, mulher! só posso á luz d'um raio

Se elle cahir do céo dos olhos teus!

 

Luso.