Flores do Campo
A Lua
Se te amo, flôr? Sem ti, que noite escura,
Meu céo, meu campo em flôr, meu dia e tudo! Diga-te a noite minha se te illudo,
Se em vida já sem ti, sonhei ventura!
O anjo que a berço humilde e escasso
Do céo me veio alumiar piedoso,
E em lagrimas e riso, pranto e gozo,
Desde então me acompanha passo a passo;
És tu! Amo-te e muito! O que fluctua
Na fornalha que o sopro eterno accende,
Não beija a mão do anjo que o suspende
Com mais amor que eu beijo a sombra tua!
Coimbra.
A LUA
Esse olhar silencioso
Em que lingua se traduz?
Falla-me, oh astro saudoso,
Luz do céo, pallida luz!
Que aereas visões me acordas,
Que imagem, lua, recordas
N'essa prateada côr?
Que ha em ti, que a dôr mitiga,
Que ha em ti, lampada amiga,
De meigo e consolador?
Escuta, pallida lua,
Dá-me um sorriso dos teus,
Dá-me uma lagrima tua,
Se és a pupilla de Deus!
Vê que outros mimos não tenho,