Flores do Campo
Margarida
Messines.
MARGARIDA
Oh que formosos dias, Margarida!
Esses da tua vida;
E que nublados
Meus dias desgraçados!
Nasci tambem assim risonho e meigo,
Mas hoje apenas chego
O calix da ventura
Á bocca ancioso,
Torna-se a agua impura
E o liquido que bebo
Venenoso,
Sim, venenoso o liquido que bebo.
Nem eu concebo
Como Deus me creasse
Para tormento eterno;
Elle que tão affavel, meigo e terno
Te beija a ti a face
E te embala no collo, Margarida!
A mim dar-me esta vida...
Mas vejo á sombra d'altos edificios
Miudissimas flôres
De tão subtís e delicadas côres
Que se o sol lhes chegasse
Talvez que nem resquicios Lhes ficasse.