Flores do Campo

João de Deus · Capítulo 42 de 79

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Flores do Campo

Duvida

Diz-me um juiz que o tem visto:

Tlim!

Prompta.

N'essas especies de exames

Que a gente faz em rapaz,

São milagres aos enxames

O que aquelle diabo faz.

Sem saber nem patavina

De grammatica latina,

Quer-se a gente d'alli fóra?

Vai elle com taes fallinhas,

Taes gaifonas, taes coisinhas...

Tlim!

Ora...

Aquella physionomia

E labia que o diabo tem!

Mas n'uma secretaria

Ahi é que é vêl-o bem!

Quando elle, de grande gala,

Entra o ministro na sala,

Aproveita a occasião:

Conhece este amigo antigo?

—Oh meu tão antigo amigo!

(Tlim!)

Pois não!

 

Coimbra.

 

DUVIDA

 

Amas-me a mim! Perdôa;

É impossivel! Não,

Não ha quem se condôa

Da minha solidão.

Como podia eu, triste,

Ah! inspirar-te amor,

Um dia que me viste,

Se é que me viste... flôr!

Tu, bella, fresca e linda

Como a aurora, ou mais

Do que a aurora ainda,

Mal ouves os meus ais!

Mal ouves porque as aves

Só soltam de manhã

Seus canticos suaves;

E tu és sua irmã!

De noite apenas trina

O triste rouxinol:

Toda a mais ave inclina

O collo ao pôr do sol.

Porquê? porque é ditosa!

Porquê? porque é feliz!

E a que sorri a rosa?

Ao mesmo a que sorris!

Á luz doirada e pura

Do astro creador.

Á noite, não, que é escura,

Causa-lhe a ella horror.

Ora uma nuvem negra,

Uma pesada cruz,

Uma alma que se alegra

Só quando vê a luz

De que elle, o sol, inunda

O mar, quando se põe!

Imagem moribunda

D'um coração... que foi!