Flores do Campo

João de Deus · Capítulo 46 de 79

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Flores do Campo

Na Folha D'um Romance

 

Moldada ao bem nasci, mas debil planta

Verguei de vicio ao sopro pestilente;

D'entre o vicio porém minha alma ardente

Castos hymnos a Deus saudosa canta.

Ah! se um mentido affecto amor levanta

N'um pobre coração inexperiente,

D'elles a culpa é toda! uma innocente

Não consulta a razão, razões supplanta.

Cahi, verguei, Senhor! já pervertida

Graças, beijos vendi, vendi belleza,

Triste commercio de mulher perdida.

Oh! mas, Deus do amor! foi só fraqueza:

De impias mãos me arrancai, tirai-me a vida,

Alcance-me o perdão mortal tristeza!

 

Messines.

 

Lagrima celeste,

Perola do mar,

O que me fizeste

Para me encantar!

Ah! se tu não fosses

Lagrima do céo,

Lagrimas tão dôces

Não chorára eu.

Se nunca te visse

Bonina do val,

Talvez não sentisse

Nunca amor igual.

Pomba desmandada,

Que é dos filhos teus,

Luz da madrugada,

Luz dos olhos meus!

Meu suspiro eterno,

Meu eterno amor,

D'um olhar mais terno

Que o abrir da flôr,

Quando o nectar chora,

Que se lhe introduz,

Ao romper da aurora,

Ao raiar da luz,

Por entre a folhagem

Onde mal se vê,

Como a terna imagem

Da que eu adorei.

Que esta voz te enleve,

Que este adeus lá sôe,

Que o Senhor t'o leve,

Que Deus te abençôe.

Que o Senhor te diga

Se te adoro ou não,

Minha dôce amiga

Do meu coração!

Se de ti me esqueço,

Se já me esqueci,